Clara não se moveu, seu olhar fixo no rosto de Lucas.
— Já que me culpa tanto, por que se importou com a minha cirurgia? Por que ficou vigiando a sala de cirurgia a noite toda?
A expressão de Lucas claramente congelou por um momento, antes de ele disfarçar: — Eu só estava com medo de que, se você ficasse entre a vida e a morte, isso atrapalhasse o divórcio. Não pense demais.
— É mesmo?
Clara não recuou e deu um passo à frente.
— Lucas, me diga, há algo que você está escondendo de mim?
Lucas exibiu um sorriso sarcástico nos lábios e zombou com frieza: — Clara, você bateu com a cabeça no acidente e ficou com delírios, a ponto de pensar qualquer coisa?
Sem querer falar mais com ela, ele agarrou seu braço e a empurrou.
— Saia daqui, não atrapalhe o descanso de Beatriz.
Depois daquele dia, Clara permaneceu no hospital para se recuperar.
Não encontrou Lucas nem mais uma vez.
Até que, uma semana depois, recebeu uma ligação da atendente de sua loja de doces: — Patroa, não é bom. O senhor Lucas trouxe muita gente e disse que vai demolir a loja.
Clara sentiu um choque em todo o corpo e, sem se importar com seu estado físico, correu imediatamente do hospital.
Quando ela chegou, a loja de doces já estava em ruínas.
Os potes de doces que ela desenhou com tanto carinho estavam quebrados, e os estilhaços misturados aos doces estavam espalhados por todo o chão.
Lucas estava dando ordens aos operários para removerem os armários e a decoração.
— Parem! — Clara correu e bloqueou o caminho de Lucas. — O que você está fazendo?
Lucas olhou para ela sem expressão: — Beatriz gostou deste lugar e quer transformá-lo em um ateliê de pintura. Da última vez, você a feriu com seu acidente, então isto servirá como sua compensação.
— Por que logo aqui? Lucas, você sabe muito bem o que este lugar significa para mim.
Porque sua infância foi dolorosa demais.
Ter uma loja de doces sempre fora seu sonho.
Depois que ela e Lucas tiveram sucesso com seu empreendimento e ela escolheu sair da empresa, Lucas projetou pessoalmente esta loja de doces para presenteá-la.
Naquela época, ele a abraçava e prometia solenemente ao seu ouvido: "Clara, realizarei cada um dos seus sonhos."
Mas, hoje, quem construiu o sonho dela quer esmagá-lo com as próprias mãos.
— Se você não quer, assine aqui e eu posso poupar este lugar.
Lucas tirou um documento e o colocou diante dela.
Era o acordo de divórcio que ela já vira inúmeras vezes.
Então era isso; ele queria tanto se divorciar dela que não hesitou em usar isso para pressioná-la.
Clara cerrou os dedos com força e respirou fundo.
Quando levantou os olhos, havia uma quietude mortal em seu olhar.
— Não vou assinar. Se quer demolir, que seja.
De qualquer forma, depois que ela morresse, não faria sentido manter este lugar.
Mas, se ela assinasse, perderia totalmente o direito de permanecer ao lado dele.
Ela só queria usar este tempo roubado, que restava pouco, para vê-lo um pouco mais.
— Você! — Lucas explodiu de raiva, aproximando-se com um olhar sombrio. — Clara, eu já não amo você! Por que você se recusa a me deixar? Por que continua a me perseguir desse jeito, me dando nojo?
— Não me ama mais?
Clara zombou e, de repente, estendeu a mão para puxar a fina corrente em seu pescoço.
— Então me diga, se você não me ama mais, por que continua usando isso junto ao corpo?
Ela havia descoberto antes, por acaso, que o colar que Lucas sempre usava continha a aliança de casamento que ele tirara do dedo.
Lucas foi pego de surpresa. No momento em que o colar foi puxado, seu rosto ficou terrivelmente pálido.
— Eu apenas esqueci de jogar fora. Clara, pare de ser iludida!
Ele arrancou o colar e o jogou violentamente no chão.
Ao ver aquela atitude decisiva, o peito de Clara sentiu um aperto.
— Tudo bem, que bom esquecimento. — Ela sorriu com os olhos vermelhos, um sorriso mais triste que o choro. — Vou te dizer uma coisa, Lucas: eu nunca concordarei com o divórcio, nunca facilitarei as coisas para você e Beatriz. Enquanto eu estiver viva, você não vai se livrar de mim!
— Clara, você realmente acha que eu não seria capaz de fazer nada contra você?
Lucas, furioso, agarrou seu pulso.
Clara, subitamente, pegou uma faca utilitária sobre a mesa, colocou-a nas mãos dele e, segurando sua mão, apontou a ponta da lâmina diretamente para o próprio peito.
— Está bem! Então deixe-me ver o que mais você pode fazer comigo?
Com os olhos injetados de sangue, Clara disse com voz lancinante: — Você não disse que não me ama mais? Que não me odeia por te perseguir? Então me esfaqueie. Assim que você me esfaquear, eu acredito em você e nunca mais vou te incomodar.
Capítulo 4
No momento em que a ponta afiada da lâmina cortou a roupa, as pupilas de Lucas se contraíram bruscamente.
Ele tentou instintivamente empurrar Clara, mas, no esforço, ela o trouxe para mais perto, fazendo a ponta da faca penetrar mais fundo. O sangue tingiu instantaneamente uma grande mancha em seu peito.
Num relâmpago, Lucas não hesitou e estendeu a outra mão, agarrando diretamente a lâmina.
O sangue escorreu pelos seus dedos.
Acompanhando seu rugido:
— Clara, você enlouqueceu?!
— Sim, eu enlouqueci! Prefiro estar louca a ver onde chegamos. — Clara ergueu a cabeça, as lágrimas escorrendo em grandes gotas. — Lucas, se você me pressionar mais, eu vou morrer na sua frente. Eu cumpro o que digo.
Lucas olhou para ela fixamente, com o peito subindo e descendo violentamente.
Ele cerrou os punhos com força e, no final, não disse nada.
Empurrou Clara bruscamente e virou-se para sair.
Depois daquele dia, talvez realmente com medo de que ela fizesse algo extremo, Lucas nunca mais mencionou o divórcio e consentiu que ela continuasse a morar na mansão.
Mas ele nunca mais disse uma palavra a ela, ignorando-a como se ela fosse ar.
Até que, no jantar de aniversário da empresa, ela foi forçada por Beatriz a comparecer.
No salão de festas, quando Lucas a viu, sua expressão escureceu imediatamente.
— Quem a convidou?
— Fui eu quem convidou a irmã Clara. — Beatriz segurava o braço de Clara de forma afetuosa. — Afinal de contas, a irmã Clara também é uma das fundadoras da empresa; ela deve ter seu lugar no jantar de aniversário.
Lucas apertou os lábios, lançou um olhar frio a Clara e, sem dizer nada, levou Beatriz para cumprimentar os convidados.
Assim que se afastaram, algumas socialites rodearam Clara, seus olhares caindo sobre ela com malícia.
— A senhorita Clara é realmente admirável. Você realmente continua ao lado do senhor Lucas como uma amante?
— É verdade. Já vi gente sem vergonha, mas nunca vi uma esposa original tão descarada que aceita ser a "outra".
Clara não quis dar-lhes atenção e virou-se para sair, mas foi agarrada.
— Senhorita Clara, por que seu colar é exatamente igual ao da senhorita Beatriz? Aquele da senhorita Beatriz foi um presente do senhor Lucas, é único. O seu não seria uma falsificação?
— Realmente, como a dona, não tem classe alguma.
Enquanto falavam, uma delas agiu diretamente, puxando com força o colar de Clara.
— Devolva-me! — exigiu Clara com firmeza.
A pessoa à sua frente zombou, jogou o colar no chão e pisou nele com força.
Clara empurrou-as bruscamente e correu para pegar o colar.
Mas foi empurrada com força e caiu no chão.
— O que vocês estão fazendo aqui?
Nesse momento, Beatriz voltou, e as que queriam dificultar a vida de Clara se dispersaram.
— Senhorita Clara, está bem?
Beatriz fingiu querer ajudá-la a levantar.
Clara encontrou seu olhar e notou o colar em seu pescoço.
Era, de fato, idêntico ao dela.
Mas o dela fora desenhado pessoalmente por Lucas, algo único no mundo.
E, hoje, ele podia dar algo assim a outra pessoa.
Beatriz sentiu o olhar dela e um sorriso desenhou-se nos cantos de sua boca.
Ela mudou de expressão instantaneamente: — Viu só? Clara, agora eu sou a namorada pública do Lucas, e, aos olhos de todos, você é apenas a ex-esposa insistente que não desiste de persegui-lo. Então, mesmo que usemos o mesmo colar, os outros apenas pensarão que o seu é falso.
Ela se aproximou um pouco mais e sussurrou com deboche ao seu ouvido: — Ele já não te ama mais; não importa o quanto você lute, que sentido isso faz?
Clara apertou o colar com força, a corrente de metal machucando sua palma.
Mas isso não era nada comparado à dor surda em seu peito.
— Nós ainda não nos divorciamos. — Ela levantou o olhar e encarou Beatriz, com um brilho frio nos olhos. — Enquanto eu não assinar o acordo de divórcio, legalmente ainda sou a esposa dele, e você é a verdadeira usurpadora sem título.