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《A Vingança Sem Gritar》Parte 7

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A mensagem desconhecida continuava na tela do celular de Ana Beatriz Oliveira.

"Você não é a única herdeira."

Por alguns segundos, o mundo pareceu ficar em silêncio.

Ana já tinha enfrentado humilhações.

Já tinha enfrentado pessoas tentando apagar sua história.

Já tinha enfrentado Marcelo Vasconcelos.

Mas aquela frase era diferente.

Porque não era uma ameaça.

Era uma dúvida.

Uma dúvida sobre sua própria identidade.

Gabriel Vasconcelos observava a expressão dela.

Ele percebeu que aquela mensagem tinha atingido um ponto que nem mesmo os ataques de Marcelo conseguiram alcançar.

"Você sabe quem poderia ter enviado isso?"

Ana colocou o celular sobre a mesa.

"Não."

Ela respirou fundo.

"Mas alguém quer que eu descubra alguma coisa."

Gabriel pegou o aparelho e analisou o número.

"Foi enviado de um telefone descartável."

Ana ficou olhando para os documentos do pai.

A frase escrita por Antônio Oliveira continuava em sua mente.

"Você não está sozinha nessa herança."

Durante dez anos, ela acreditou conhecer toda a história.

Acreditou que era a única pessoa que tinha sido prejudicada pela traição da família.

Mas agora existia uma possibilidade que mudava tudo.

Enquanto isso, do outro lado de São Paulo, Marcelo Vasconcelos acompanhava cada movimento.

Ele sabia que a mensagem tinha chegado.

E sabia exatamente qual seria o efeito.

Em seu escritório na Avenida Paulista, ele recebeu uma ligação.

"Ela recebeu?"

A voz do outro lado respondeu:

"Sim."

Marcelo sorriu.

"Então agora começa a verdadeira disputa."

O homem perguntou:

"E se ela descobrir tudo?"

Marcelo olhou pela janela.

"Ela já descobriu uma parte."

Ele fez uma pausa.

"Mas ainda não sabe a verdade inteira."

Na manhã seguinte, uma notícia inesperada tomou conta dos principais veículos de comunicação do Brasil.

Uma jovem mulher havia aparecido com documentos afirmando possuir direitos sobre a Oliveira Holding.

O nome dela era Isabela Oliveira.

As manchetes começaram a aparecer.

"Nova herdeira da Oliveira Holding surge com documentos exclusivos."

"Oliveira Holding tem duas herdeiras?"

A notícia se espalhou rapidamente.

Investidores ficaram preocupados.

Funcionários começaram a fazer perguntas.

O mercado financeiro, que recentemente tinha comemorado o retorno de Ana, agora estava cheio de dúvidas.

Na sede da Oliveira Holding, os executivos acompanhavam as notícias.

Alguns olhavam para Ana esperando uma reação.

Mas ela permanecia em silêncio.

Gabriel entrou na sala com novos documentos.

"Ela marcou uma coletiva para hoje à tarde."

Ana levantou os olhos.

"Quem é ela?"

Gabriel colocou uma pasta sobre a mesa.

"Isabela Oliveira."

Ana abriu os documentos.

A primeira página mostrava informações básicas.

Nascimento.

Registros familiares.

Documentos antigos.

Mas algo chamou sua atenção.

O sobrenome.

Oliveira.

O mesmo sobrenome da sua família.

"Isso pode ser falso."

Gabriel respondeu:

"Pode."

Ele fez uma pausa.

"Mas os documentos parecem muito bem preparados."

Ana fechou a pasta.

"Marcelo."

Gabriel concordou.

"Também pensei nisso."

A possibilidade de Marcelo estar por trás daquilo era clara.

Mas havia algo que incomodava Ana.

Ele não faria uma mentira simples.

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Ele criaria algo que parecesse verdadeiro.

Naquela tarde, todos os jornalistas estavam reunidos em frente ao local da coletiva.

Quando Isabela apareceu, as câmeras começaram a fotografar.

Ela tinha uma aparência elegante.

Não parecia uma pessoa buscando fama.

Parecia alguém que realmente acreditava naquilo que dizia.

Ela se posicionou diante dos jornalistas.

"Eu sei que muitas pessoas estão perguntando quem eu sou."

Ela respirou fundo.

"Meu nome é Isabela Oliveira."

As câmeras se aproximaram.

"Minha família foi afastada da história da Oliveira Holding."

Um jornalista perguntou:

"Você está dizendo que é herdeira da empresa?"

Isabela respondeu:

"Sim."

O salão ficou cheio de murmúrios.

Ela continuou:

"Durante anos, documentos foram escondidos. Minha existência foi apagada de registros importantes."

Os jornalistas começaram a fazer perguntas ao mesmo tempo.

"Você tem provas?"

"Qual é sua relação com Antônio Oliveira?"

Isabela abriu uma pasta.

Retirou alguns documentos.

"Esses documentos mostram minha ligação com a família Oliveira."

A notícia explodiu.

Poucas horas depois, os canais de televisão transmitiam a coletiva.

Na sede da empresa, Ana assistia tudo em silêncio.

Ela observava cada palavra.

Cada detalhe.

Ela não parecia com raiva.

Parecia tentando entender.

Gabriel perguntou:

"Você acredita nela?"

Ana demorou para responder.

"Eu não sei."

Era a primeira vez em muito tempo que ela admitia não ter uma resposta.

Porque durante anos ela tinha construído sua vida baseada em uma certeza.

Ela era a herdeira.

Ela era a filha reconhecida.

Ela era a pessoa que carregava o legado do pai.

Mas agora alguém aparecia dizendo que aquela história estava incompleta.

Nos dias seguintes, o mercado entrou em caos.

Alguns investidores começaram a questionar a liderança de Ana.

Reuniões foram canceladas.

Analistas começaram a publicar opiniões.

"A disputa pela herança Oliveira pode mudar o futuro da empresa."

Victoria Albuquerque acompanhava tudo de casa.

Pela primeira vez em semanas, ela sentiu uma pequena esperança.

Ela ligou para uma amiga.

"Você viu as notícias?"

A mulher respondeu:

"Sim."

Victoria sorriu.

"Talvez finalmente ela descubra que não é tão poderosa quanto pensa."

Mas Rodrigo, que estava próximo, ouviu.

Ele não parecia feliz.

"Victoria, cuidado."

Ela olhou para ele.

"Por quê?"

Rodrigo respondeu:

"Porque uma guerra entre pessoas poderosas nunca termina sem destruir alguém."

Enquanto todos discutiam quem era a verdadeira herdeira, Ana voltou aos arquivos antigos da família.

Ela passou horas analisando documentos.

Fotos.

Registros.

Tudo que pudesse explicar aquela situação.

Até que encontrou algo estranho.

Uma fotografia antiga.

Nela estava seu pai, Antônio Oliveira.

Ao lado dele havia uma mulher jovem.

E nos braços dela havia um bebê.

Ana ficou parada.

Ela nunca tinha visto aquela imagem.

No verso da fotografia havia uma data.

A mesma época em que ela nasceu.

Gabriel olhou para a foto.

"Você conhece essa mulher?"

Ana balançou a cabeça.

"Não."

Mas seu coração dizia que aquela imagem escondia algo importante.

Naquela noite, Isabela Oliveira apareceu pessoalmente na sede da empresa.

Os funcionários ficaram surpresos.

Ela pediu para falar com Ana.

Quando as duas ficaram frente a frente, o silêncio foi pesado.

Duas mulheres.

O mesmo sobrenome.

Duas histórias que pareciam impossíveis.

Isabela foi a primeira a falar.

"Eu não vim tirar nada de você."

Ana respondeu:

"Então por que está aqui?"

Isabela olhou nos olhos dela.

"Porque eu também fui enganada."

A frase surpreendeu Ana.

Antes que pudesse perguntar mais, Isabela entregou um envelope.

"Isso estava guardado há anos."

Ana abriu.

Dentro havia documentos médicos antigos.

Registros de nascimento.

E uma solicitação de exame genético.

Gabriel pegou os papéis rapidamente.

Seu rosto mudou.

"Isso é um teste de DNA."

Ana olhou para Isabela.

"Por quê?"

Isabela respondeu:

"Porque alguém precisa descobrir a verdade."

Alguns dias depois, o resultado chegou.

Toda a diretoria da Oliveira Holding estava reunida.

O laboratório enviou o documento oficial.

Gabriel abriu lentamente.

Todos esperavam.

Ana segurava a respiração.

Então ele leu.

"O resultado indica compatibilidade genética de 99,9%."

O silêncio tomou conta da sala.

Ana olhou para Isabela.

Depois para o documento.

Se Isabela realmente era ligada à família Oliveira...

Se aquele DNA confirmava a existência de outra herdeira...

Então toda a história que ela conhecia poderia estar errada.

Ana deu um passo para trás.

Sua voz saiu baixa.

"Então quem sou eu?"

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