De repente, ela começou a se sentir aliviada por Lucas não a amar mais.
Assim, pelo menos, ele não sofreria depois que ela partisse.
Ela respirou fundo e caminhou com calma e paz em direção ao seu destino.
Enquanto isso, no escritório do último andar do Grupo Zhou.
Lucas assinou o último contrato de transferência de herança, passando todos os seus bens para o nome de Clara.
"Assim que eu partir, entregue isso a ela." Ele passou os documentos ao assistente. "Além disso, não conte nada a ela."
O assistente, com os olhos vermelhos, soluçou: "Sr. Lucas, por que fazer isso? Tudo o que o senhor fez foi pela esposa, por que quer que ela o odeie até o fim?"
Lucas olhou para o céu cinzento pela janela, seus olhos transbordando amargura e dor: "Eu a conheço bem demais. Se ela soubesse a verdade, talvez nunca conseguisse seguir em frente na vida."
Ele já conhecia o próprio fim, e já que partiria cedo ou tarde, preferia que ela o odiasse, pois isso seria melhor do que vê-la viver o resto da vida em agonia após sua morte.
Um toque de celular súbito interrompeu seus pensamentos; ao atender, o rosto do assistente mudou de cor.
"Sr. Lucas, acabamos de receber a notícia: a esposa fugiu da mansão e já pegou um carro para a Cidade Portuária."
"O quê?!"
Lucas levantou-se abruptamente, um pânico avassalador apertando seu coração.
A Cidade Portuária era onde eles haviam sofrido o acidente na vida anterior.
Ele havia planejado tudo por seis meses, e toda a sua contenção era para evitar aquele dia.
Ele pensou que, mantendo-a em casa, estaria seguro, mas não esperava que ela fosse assim mesmo.
Lucas partiu imediatamente.
No caminho, ele recebeu uma ligação de um número desconhecido.
"O senhor é o Sr. Lucas? Recebemos uma denúncia de que, na região de Wanghai, uma testemunha afirmou ter visto sua esposa, a Sra. Clara, cair no mar..."
Capítulo 8
Como um trovão explodindo na mente de Lucas, seu cérebro ficou instantaneamente vazio.
Em seus ouvidos, restou apenas um zumbido, e ele não conseguia mais ouvir nada.
Lucas dirigiu quase como um louco até chegar àquela região costeira familiar.
Alguns carros de polícia estavam estacionados na margem, e uma longa fita de isolamento cercava o local.
Lucas correu cambaleando em direção à cena.
Foi bloqueado por alguns policiais: "Senhor, o senhor não pode entrar na área do incidente..."
"Eu sou da família de Clara! Foram vocês que me notificaram, deixem-me entrar!" Lucas empurrou os homens à sua frente com força, gritando ferozmente.
Os policiais se entreolharam, ainda se recusando a deixá-lo passar.
"Senhor, as ondas estão fortes e perigosas, o senhor não pode se aproximar. Já organizamos uma equipe de resgate para as buscas; acreditamos que teremos resultados em breve."
A polícia acalmou os ânimos de Lucas, explicou a situação brevemente e trouxe o denunciante.
Era um rapaz jovem, que recontou o ocorrido ainda trêmulo: "Eu estava correndo aqui por perto quando vi. A garota vestia um vestido branco, ficou parada naquela rocha e pulou direto para dentro. Eu gritei, mas não deu tempo..."
"Impossível, impossível!"
Antes que a frase terminasse, Lucas interrompeu com um rugido: "Você deve ter visto errado! Ela não pularia no mar, não pode ter sido ela, vocês devem ter se enganado de pessoa!"
Ele agarrava o braço de um policial, com os olhos injetados de sangue e a voz rouca.
A polícia então entregou a Lucas uma bolsa que encontraram na costa.
"Encontramos isso na margem; deve pertencer àquela senhora."
Lucas abriu a bolsa com as mãos trêmulas; dentro estavam os documentos de Clara e aquele amuleto de proteção.
Ao ver aqueles itens, o coração de Lucas encolheu, como se tivessem drenado toda a sua força.
Sua visão escureceu, e seu corpo balançou, quase desabando.
Eram, sem dúvida, os pertences de Clara.
Especialmente aquele amuleto; era a única relíquia que a mãe de Clara havia deixado para ela.
Clara o tratava como se fosse sua própria vida; jamais o teria descartado.
Lucas apertou o amuleto com força, sentindo as bordas afiadas cortarem sua palma, mas a dor física não era nada comparada à dor em seu peito.
Mesmo assim, ele se recusava a acreditar.
"Não é verdade, não pode ser ela, não pode..."
Ele lutava, gritando, empurrando aqueles que tentavam segurá-lo, avançando em direção à margem como uma fera acuada.
O assistente de Lucas e alguns policiais quase não conseguiram detê-lo.
"Sr. Lucas, por favor, não faça isso..."
"Sr. Lucas, acalme-se. Já pedimos para a equipe de resgate intensificar as buscas; logo teremos notícias."
As palavras da polícia pareceram dar-lhe uma última esperança; ele agarrou o braço de um policial como alguém à beira da morte se agarra a uma palha.
"Isso, a equipe de resgate... é preciso encontrá-la, precisamos encontrá-la..."
A equipe de resgate ampliou a área de busca; helicópteros sobrevoavam o céu, e mais de uma dezena de lanchas circulavam o mar.
Lucas permaneceu ali, imóvel, com os olhos fixos na superfície das águas.
Ele deixou que a água fria do mar o encharcasse.
Ninguém conseguia fazê-lo sair dali.
Ele vigiou a costa durante toda a noite, e à medida que o tempo passava, o desespero o engolia como uma maré gelada.
Quando Beatriz chegou, ao saber da notícia, já era a manhã do dia seguinte.
Ao ver Lucas em um estado de quase colapso, com a alma devastada, ela sentiu inveja e ódio.
Mesmo assim, forçou uma expressão de preocupação e se aproximou: "Lucas, ouvi dizer que algo aconteceu com a irmã Clara. Como você está? Não se preocupe tanto, Clara sempre teve sorte..."
Antes que terminasse de falar, foi empurrada bruscamente por Lucas.
"Chega!" Lucas virou a cabeça; em seus olhos injetados de sangue não havia nenhuma temperatura. "Beatriz, a encenação acabou. Reconheça seu lugar: você é apenas uma atriz que contratei; não leve o papel tão a sério."
Beatriz foi empurrada para trás, olhando para ele em descrença.
Toda a sua máscara de dissimulação caiu por terra; ela cerrou os dedos com força, cravando as unhas na palma da mão.
Há seis meses, Lucas a procurara subitamente, dizendo que queria estar com ela.
Ela pensou que seu amor platônico de anos finalmente fora correspondido, mas não esperava que a frase seguinte dele fosse um acordo comercial.
Ele prometera uma quantia em dinheiro para que ela colaborasse com a encenação, fazendo Clara acreditar que ele havia mudado de sentimentos.
Embora não soubesse o motivo, ela aceitou.
Pois era sua única oportunidade de ficar ao lado dele; mesmo sendo falso, ela precisava agarrar aquela chance.
Durante meio ano, ela e Lucas interpretaram um casal apaixonado na frente de Clara; ela viu como ele a escolhia repetidamente e empurrava Clara para longe.
Ela chegou a ter a ilusão de que, naquela peça, ele talvez tivesse algum sentimento verdadeiro por ela.
Mas, na verdade, do início ao fim, ela não passava de uma peça de xadrez descartável.
Assim que soube do acidente de Clara, ele não perdeu tempo em derrubar toda a encenação e traçar uma linha divisória entre eles.
Um ódio intenso e uma indignação borbulhavam no coração de Beatriz enquanto ela observava as costas de Lucas.
Não, ainda não era hora de romper os laços.
Clara já estava morta.
O que uma pessoa morta teria para competir com ela?
Contanto que ela esperasse pacientemente ao lado de Lucas, o cargo de esposa do Sr. Zhou seria dela cedo ou tarde.
Beatriz forçou a raiva a desaparecer, substituindo-a por uma expressão gentil.
Recuou silenciosamente, acompanhando Lucas.
Após três dias e três noites de vigília na costa, a busca finalmente teve um resultado.
"Sr. Lucas, encontramos a Srta. Clara."
Lucas levantou a cabeça bruscamente, uma luz de esperança acendendo-se em seus olhos.
Mas, ao ver a cena diante dele, o brilho morreu instantaneamente.
Capítulo 9
Alguns membros da equipe de resgate carregavam uma maca coberta por um lençol branco.
O corpo de Lucas ficou rígido instantaneamente; ele fixou o olhar naquele lençol branco, seus pés pareciam pregados ao chão, incapazes de se mover um milímetro sequer.
Com as mãos trêmulas, ele acabou estendendo o braço em direção ao lençol. Alguém ao redor tentou impedi-lo: "Sr. Lucas, o corpo ficou submerso por muitos dias e foi atingido por recifes; é melhor o senhor não ver..."
Ele, porém, como se não tivesse ouvido, levantou obstinadamente um canto do tecido.
Sob o pano branco estava um rosto irreconhecível, cujas feições originais já não podiam ser distinguidas.
Lucas sentiu até um fio de alívio, achando que não era Clara.
Até que seu olhar periférico visou o anel no dedo anelar daquela mão esquerda exposta...
Ele reconheceu quase instantaneamente.
Era o anel de noivado que ele comprara com todas as suas economias quando eles passavam por dificuldades no início de seus negócios.
A parte interna ainda trazia o nome de Clara gravado.
Ela dissera uma vez que nunca tiraria aquele anel, nem mesmo após a morte.
Seu coração foi violentamente apertado por uma mão invisível, quase parando de bater.