O sorriso de Beatriz congelou, um lampejo de crueldade passou por seus olhos, e ela estava prestes a dizer algo.
De repente, ouviu-se um rangido acima de suas cabeças.
O elo que prendia o lustre de cristal soltou-se e caiu diretamente sobre as duas.
— Cuidado!
No momento crítico, uma silhueta correu violentamente e usou toda a força para empurrar Clara para longe.
Capítulo 5
No segundo seguinte, um impacto gigantesco e o som de vidro estilhaçando ecoaram por todo o salão de festas.
Clara foi inteiramente coberta por uma sombra escura e, exceto por alguns arranhões causados por fragmentos em seus braços expostos, quase não sofreu danos.
E a pessoa que a protegeu.
Foi Lucas.
O lado direito de seu corpo foi atingido em cheio pelo lustre, e sangue começava a escorrer de sua testa e de suas costas.
— Lucas, como você está...
Clara entrou em pânico repentino.
Em sua mente, memórias da vida passada surgiram sem controle.
Naquele mesmo salão, devido a uma estrutura de ferro da decoração que se soltou, Lucas a empurrou para protegê-la e acabou sendo atingido.
Desta vez, ela havia verificado cuidadosamente que não havia decorações de ferro no local.
Ela pensou que poderia evitar o acidente, mas não esperava que ele acontecesse mesmo assim.
E a reação de Lucas foi surpreendentemente rápida.
Como se ele já previsse o que aconteceria.
Um pensamento cruzou sua mente subitamente, e ela agarrou a mão de Lucas com força. — Por que você correu para cá de repente? Você se lembra de algo? Você...
Lembra da vida passada?
Antes que Clara terminasse de falar, o gemido de dor de Beatriz soou ao seu lado: — Lucas, meu braço dói tanto...
Beatriz não conseguiu se esquivar a tempo e também foi atingida, com fragmentos ferindo todo o seu braço.
Lucas deu uma olhada e empurrou Clara bruscamente.
— Não pense demais. Eu apenas me confundi. O seu vestido é parecido com o de Beatriz; eu pretendia salvar ela.
Clara foi empurrada para o lado e uma de suas mãos pressionou diretamente sobre os cacos, ficando instantaneamente coberta de sangue.
Lucas sequer olhou para ela novamente.
Ele caminhou direto na direção de Beatriz, pegou-a nos braços e saiu a passos largos.
Clara foi para casa sozinha, tratou de seus ferimentos e recebeu um telefonema da fundação de caridade.
Eles agradeceram por ela ter doado todos os ativos sob seu nome e a convidaram para participar de um evento no dia seguinte.
No local do evento, no dia seguinte, os organizadores a convidaram para subir ao palco, mas um repórter na plateia de repente lhe fez uma pergunta.
— Senhorita Clara, recebemos informações de que você ignorou seu pai biológico por anos, deixando-o na miséria e solidão, mas está aqui promovendo caridade de forma ostensiva. Isso seria apenas para construir uma imagem pública?
Clara ficou paralisada, sem ter tido tempo de reagir.
Houve um tumulto repentino na multidão.
Um velho de cabelos prateados, apoiado em uma bengala, saiu à frente.
— Clara, minha filha, como você pode ser tão cruel? Eu sei que minha situação te envergonha, mas você não pode, só para tentar ascender socialmente, me renegar por mais de dez anos! Eu te procurei por tantos anos com tanto sofrimento!
O sangue de Clara congelou em suas veias ao olhar para aquele rosto que a mergulhava em pesadelos recorrentes, e ela não conseguia parar de tremer.
Na vida passada, foi quase nesta mesma época que ele a encontrou e, da mesma forma, extorquiu dinheiro dela em público.
Naquela época, Lucas não hesitou em ficar à sua frente para protegê-la.
Mas desta vez, ninguém podia protegê-la.
Os repórteres correram em sua direção, cercando-a completamente.
— Senhorita Clara, este velho senhor é realmente seu pai?
— É tudo verdade? Você realmente abandonou seu pai biológico por mais de uma década?
Ao mesmo tempo, o pai de Clara continuava a chorar e lamentar: — Ela me desprezava por ser pobre, por eu não ter classe. Assim que entrou na universidade, cortou relações comigo e nunca mais se importou comigo por tantos anos.
Clara olhou fixamente para o pai. As memórias das incontáveis agressões verbais e físicas que sofrera no passado e o horror de ter sido vendida para traficantes de pessoas surgiram como uma maré, engolindo-a.
Seu rosto foi ficando pálido e ela começou a ter dificuldade para respirar.
No final, só conseguiu deixar o local sob a escolta de seguranças que vieram ao saber do ocorrido.
Depois daquele dia, a opinião pública se intensificou rapidamente.
Na internet, "notícias bombásticas" foram sendo reveladas uma após a outra: fotos dela trabalhando como acompanhante em clubes aos dezesseis anos, boatos sobre estar envolvida com bandidos e sendo cercada por agiotas.
Apontaram até mesmo que ela era calculista, usando a depressão e ameaças de suicídio para manter Lucas ao seu lado apenas por causa do dinheiro dele.
De repente, uma enxurrada de insultos a atingiu.
Clara olhava para aqueles comentários e sentia seu corpo gelar.
Ela conhecia bem demais aquela sensação; era como as inúmeras vezes em que, após ser agredida, pedia ajuda a parentes, vizinhos ou professores, e ninguém acreditava nela.
Ainda a culpavam, dizendo que ela não era compreensiva ou que era uma filha sem juízo.
Ela era claramente a vítima, então por que, no final, era ela quem estava presa ao pelourinho da vergonha, como se fosse uma pecadora imperdoável?
Mais cruel ainda, ao sair de casa, ela foi cercada diretamente.
Um balde de tinta foi jogado sobre sua cabeça, deixando-a instantaneamente em um estado deplorável, da cabeça aos pés.
Um grupo de pessoas, que não se sabia de onde tinha vindo, começou a apontar para ela.
— Filha desnaturada, ingrata que abandonou o pai, trapaceira!
— E pensar que doamos dinheiro para aquela fundação... Será que você embolsou tudo?
Clara era empurrada, e na confusão, sua bolsa foi arrancada; o amuleto de proteção que sua mãe lhe deixara caiu para fora.
— Minhas coisas! — Clara avançou para pegá-lo.
Um par de sapatos de salto alto sofisticados foi mais rápido e pisou na corda vermelha do amuleto, chutando o objeto de prata para ainda mais longe.
Clara levantou a cabeça e encontrou o rosto cheio de escárnio de Beatriz.
As pessoas que a cercavam dispersaram-se instantaneamente, restando apenas as duas.
— Como a senhorita Clara se deixou ficar nesse estado lamentável?
O tom de Beatriz era desdenhoso.
Clara não queria confusão com ela; só queria recuperar o amuleto.
Beatriz, porém, foi mais rápida e pegou o objeto do chão, manipulando-o com desdém em suas mãos.
— Uma porcaria dessas vale a pena o seu cuidado? Será que foi o Lucas quem te deu de novo?
— Devolva-me! — Os olhos de Clara se arregalaram enquanto ela se lançava sobre Beatriz. — Aquilo pertence à minha mãe!
— Sua mãe? — Beatriz zombou com um olhar maldoso. — Você está falando daquela sua mãe de vida curta? Bem, faz sentido, é a cara das coisas que ela poderia te dar. Acho que sua mãe tinha um gosto péssimo por ter ficado com aquele seu pai escória, ter tido uma filha como você e ainda deixar para trás bugigangas sem valor, iguais a você.
Dizendo isso, ela levantou o pulso e jogou o amuleto contra o chão com força.
— Não! — Clara gritou ao se lançar na tentativa de segurá-lo, mas já era tarde.
Ela viu com seus próprios olhos o objeto atingir o chão duro, produzindo um som metálico. Um dos sinos que faziam parte dele soltou-se e rolou para longe.
Clara pegou o objeto com mãos trêmulas e, virando-se, desferiu com toda a sua força um tapa no rosto de Beatriz.
— Você se atreve a me bater!
Beatriz cobriu o rosto, arregalando os olhos em descrença.
Clara olhou para ela com fúria e levantou a mão novamente.
Antes que o golpe caísse, seu pulso foi interceptado no ar.
— Clara, o que você está fazendo!
Capítulo 6
Um grito de fúria ecoou perto do ouvido de Clara.
Lucas estava na frente de Beatriz, olhando para ela com o rosto lívido.
— Ela quebrou de propósito a relíquia da minha mãe, eu não deveria ter batido nela?!
Clara apontou com firmeza para Beatriz, com o olhar afiado como uma lâmina.
Lucas olhou para Beatriz, cujos olhos ficaram vermelhos instantaneamente.
— Não é isso, Lucas. Eu só vi a irmã Clara sendo cercada e quis ajudá-la. Não esperava que ela estivesse tão perturbada a ponto de me dar um tapa de repente...
— Você está mentindo!
Clara interrompeu com frieza e tentou avançar novamente, mas foi detida com força por Lucas.
— Chega! Clara, por causa de uma porcaria dessas, você ainda quer bater nos outros!
A voz de Lucas era gélida.
Clara ficou paralisada, olhando para ele em descrença.
O amuleto era a única relíquia que sua mãe lhe deixara.
Certa vez, quando foi quebrado e perdido enquanto ela era perseguida por agiotas, foi Lucas quem fez de tudo para ajudá-la a recuperá-lo e restaurá-lo.