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《O Amor que Ela Nunca Ouviu》Capítulo 7

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Mas, mas…

Por quê?

A figura que ocupava sua mente não era Júlia.

Não era Júlia, que adorava falar com voz manhosa, sempre o arrastando para beber e usando meias de seda para roçar em suas pernas.

Era alguém que preferia prender os cabelos longos e sentar-se silenciosamente durante toda a tarde.

Como uma boba, girando o dia todo em torno daquelas flores e plantas.

Mesmo no tempo livre, ela não sabia fazer amigos; mesmo quando era xingada, não ouvia, apenas exibia aquele sorriso gentil.

Bianca…

Marcelo caminhava lentamente para a frente.

Antes, se uma única mancha de sujeira caísse em sua roupa, ele, como príncipe, descartaria a peça sem hesitar.

Mas agora, coberto de chuva e lama, ele caminhava em direção à multidão sem se importar.

Bianca…

Ele caminhava contra o fluxo de pessoas; quanto mais se aproximava, mais alto soava o som das sirenes.

Quando Marcelo viu aquele táxi dividido ao meio, embora estivesse irreconhecível de tão danificado.

Aquelas cores distintas eram, sem dúvida, as do carro em que Bianca entrou, conforme vira nas câmeras de segurança.

Perto dali, dois pedaços de lona azul, chocantes e gritantes, estavam estendidos no chão.

Capítulo 13

“Como isso pôde acontecer? Marido?! Abra os olhos e olhe para mim…”

Alguns familiares já haviam chegado ao local apressadamente, ajoelhados no chão em um estado de descontrole emocional, chorando e chamando o nome dele, com uma dor dilacerante.

Ela gritava repetidamente, na esperança de obter uma resposta de alguém que já havia partido.

Marcelo estava parado ao lado, seu cérebro de repente sentiu uma tontura, quase perdendo o equilíbrio.

O som das sirenes, os lamentos, o estalar das chamas consumindo o carro e as ordens dos funcionários.

Esses sons se entrelaçavam, compondo uma partitura terrível.

Pedaços de geada fria o envolviam; a última gota de esperança foi congelada, restando apenas um vazio infinito.

“Senhor? Não é permitido entrar aqui…”

Um policial, ao vê-lo tentar entrar, falou rapidamente.

Marcelo empurrou o policial e caminhou para dentro com uma expressão inexpressiva.

“Não o impeça, deve ser um familiar.”

Outro capitão olhou para aquele homem sujo, encharcado, com os olhos fixos em um vazio apático, e não pôde deixar de suspirar.

“Mais uma família destruída. Este é um cenário que ninguém quer ver”, murmurou para si mesmo.

O peito de Marcelo doía tanto que ele mal conseguia respirar.

Ele olhou para a lona azul estendida no chão; o contorno delineado ali parecia realmente ser ela…

Marcelo aproximou-se da lona, seus joelhos cederam e ele caiu no chão, incapaz de dizer uma frase completa.

“Bianca…”

Sua voz tremia, carregada de desespero.

A realidade cruel, como uma lâmina longa e afiada, cortava seu peito repetidamente, forçando-o a encarar a verdade sangrenta.

“Não pode ser você, não é…”

O corpo de um metro e oitenta e cinco de Marcelo tremia levemente naquele momento.

De costas para todos, seus olhos ficaram vermelhos silenciosamente, mas ele se esforçava para não deixar as lágrimas caírem, com medo de perturbar algo.

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“Como você pode ir embora? Eu ainda não permiti que você fosse… Eu ainda queria te vigiar ao meu lado por toda a vida, pelo menos até eu me cansar de você, só então você poderia ir embora, Bianca?”

Marcelo falava de forma desconexa, dizendo coisas que só ele conseguia entender.

Seus ouvidos zumbiam, parecendo quebrados, e o mundo em seus olhos tornara-se um lugar silencioso.

“Bianca, Bianca… Bianca!”

Ele chamava o nome dela repetidamente.

“Levante-se e olhe para mim!”

Enquanto ele rosnava baixo.

De repente, ele sentiu um gosto salgado e paralisou.

Ele estava chorando?

A risada de Marcelo era profunda e trêmula, uma risada tão estranha, enquanto as lágrimas continuavam a cair.

Ele relembrou a última vez que viu Bianca.

Ele a agrediu.

Naquela época, sabendo que Bianca tinha acabado de sofrer um aborto, sabendo que a festa de noivado era no topo da colina da mansão.

Queria puni-la porque ela machucou Júlia, e a deixou voltar para casa sozinha de propósito.

Que coisas absurdas ele estava fazendo, Marcelo?

O sabor de um arrependimento sem precedentes mergulhou Marcelo em um pântano, como se tivesse enlouquecido.

Vinte e oito anos de uma vida sem obstáculos finalmente o fizeram cair com força.

Cair a ponto de quebrar a cabeça e quebrar a alma para finalmente despertar.

Se ele realmente não tivesse nenhum sentimento por Bianca, como poderia sorrir inconscientemente ao vê-la?

Como poderia ser sempre tão cauteloso ao mencionar Júlia, com medo de que Bianca descobrisse?

E como poderia sentir um momento de paz e relaxamento apenas quando a abraçava pela cintura?

Do que ele tinha medo, do que ele se preocupava, o que ele temia enfrentar…

Um trovão explodiu no céu, como se tivesse perfurado o fundo de seu coração.

Ele estava com medo, medo de ter realmente se apaixonado por Bianca.

Capítulo 14

“B…”

Marcelo emitiu um som aspirado tentando chamar o nome dela, mas foi sufocado por emoções avassaladoras que lhe travaram a garganta.

Ele só conseguia conter desesperadamente a respiração, tentando sufocar o colapso interno, sem conseguir esconder os vestígios da dor.

“A limpeza aqui está quase terminada, familiares, por favor, afastem-se. Por causa da ordem do trânsito, peço que deem licença.”

Os funcionários empurraram Marcelo para o lado, preparando-se para levá-la embora.

O coração de Marcelo estremeceu violentamente, e ele os seguiu desolado.

De repente, ele viu a lona azul ser levantada pelo vento em um dos cantos, revelando um par de calças jeans azul-escuras.

Marcelo arregalou os olhos, sua respiração acelerou.

Ele lembrava que Bianca nunca usava esse tipo de calça.

Será que…

Ele aproximou-se dela cambaleando, prendendo a respiração, estendeu a mão para tocar o canto da lona e a puxou com força.

A silhueta dela surgiu diante dele; naquele momento, seu mundo pareceu parar.

Toda a força de Marcelo dissipou-se em um instante, e toda a esperança inundou seu ser.

Não era ela, não era Bianca!

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Marcelo ajoelhou-se no chão cobrindo os olhos; o alívio na tensão acumulada fez seu corpo todo tremer. Toda a gratidão e a dor explodiram naquele momento, como uma tempestade incontrolável, dilacerando sua alma.

Ele respirava com dificuldade, com um sorriso de insanidade no rosto, entre a tristeza e a alegria, algo assustadoramente terrível.

Recuperou o movimento das pernas e começou a caminhar de volta, mas as emoções em seu coração, longe de diminuírem, aumentaram.

Depois que o turbilhão de sentimentos se acalmou, o que restou foi a inquietação.

Ele queria ver Bianca, queria ouvir a voz dela, queria dizer a ela:

Desculpe.

E também: eu amo você.

Mansão da Colina.

Ninguém esperava por ele em casa, e ninguém deixava luzes acesas para ele.

Marcelo, segurando a tensão, lavou-se e sentou-se no banquinho onde Bianca costumava ficar, esperando por notícias do mordomo.

Olhava fixamente para os novos vasos de flores que ele mesmo mandara colocar, sentindo pontadas de dor no coração.

Estavam dispostos da mesma forma de antes, no mesmo cômodo, mas por que a sensação que aquilo lhe trazia era tão diferente?

Marcelo levantou-se e entrou no quarto, olhando ao redor com um ar perdido, sem encontrar a foto do casamento que ficava na cabeceira da cama.

Foi então que compreendeu subitamente que fora jogada fora por Bianca, assim como todas as suas roupas.

Marcelo impediu tudo o que pôde.

Quanto à doação para as crianças carentes, ele adicionou 300 milhões à quantia.

Ele sabia que Bianca era uma boa pessoa, mas não esperava que, mesmo tendo perdido seu próprio filho, ela ainda pensasse naqueles que precisavam.

E ele… só sabia como feri-la.

Marcelo deitou-se do lado da cama onde Bianca costumava dormir, absorvendo o aroma floral residual, como se ela ainda estivesse ali.

Noites sem sono, cercado por pesadelos.

E a 10.700 quilômetros da cidade A, Aeroporto Internacional de Sydney.

Após 14 horas de viagem, Bianca finalmente desembarcou.

Ela carregava sua pequena mala; o sono profundo fizera seu espírito melhorar muito.

Dirigiu-se ao balcão de informações para comprar um cartão SIM local para o celular.

Foi então que Bianca conseguiu entrar em contato com a mãe.

“Mãe, cheguei.”

Logo ao falar, ela não conseguiu evitar o nó na garganta.

A voz alegre da mãe era clara mesmo através do telefone, e ela disse com ternura: “A viagem foi cansativa, Bianca. A mamãe arranjou um carro, está na saída T1A. Quando vir o carro, tire uma foto e me confirme antes de entrar.”

“Está bem.”

Bianca secou o canto dos olhos e, em pouco mais de dez minutos, encontrou o terminal.

Diferente do calor do verão no país, o inverno em Sydney trazia temperaturas de um dígito.

Assim que saiu do interior, uma rajada de vento frio fez Bianca estremecer.

Felizmente, não havia muitas pessoas naquele dia da semana, e ela logo encontrou o pequeno carro com fundo preto e letras brancas, com a inscrição “EuroStyle” (Estilo Europeu).

Após confirmar com a mãe, Bianca partiu em direção ao Hospital Real do Príncipe Alaric.

O motorista era muito simpático e até fez uma piada.

Disse que não sabia como, mas uma letra de sua placa havia caído, e toda vez que ele ia para a rua, as pessoas levantavam os polegares elogiando-o. Ele ficou feliz por muito tempo até descobrir que a placa tinha virado “uroStyle” (Estilo Fralda).

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