Até hoje, essa obra premiada com o primeiro lugar permanece no hall de entrada da exposição, disponível para a admiração de todos.
Desde então, Marcelo decidiu cuidar de Bianca com muito mais atenção.
Ela era tão boba e teimosa; se ele não a observasse constantemente, como garantiria que ela se cuidasse bem?
Ele até sacrificou seu próprio casamento, jurando守 (proteger/ficar ao lado) Bianca pela vida toda; como ela poderia simplesmente ir embora assim?!
Inúmeras emoções complexas perturbavam seu julgamento; em seu coração, havia apenas um pensamento: chegar ao aeroporto o mais rápido possível.
Embora a razão lhe dissesse que, mesmo chegando com algumas horas de atraso, Bianca provavelmente já teria embarcado e partido.
Ainda assim, Marcelo nutria uma esperança: e se ela estivesse fazendo birra no aeroporto, esperando que ele fosse buscá-la para voltar para casa?
“Bip, bip, bip.”
O coração de Marcelo disparou; ele atendeu imediatamente: “Onde você está?”
Do outro lado da linha, Júlia hesitou e perguntou com tom de dúvida.
“Estou em casa, Marcelo?”
Marcelo ficou em silêncio de repente; a alegria que surgira em seu coração apagou-se instantaneamente.
Em seu lugar, surgiu uma decepção indescritível.
Marcelo sentiu-se subitamente perdido, sem conseguir ouvir direito o que Júlia continuava a dizer ao telefone.
Ele estava decepcionado?
Decepcionado porque quem ligava não era Bianca?
Marcelo levou a mão ao cabelo comprido, puxando-o até que cobrisse as sobrancelhas, enquanto a voz do outro lado continuava a falar.
Ele sentia que a voz de Júlia, falando sem parar, era extremamente irritante.
“… Marcelo, por que você não me responde?”
Júlia fingiu estar zangada, esperando triunfante que o homem ficasse em pânico, como sempre, e a bajulasse pedindo perdão.
“Tenho assuntos a tratar, vá procurar Dante primeiro.”
Após dizer isso, Marcelo desligou o telefone sem qualquer hesitação.
Ele até esqueceu que correr para confortar Júlia era a coisa que ele mais fazia.
Júlia tremia de raiva, mas sentia um certo pavor diante da mudança de Marcelo.
Ela atirou o celular para o lado com força, decidida a ignorar Marcelo por enquanto.
Todas as vezes que ela fazia isso, Marcelo voltava imediatamente para bajulá-la e implorar pelo seu perdão.
No entanto, do outro lado, Marcelo já não se importava com os sentimentos de Júlia.
Ele abria repetidamente a janela de conversa com Bianca, mas não recebia nenhuma resposta na tela.
Era como se ela realmente o tivesse abandonado.
Capítulo 11
Marcelo ainda tentava conter suas emoções, sufocando a ansiedade e o desassossego enquanto corria para o aeroporto.
Faltavam dez quilômetros para chegar ao destino.
Os veículos à frente reduziram a velocidade repentinamente, forçando-o a frear também.
Ele acreditou, a princípio, que fosse apenas um congestionamento momentâneo, mas acabou ficando parado no mesmo lugar.
Marcelo, que já estava irritado e inquieto, ficou ainda mais perturbado.
Ele afrouxou a gravata e não parava de olhar as horas.
A chuva intensificava-se, golpeando o para-brisa com um som desordenado.
O tempo passava minuto a minuto, e em mais de dez minutos o carro não se moveu um centímetro.
Marcelo pegou o telefone para pedir ajuda.
“Envie pessoas imediatamente para revistar o aeroporto. Assim que descobrirem o voo dela, me avisem.”
Após desligar, ele desferiu um soco violento no volante.
Abaixou o vidro para ouvir o som da chuva; talvez por causa do excesso de problemas nos últimos tempos, um vício em cigarro há muito esquecido voltou a atacá-lo.
Ele não fumava há sete anos.
No início, para se aproximar de Bianca, ele abandonou o vício, bebia pouco e se esforçava para encenar o papel de um amante perfeito.
Marcelo soltou um suspiro pesado, tirou de um compartimento o maço de cigarros de sete anos atrás, levou-o aos lábios e preparou-se para acendê-lo.
De repente, o gesto parou.
Como se esperasse que alguém aparecesse para impedi-lo.
Ele deu um sorriso de escárnio, acendeu o cigarro e deu uma tragada profunda.
O gosto amargo da fumaça rapidamente preencheu suas narinas; envolto na névoa, suas feições frias ficaram parcialmente ocultas.
A chuva torrencial molhava o vidro do carro e também encharcava metade de seu ombro.
Uma mistura complexa de emoções fervilhava em seu peito.
Ele nunca pensou que Bianca fosse descobrir, e também não tinha a intenção de contar.
Mas jamais imaginou que ela pudesse ouvir.
Então, naquele dia no bar, ela ouviu tudo?
A imagem de Bianca chorando surgiu em sua mente, com um semblante de profunda decepção...
Marcelo ficou imóvel por muito tempo, só despertando quando a ponta do cigarro queimou seus dedos.
Ele soltou um estalo de língua carregado de frustração, com os olhos nublados por uma sombra sombria.
Mesmo que tudo aquilo fosse culpa dele, ele não permitiria que Bianca o deixasse.
Nem pensar!
“Ei, motorista, por que o trânsito está parado ali na frente?”
Alguém colocou a cabeça para fora para perguntar, e a pessoa que voltava da frente suspirou.
“Houve um acidente grave. Um táxi capotou no meio da estrada e bloqueou toda a passagem.”
O movimento de Marcelo ao fechar o vidro travou.
Um medo sem nome subiu por sua espinha.
Embora não quisesse pensar nisso, ele temia que pudesse ser ela.
A suspeita perturbadora pairava como um abutre sobrevoando o céu, com olhos frios fixos nele.
Um mal-estar indescritível se espalhava desesperadamente, como uma onda avassaladora.
Uma sensação de sufocamento terrível travou sua voz; ele, o príncipe da elite da capital, não tinha coragem de perguntar.
Sua respiração tornou-se curta, e seu olhar fixou-se involuntariamente nas horas.
A razão dizia que o carro dela não poderia ter se envolvido em um acidente àquela hora.
Mas ele não conseguia controlar seus pensamentos.
Será que ela não atendeu ao telefone porque algo aconteceu?
Discou novamente, murmurando:
“Atenda, Bianca, por favor, atenda...”
As conversas lá fora e o som da chuva se misturavam, criando uma névoa, como um sonho.
“Ouvi dizer que o estrago ali foi feio. Aquela estrada leva ao aeroporto, está parada há horas!”
“A cena é trágica, o carro partiu-se ao meio. As equipes de resgate ainda estão trabalhando intensamente.”
“Pelo que parece, só havia duas pessoas, o motorista e uma passageira...”
Capítulo 12
O coração de Marcelo contraiu-se violentamente, e um calafrio percorreu todo o seu corpo.
“Desculpe, o número discado não atende no momento...”
O tom mecânico do telefone o fez lembrar da voz do motorista no telefonema anterior.
“Final da placa 1952, boa noite. O destino é o aeroporto, correto?”
A ação foi mais rápida que o sentimento.
Quando ele se deu conta, a chuva fria encharcava seu rosto, escorrendo para dentro de sua gola.
Marcelo não conseguia distinguir se era a chuva ou outra coisa; seu coração estava tão frio que parecia ter parado de bater.
A chuva caía como granizo; em seus ouvidos, restavam apenas o uivo do vento e sua respiração ofegante.
Ninguém sabia o quão caóticos estavam os pensamentos de Marcelo naquele momento.
Ele não se atrevia a imaginar, caso fosse realmente ela.
Nesta noite de tempestade, Bianca sozinha, presa sob as ferragens... o quão aterrorizada ela estaria... o quão indefesa.
O quanto ela estaria sofrendo...
Um raio cortou o céu denso de nuvens.
A claridade momentânea iluminou a estrada à frente e revelou seus olhos injetados de sangue.
Marcelo finalmente viu o que estava adiante.
Viaturas de polícia e ambulâncias bloqueavam completamente o cruzamento; ele entrou em pânico.
Frio; talvez devido à velocidade da corrida, ele havia perdido a temperatura normal.
Dor; talvez por causa da dificuldade em respirar, sentia pontadas nos pulmões.
Era um trecho tão curto.
Mas parecia tão longo, sem fim.
Foi a primeira vez, desde que nasceu, que Marcelo sentiu-se tão desolado, com a razão obliterada pela ansiedade e pelo pânico.
Ele não pensou em nada.
Havia apenas um pensamento: encontrar Bianca.
Ele queria gritar o nome dela, ver seus olhos claros e brilhantes.
Queria vê-la virar-se surpresa, chamando seu nome com alegria: “Marcelo”.
Ele não queria ver aquele corpo pequeno e gentil, gravado em sua memória, tornar-se frio e silencioso.
Tudo aconteceu rápido demais; não era para ter terminado assim, era?
De repente.
Seus pés tropeçaram em algo.
Marcelo caiu desajeitado no chão lamacento, seu sobretudo caríssimo sujo de terra; onde estava a postura de um príncipe da elite?
Ele ficou estatelado no chão por um longo tempo, depois soltou uma risada sarcástica.
Por que estava tão desesperado?
Afinal, ela era apenas uma surda.
Se não fosse tão teimosa ao insistir em partir, como teria chegado a esse fim?
Ele claramente não a amava; tudo aquilo era uma encenação.
Marcelo dobrou os joelhos e levantou-se trêmulo, olhando para a direção onde as luzes vermelhas e azuis piscavam na chuva, com os olhos ardendo de dor.
A pessoa que ele realmente amava, do início ao fim, deveria ser Júlia, não era?
Seus dedos se fecharam em punhos; as dúvidas em seu coração, as perguntas, eram apenas a razão tentando se autoproteger.
Acalme-se, Marcelo.
Você ama Júlia, casar-se com Bianca foi apenas para usá-la.
Você é um príncipe da elite, não aja como um palhaço.
Pare de pensar nela, pare de pensar em Bianca!