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《O Amor que Ela Nunca Ouviu》Capítulo 10

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Cada golpe da bengala de madeira maciça era dado com firmeza, atingindo pesadamente o corpo de Marcelo, mas era como se estivesse chicoteando sua própria alma.

Não se sabe quantos golpes foram, mas, quando o tio arquejava e erguia a bengala novamente, seu corpo cedeu e ele desabou.

“Tio!”

Marcelo levantou-se em pânico e segurou o tio que caía.

Só então ele percebeu que as têmporas do tio estavam brancas e sua testa estava coberta de rugas.

Suportando a dor no corpo, ele carregou o tio no elevador e o enviou para a ambulância que a secretária havia chamado.

Após as portas da sala de cirurgia se fecharem.

Ele sentou-se sozinho no hospital, tremendo, o coração cheio de vergonha, confusão e vazio.

Desde que ela se foi, tudo o que pertencia a ele parecia estar despencando, sem que nada de bom acontecesse.

“Zzz... Zzz...”

O celular continuava a vibrar.

Marcelo olhou para o aparelho com apatia; era uma chamada dela.

Ele atendeu, mas permaneceu em silêncio. No passado, quando ela ligava, ele sentia uma alegria incontrolável, mas agora, seu coração estava estranhamente calmo.

“Marcelo, por que você não responde às mensagens nem atende o telefone? Estou brava!”

A voz dela ainda soava mimada como sempre, mas Marcelo não sentiu nada.

“Estou ocupado. Peça ao meu primo para te acompanhar.”

A expressão dela mudou, e o tom de voz tornou-se insatisfeito.

“Você realmente quer que eu chame outra pessoa? Não tem medo de que eu te ignore?”

Marcelo respondeu com indiferença: “Se não há mais nada, vou desligar.”

Ela entrou em pânico e gritou: “Marcelo? Marcelo!”

“Tu... tu... tu...”

O camarote estava silencioso. Algumas pessoas olhavam divertidas para a expressão péssima da mulher e fingiam não entender, tentando agradá-la.

“O príncipe herdeiro está muito ocupado nestes dias, podemos entender.”

“É só não atender o telefone, por que não aprende comigo? Eu já estou com outro homem, você não gosta?”

“Ah, ela já tem o príncipe, para que outro?”

“Pois é, afinal, Marcelo não pode estar ocupado correndo atrás da ex que foi embora, não é?”

Essas pessoas zombavam dela aberta ou sutilmente. Ela não conseguiu mais ficar e fingiu ir ao banheiro.

No banheiro, ela enviou uma mensagem para o primo de Marcelo, mas recebeu a mesma resposta de que ele estava ocupado, o que a fez chutar a lixeira com força.

“Ah!”

Bolos de papel sujo com um cheiro estranho espalharam-se por cima dela. Furiosa, ela foi embora direto.

Ao entrar no carro, o motorista aguentou por muito tempo antes de abrir uma janela secretamente.

Ele não ousou olhar para a expressão pálida dela.

“Bip, bip.”

Ela abriu o celular e viu pessoas nas redes sociais comentando a situação, falando abertamente sobre ela.

Seu rosto mudava de cor, sentindo que algo que ela controlava estava escapando gradualmente.

Desde quando Marcelo deixou de se importar com ela?

Capítulo 19

No corredor do pronto-socorro do hospital, as luzes eram fracas e o ar estava impregnado com o cheiro de desinfetante.

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Marcelo estava sentado sozinho em um banco, acariciando a tela do celular, onde se via uma fotografia antiga e amarelada.

Na foto, o jovem tio e a tia estavam abraçados, segurando um menino com expressão teimosa; era Marcelo na infância.

Desde pequeno, após o falecimento de seu pai, sua mãe não se importava com ele, deixando-o aos cuidados do irmão.

Como o tio e a tia não podiam ter filhos, a tia cuidava dele muito bem, tratando-o como um filho.

Foi então que ele entendeu que nem todos os pais eram tão irresponsáveis quanto os seus.

Ele testemunhou o profundo afeto entre o tio e a tia; eles se amavam e se apoiavam mutuamente nas dificuldades.

O grupo empresarial da família não era tão grande desde o início, mas, com o esforço conjunto do tio e da mãe de Marcelo, eles aproveitaram as oportunidades das novas indústrias na corrente da época, conquistando gradualmente seu espaço no mercado, o que fez o negócio prosperar e crescer.

A personalidade de Marcelo era naturalmente rebelde, e ele nunca queria ouvir seus ensinamentos.

Sentindo que não pertencia àquela casa, ele costumava fugir, apenas para ser expulso pela mãe biológica, que não se importava com ele e só pensava em se divertir fora.

Na infância, ele imitava a mãe, escapando tarde da noite para correr de carro com amigos e festejar até o amanhecer.

Parecia que esse era o modo correto de viver; a vida deveria ser tão despreocupada quanto a da mãe, e não regrada como a tia dizia.

Quando o tio descobria, ele era extremamente rigoroso.

Cada retorno para casa trazia punições pelas regras da família, mas tais experiências só o tornavam mais rebelde.

Marcelo acreditava que seus pensamentos eram antiquados e que eles não entendiam o verdadeiro significado do amor.

Embora a família organizasse um jantar semanal, era apenas uma formalidade, pois eles viviam ocupados com o trabalho e raramente voltavam para casa.

No ensino fundamental, ele chegava a passar meio ano sem voltar para casa, recusando-se até a atender às ligações da tia.

Ele só sabia fugir.

No dia da formatura do ensino fundamental, enquanto ele e os amigos se preparavam no aeroporto para a viagem de formatura, o celular de Marcelo tocou; era uma ligação do tio.

A voz do tio, geralmente imponente, revelava uma velhice sem precedentes.

“Volte para ver sua tia, ela não vai durar muito”.

O cérebro de Marcelo foi como atingido por um martelo; toda a sua razão desmoronou instantaneamente.

Ele correu para casa como um louco, indo direto para o lado da cama da tia, encontrando-a esquelética e incapaz de falar claramente.

A tia estava doente, e ele só soube disso em seus momentos finais.

No fim, a tia nem teve tempo de dizer uma palavra a ele; ela apenas o olhou com o último suspiro de força e partiu para sempre.

Eles tiveram uma briga terrível.

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Marcelo odiava a si mesmo profundamente e ressentia o tio por não ter contado a verdade mais cedo.

Eles ficaram cinco anos sem contato.

Nesses cinco anos, Marcelo viveu sem objetivo, sem direção e em total confusão.

A única companhia ao seu lado era uma garota chamada Julia.

Julia era viva e arrogante, ousando ignorar o status de príncipe herdeiro de Marcelo na frente de todos.

Marcelo sorria ao vê-la e decidia provocá-la.

Onde Julia estivesse, Marcelo aparecia; se alguém a provocasse, ele tomava as dores.

Gradualmente, as pessoas do círculo social começaram a zombar de Marcelo por ser o "cachorrinho" de Julia, mas ele não se importava.

No entanto, após as festas terminarem, ele continuava a sentir um vazio noturno insuportável.

Até o dia em que Marcelo descobriu, por acidente, que Julia gostava de seu primo.

Uma mulher chamada Bianca era a noiva do primo, e Julia não tinha como substituir Bianca para se casar com ele.

Marcelo, protegendo Julia por tantos anos, tinha o hábito de limpar os obstáculos para ela.

"É apenas uma mulher", pensou, "o que poderia ser difícil?".

Ao obter os dados de Bianca, a primeira coisa que viu foi uma foto dela cuidando de flores com concentração.

Embora a imagem estivesse borrada, podia-se perceber, por seus cílios densos e temperamento gentil, que ela era uma pessoa muito pura.

Isso o fez lembrar da imagem da tia em sua memória.

Marcelo aceitou a tarefa rapidamente, decidindo se aproximar de Bianca.

Bianca gostava de frequentar parques e zoológicos, e Marcelo a seguia.

Ele confiava que, com seu status, Bianca viria falar com ele, especialmente porque as informações indicavam que o primo não gostava dela.

No entanto, Marcelo apareceu ao lado de Bianca várias vezes, até sentando no mesmo banco, mas ela nunca lhe dirigiu um olhar.

Rejeitando novamente uma garota que queria trocar contatos, ele observava aquela figura com perplexidade, sentindo a chama da competição ser acesa.

O que havia de tão interessante naquelas flores e plantas, ele, um homem de quase um metro e noventa, parado ali?.

Ela nem olhava para ele; essa mulher era realmente estranha!.

Capítulo 20

Durante meses seguidos, ele quase esqueceu a existência de Julia, como se ela nunca tivesse aparecido em sua vida.

Seus pensamentos eram ocupados diariamente por como se aproximar de Bianca, esforçando-se ao máximo sem sucesso.

Com o tempo, ele começou a se acostumar a esperar por ela, e seu coração inquieto acalmou-se.

Certo dia, uma borboleta pousou na ponta do dedo de Marcelo.

Ele paralisou, temendo que qualquer movimento espantasse a frágil criatura.

Era uma borboleta-folha, bela e delicada, limpando-se em seu dedo.

De repente, as palavras da tia vieram à sua mente; ele se lembrou de quando chorava por causa de uma ferida na infância e a tia o acalmava gentilmente.

"Marcelo, você ainda não cresceu, não sabe o que é bom ou ruim. Às vezes, aprender rápido demais ou ser inteligente demais leva a erros...".

O jovem Marcelo, enxugando as lágrimas, protestava, insistindo que era inteligente e fazia as coisas certas.

A tia suspirava impotente, acariciando sua cabeça: "Você é inteligente, mas impaciente. Só diminuindo o ritmo encontrará sua verdadeira felicidade".

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