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《Destinos Cruzados》Capítulo 9

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A respiração familiar ecoou ao seu lado.

Era um aroma tão conhecido, gravado profundamente em sua alma.

Logo em seguida, um beijo suave, através da venda preta, pousou gentilmente em seu olho esquerdo.

Naquele instante, ela quase chorou.

Suas mãos, presas pela seda, agarraram instintivamente a mão quente do homem: "Thiago, Thiago... não faça isso..."

Sua voz chorosa não obteve piedade do homem.

Quando acordou novamente, ela ainda estava amarrada à cama.

Apenas, desta vez, apenas seu olho direito, o único que enxergava, estava vendado.

Capítulo 18

Quando Isabela acordou, sua consciência ainda estava nublada, mas ela percebeu agudamente que alguém removia sua prótese ocular esquerda com extremo cuidado.

O movimento era leve, como uma brisa soprando sobre pétalas de flores.

Logo após, ouviu-se um leve som de água, e a prótese foi recolocada no lugar com muita ternura.

Ela piscou algumas vezes, sem estar acostumada.

Em seguida, uma respiração quente se aproximou, e lábios macios tocaram suas pálpebras, primeiro sugando suavemente e depois lambendo-as devagar.

Ela tremeu involuntariamente, sentindo uma sensação estranha, como se sua alma estivesse sendo sugada.

"Thiago, você pode me soltar?"

Ela ainda não conseguia ver nada.

Mas, sabendo que era ele ao seu lado, ela não sentia mais tanto pânico.

Thiago a ignorou, mantendo-se em silêncio.

Ela pensou um pouco e falou novamente:

"Thiago, estou um pouco com fome..."

Pouco tempo depois, alguém afrouxou um pouco as faixas que a prendiam, com a força perfeita para permitir que ela se sentasse na cama.

Uma colher com comida morna foi trazida até sua boca.

Ela abriu a boca e comeu.

Em seguida, um canudo foi colocado, trazendo a sensação gelada de sua bebida favorita, Coca-Cola.

Após comer, a pessoa limpou suas mãos com uma toalha e não houve mais movimento.

O silêncio voltou a reinar.

Apoiada na cabeceira, sua razão retornou aos poucos.

Depois de algum tempo, ela perguntou suavemente: "Thiago, o quanto você sabe?"

Ela sabia que o fingimento de sua morte havia sido descoberto e que ele a encontrara.

Isso significava que ele já sabia, em parte, o que havia acontecido com sua família.

O que ela não sabia era o quanto ele realmente tinha descoberto.

Thiago permaneceu em silêncio, como uma montanha solitária na noite.

Ela sentiu alguém se sentar na beira da cama.

Logo, foi abraçada suavemente, com uma proximidade que lembrava o abraço a um travesseiro valioso.

Isabela também silenciou; naquele clima tranquilo, as memórias do passado invadiram sua mente.

Na cama de madeira do apartamento alugado, numa tarde ensolarada, ele abraçava sua cintura, dormindo com a cabeça em seu colo, enquanto ela lia um livro.

O perfume do sol, acompanhado pelo som suave das páginas virando, formava uma memória extremamente calorosa.

Ela balançou as mãos, que estavam um pouco doloridas por estarem amarradas, e falou novamente em voz baixa:

"Minhas mãos doem por estarem amarradas, pode me soltar?"

Mal ela terminou de falar, seu pulso foi massageado.

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Em seguida, a fita foi solta, e ela massageou seus pulsos inchados.

No segundo seguinte, ela removeu a venda.

A visão diante de seus olhos a fez arregalar os olhos; o quarto estava envolto em penumbra, impossibilitando distinguir se era dia ou noite.

Sem saber onde estava nem que horas eram.

A única fonte de luz era um abajur de cabeceira com luz fraca, cobrindo tudo ao redor com uma neblina.

E o que a deixou ainda mais chocada foi o local onde estava deitada: dentro de uma gaiola de ouro no meio do quarto, onde havia uma grande cama branca.

Thiago, vestindo um roupão de banho preto, sentava-se casualmente ao lado dela, com o colarinho aberto, revelando seu peito firme. Seus olhos estavam fixos nela, com um brilho sombrio e indecifrável.

Ela abriu a boca, sem saber o que dizer.

O ambiente mergulhou em um silêncio mortal, como se o tempo tivesse parado naquele instante.

Muito tempo depois, Thiago finalmente falou, com a voz baixa e contida:

"Se eu não tivesse descoberto, você pretendia esconder isso de mim para sempre, não é?"

◇ Capítulo 19

Esta frase foi como uma pedrinha afiada arremessada de repente no lago da alma de Isabela, que já estava estagnado como um abismo. Em um instante, mil camadas de ondas se ergueram, deixando-a com a alma trêmula.

Ela virou o rosto.

"Este assunto, desde o princípio, não deveria ter envolvido você, já não tinha nada a ver com você..."

As palavras ainda giravam no ar quando ela foi forçosamente pressionada contra a cama por uma força bruta. Thiago a observava de cima, com um olhar onde a raiva e o carinho se entrelaçavam, como duas chamas que se devoravam: "Nada a ver? O globo ocular que está no seu olho esquerdo agora habita o meu corpo; você ainda tem coragem de dizer que o seu assunto não tem nada a ver comigo?"

Os lábios de Isabela tremeram de forma incontrolável.

Ela ergueu a mão, com a ponta dos dedos carregando um peso de mil quilos de culpa, acariciando suas sobrancelhas e olhos belos:

"Isso é o que eu devo a você."

Sua voz oscilava, carregada de uma culpa e uma dor inomináveis: "Naquele dia da perseguição de carros, você deve ter sentido muita, muita dor."

Só Deus sabe que, no momento em que soube que ele havia ferido os olhos, o pânico e o arrependimento a submergiram como uma maré.

Se ela não tivesse o perseguido, nada disso teria acontecido.

Ela lhe devia um olho, então usou seu próprio olho esquerdo para pagar a dívida.

"O olho dói muito."

Ele disse.

Ele segurou a mão dela, colocando-a lentamente sobre o próprio peito, fitando-a com intensidade:

"Mas essa dor não chega a ser um décimo milésimo da dor no coração."

Isabela baixou a cabeça, como uma criança que cometeu um erro terrível. A culpa era como um grilhão que a impedia de encará-lo nos olhos.

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Mesmo que ela tivesse compensado sua deficiência física com seu próprio olho, que preço poderia pagar pela dor dilacerante que ele suportou naquela época?

Sob a palma de sua mão, o coração jovem e ardente batia, demonstrando uma vitalidade imensa.

Mas ela, sentindo como se tivesse sido queimada, tentou afastar a mão.

A mão dela foi pressionada com firmeza por ele contra aquele lugar, sentindo, a cada segundo, o impacto do batimento cardíaco dele.

"Você não tem nada a me dizer?" ele perguntou.

Uma lágrima escorreu do canto de seus olhos, caindo sobre o lençol cinza e formando instantaneamente uma mancha úmida.

"Sinto muito." Ela soluçou, incapaz de dizer outra coisa que não fosse isso: "Sinto muito."

"Sinto muito pelo quê?" ele beijou as lágrimas em seu rosto e perguntou suavemente.

"Sinto muito por ter deixado você passar por tanta dor, por ter sofrido tantas coisas ruins..."

Antes que terminasse a frase, seus lábios foram suavemente pressionados por dedos longos.

"Não, não é disso que você deve se desculpar."

No quarto silencioso, a voz dele era de uma ternura inacreditável: "O seu erro foi não ter me contado tudo isso desde o início."

Isabela balançou a cabeça, tremendo.

"Não, você nunca deveria ter sabido de tudo isso." Ela o empurrou: "Finja que eu realmente morri, finja que você não sabe de nada, está bem?"

Thiago cerrou os punhos por um instante: "Depois de tudo o que aconteceu, você ainda me diz uma coisa dessas?!"

Isabela mordeu os lábios, e as lágrimas caíam como pérolas de um colar rompido: "Eu fiz isso pelo seu bem, não queria que você fosse arrastado por esses problemas."

"Pelo meu bem?" Thiago deu um riso amargo. "Você acha que esconder isso de mim é pelo meu bem? Você me privou do direito de enfrentar tudo ao seu lado; isso é o mais cruel de tudo."

O quarto estava impregnado por um silêncio sufocante, onde apenas o som da respiração apressada de ambos se entrelaçava.

A mente de Isabela estava um caos.

Enquanto isso, Thiago a observava, o coração cheio de raiva e desamparo.

Ele não compreendia como ela pôde suportar tudo sozinha e empurrá-lo para longe.

Depois de um longo tempo, Thiago falou lentamente, com um tom de exaustão: "Não deixarei você ir embora assim. Aconteça o que acontecer, enfrentaremos tudo juntos."

Os olhos de Isabela demonstravam pânico: "Não... não, você não pode fazer isso."

Ela lutou, sua voz já carregada de choro: "Thiago, você já alcançou o sucesso, tem um futuro brilhante pela frente. Não se meta nisso... deixe-me ir, finja que nunca me viu..."

Diante de sua resistência, Thiago exibiu um sorriso levemente gélido.

Ele agarrou o tornozelo dela e, com uma corrente de ouro, prendeu-a à gaiola dourada.

A corrente tinha cerca de 8 metros de comprimento, o suficiente para que ela se movesse livremente no quarto, mas limitava sua saída do subsolo.

"O que você está fazendo!" Ela segurou a corrente, lutando enquanto o metal tinia: "Com que direito você me prende aqui? Isso é ilegal... você..."

Thiago riu.

"Ilegal?" Ele segurou o queixo fino dela, examinando-a de cima: "Isabela, você esqueceu? Legalmente falando, você já é uma pessoa morta."

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