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《O Amor que Ela Nunca Ouviu》Capítulo 9

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O conjunto "uma pessoa e uma gaivota" era atraente, mas Bianca, acostumada a ser alvo de risadas por parte daquele círculo social, não se importava, apenas aproveitando a sensação de integração com a natureza.

Não se sabe como, outra gaivota pousou em sua cabeça e também ficou.

Bianca ficou surpresa, mas não se sentiu desconfortável.

Um senhor local, ao ver a cena, deu um sorriso amigável.

“Garotinha popular! Cuidado para que esses bichinhos não sujem sua roupa e seu cabelo!”

Bianca riu e respondeu em voz alta:

“Tudo bem, não tem problema.”

Ela não se importava com a proximidade das gaivotas; pelo contrário, achava que era uma experiência rara.

Um viajante local, ao vê-la com as gaivotas, correu para perguntar se era algum projeto, pois também queria tirar uma foto com elas.

Bianca sorriu levemente e balançou a cabeça.

“Elas vieram por conta própria. Talvez você possa tentar atraí-las com batatas fritas.”

Ela sugeriu, desejando que ele também tivesse essa experiência sortuda.

O rapaz corou, murmurou algo e então perguntou:

“Além disso, bela moça, poderia trocar contatos comigo?”

Ele fez um pedido que pegou Bianca de surpresa.

Bianca hesitou e pediu desculpas, balançando as mãos: “Sinto muito…”

Ela não queria perturbar sua vida tranquila por um detalhe como aquele, nem desejava repetir erros.

O pôr do sol se aproximava.

A costa gradualmente se tingia de dourado e laranja, algo esplêndido.

Até o mar tornou-se um espelho gigante, refletindo as cores do céu, uma beleza de tirar o fôlego.

Com um bater de asas, as duas gaivotas voaram para longe, uma após a outra.

Bianca acenou para elas: “Obrigada pela companhia, adeus!”

Ela sentia uma gratidão imensa por aqueles pequenos seres.

O celular no bolso tocou, e ela atendeu prontamente a ligação da mãe, avisando onde estava.

“Mãe, já estou indo.”

Ela respondeu docemente, preparando-se para encerrar aquela aventura à beira-mar e retornar para junto dos pais.

Capítulo 17

“Olhe para suas roupas, você é igual ao seu pai; não pode sair de casa sem trazer várias coisas de volta.”

Após entrar no carro, a mãe balançou a cabeça, incapaz de suportar ver os excrementos de pássaro no casaco da filha; a cena a deixava um tanto impotente.

Bianca estava entre o riso e o choro, prestes a pegar um lenço umedecido para limpar, mas o casaco foi tomado pelo pai.

“Isso vai deixar manchas se você não fizer direito, deixe que eu cuido disso.”

“Isso contém ácido úrico, o papai vai te ensinar umas coisinhas interessantes…”

O pai usou primeiro uma pequena faca para raspar suavemente um lado da mancha e, em seguida, umedeceu com um pouco de vinagre de fruta, limpando cuidadosamente os vestígios brancos no casaco.

Bianca estava sentada ao lado, observando o pai com olhos cheios de admiração; cada movimento dele a deixava imensamente orgulhosa.

A mãe soltou um riso leve e notou o celular ao lado vibrando. Com um olhar frio, ela rejeitou a chamada de Marcelo e bloqueou o número.

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……

“Marcelo, quando você começou a gostar de mim?”

Uma rajada de vento soprou, confundindo a visão de Marcelo. Ele ficou em transe por um longo tempo antes de olhar aturdido para a figura de Bianca, cujas feições estavam borradas.

Uma mecha de cabelo balançava suavemente em seu rosto, prendendo firmemente o olhar dele.

Ele demorou a se lembrar de que aquilo tinha acontecido há sete anos.

Ele subiu ao palco, pegou a noiva que estava sozinha e, segurando sua mão, correu para fora do local do evento.

Bianca perguntou-lhe com os olhos vermelhos, cheios de incerteza.

“E por que você me escolheu?”

Ao voltar à realidade, Marcelo não sabia como responder, mas ouviu a si mesmo dizer: “Foi amor à primeira vista, Bianca.”

Bianca baixou os olhos e sorriu docilmente.

“Obrigada.”

Na mesma cena, o coração de Marcelo já não sentia a alegria de antes, mas sim um desamparo.

“Marcelo, olhe, ali está um senhorzinho.”

Bianca caminhou até lá com surpresa. Marcelo correu para alcançá-la, mas percebeu que, não importava o quanto tentasse, não conseguia alcançá-la; a silhueta dela ficava cada vez mais distante.

“Bianca, espere por mim!”

Marcelo entrou em pânico e, usando toda a sua força, finalmente agarrou o pulso de Bianca.

Sua expressão relaxou. “Bianca, por que você não me dá atenção…”

A sensação suave em sua mão desapareceu gradualmente, transformando-se em inúmeras pétalas de rosa que caíram no chão.

O coração de Marcelo estremeceu. Ele se virou para procurar a silhueta dela, mas não conseguiu encontrá-la; restaram apenas pétalas espalhadas por toda parte.

“Bianca!”

Marcelo acordou sobressaltado, suado e ofegante.

Seja em sonho ou na realidade, Bianca não estava ao seu lado.

Ele segurou a cabeça latejante, com uma aparência péssima.

“Zzz... Zzz...”

O celular na cabeceira vibrava. Marcelo atendeu imediatamente.

“Marcelo, o que você fez?!”

A repreensão impiedosa de seu tio soou do outro lado da linha, deixando Marcelo muito mais desperto.

“Venha aqui imediatamente, leia todos os documentos! Estou esperando você explicar bem como a empresa perdeu mais de 10 bilhões!”

As pupilas de Marcelo se contraíram. Ele se levantou, lavou o rosto e desceu as escadas.

O mordomo já o esperava lá embaixo e, vendo que ele nem tomou café da manhã, apressou-se a segui-lo para dirigir.

Marcelo abriu o celular, pausou por um momento na interface de mensagens de Bianca e, em seguida, abriu os arquivos enviados pelo secretário.

Quanto mais lia, mais assustado ficava: em uma única noite, mais de 10 bilhões em ações da família foram revendidas a preços baixos.

Foi exatamente o investimento retirado pela consultoria de gestão global de alto nível que colaborava com eles. Descartar uma quantia tão gigantesca de capital como se fosse uma piada era algo insano!

Marcelo apressou-se a contatar a secretária-geral da empresa intermediária.

Ela atendeu rápido e disse de forma protocolar: “Olá, Sr. Marcelo, o que deseja?”

Marcelo não tinha intenção de rodear o assunto e perguntou diretamente: “Houve algum mal-entendido com sua empresa?”

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A secretária-geral pegou as instruções deixadas pelo presidente e disse palavra por palavra:

“Sr. Marcelo, nossa presidente, a Srta. Bianca, deixou apenas uma frase.”

A Srta. Bianca?

O coração de Marcelo deu um salto ao ouvi-la falar em chinês:

“Minha filha não é alguém que você possa intimidar como quiser. Cuide-se.”

Capítulo 18

A expressão de Marcelo tornou-se repentinamente sombria. Antes que ele pudesse perguntar mais, a ligação do outro lado já havia sido encerrada.

Ninguém nunca o humilhou assim.

Nunca ninguém ousou desrespeitá-lo tanto a ponto de desligar o telefone na sua cara.

Com o rosto fechado, ele pediu à sua secretária uma ficha de informações.

Ao abrir a primeira página e ver o nome da gerente geral interina, sentiu um choque.

No entanto, ao virar a segunda página e ver o rosto do responsável, ele congelou, incapaz de se mover.

O documento dizia claramente: Presidente responsável da empresa — o pai de Bianca.

Uma onda de choque inexplicável surgiu no coração de Marcelo. Aquele não era o pai dela?

Suas têmporas começaram a pulsar violentamente. Ele jogou o arquivo no chão, ficando pálido.

O nome da empresa significava, na verdade, o nome que ela carregava.

Ele se lembrou de que, depois que se casou com ela, a família dele se tornou o primeiro grupo investido por uma empresa global de topo, e as ações dispararam 500% da noite para o dia.

Os pais dela sempre foram muito discretos; a única vez que agiram de forma chamativa foi com o presente de noivado, que valia 1,1 bilhão em itens preciosos.

Sete anos se passaram, e quase todos se esqueceram disso, inclusive o próprio Marcelo.

Ele pegou o telefone, tentando entrar em contato com os pais dela, mas ninguém atendia do outro lado.

Uma sensação de impotência sem precedentes tomou conta dele.

Marcelo largou o celular, massageou a testa e caiu em silêncio.

No escritório do 60º andar do grupo empresarial.

Assim que Marcelo saiu do elevador privativo, foi atingido na testa por um enfeite de jade.

O secretário ao lado ficou tão assustado que fingiu não ter visto nada.

“O que é isso que está acontecendo?!”

O olhar do tio era assustadoramente sombrio. O que poderia ser pior do que acordar e descobrir que seu principal investidor havia retirado todo o capital sem aviso prévio?

Isso quase destruiu a família e quase os levou à falência.

As veias nas costas das mãos de Marcelo saltaram. Ele se esforçou para controlar suas emoções antes de falar: “O grupo é da família dela. Ela foi embora, e eles também foram.”

O tio hesitou por um momento, compreendendo o quão ridículo aquilo era.

Seu olhar afiado varreu a aparência desolada do sobrinho; ele pegou a bengala e, enquanto caminhava em direção a Marcelo, mandou o secretário sair.

“Ajoelhe-se!”

Marcelo fechou os olhos e caiu de joelhos diante do tio.

O tio ergueu a bengala e atingiu Marcelo com força, os olhos cheios de decepção.

“A primeira pancada é para você saber que fez algo errado; a segunda é porque esqueceu os princípios da família, quem você desposa, você deve ser responsável; a terceira é para te ensinar que você não tem consciência nem responsabilidade…”

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