Porém, antes que pudesse ultrapassar o cordão de isolamento, foi interceptado: "Isto é um incêndio, pessoas não autorizadas devem se afastar!"
"Esta é minha casa! Minha esposa pode estar lá dentro!"
Ele tentou forçar a entrada, com o rosto transtornado.
Entretanto, bombeiros o imobilizaram pelos ombros, segurando-o à força.
Nesse momento, a casa emitiu um estrondo ensurdecedor.
Thiago ergueu a cabeça e viu toda a mansão desmoronar em um instante.
O fogo subiu alto com o vento, e uma onda de calor se espalhou.
"Rápido, façam uma barreira de isolamento, não deixem o vento alimentar o fogo, senão a rua inteira queimará!"
Mais caminhões de bombeiros chegaram à rua.
Thiago foi arrastado e algemado a um dos caminhões.
"Último aviso! Não tente entrar no incêndio! Você não está salvando ninguém, só está atrapalhando nosso trabalho!"
Thiago viu impotente a mansão pela qual se sacrificou se transformar em ruínas.
Instantaneamente, inúmeras memórias o inundaram como uma maré.
Quando namoravam, ele e Isabela costumavam caminhar pelo jardim das redondezas.
Ela costumava sentar-se no balanço de glicínias e dizer: "Seria bom se pudéssemos morar aqui, em uma casinha, com um balanço; no verão, beberíamos chá no pátio e veríamos as estrelas."
Após enriquecer, ele comprou e reformou a casa.
Inúmeras vezes, sonhou em morar ali com ela.
Agora, aquele lugar, que carregava tantas lembranças e esforços, fora destruído pelo fogo.
Thiago não dormiu a noite toda, ligando inúmeras vezes até a bateria acabar.
Olhando para a tela preta, ele rezava em silêncio:
"Isabela, por favor, não esteja na mansão. Vá para qualquer lugar, tenha feito qualquer coisa, mas não fique aí..."
Porém, o destino não foi misericordioso.
Sob as ruínas, um corpo feminino carbonizado foi encontrado.
Thiago olhou apenas uma vez, suas pernas fraquejaram e ele perdeu toda a esperança.
Ajoelhou-se no chão, com os lábios trêmulos: "Isa..."
...
Enquanto isso, Isabela estava no porto de Jiangcheng, embarcando em um navio de carga.
Seu superior lhe entregou novos documentos e a instruiu:
"Isabela, esta missão é extremamente perigosa, tenha muito cuidado."
Ela assentiu e aceitou os documentos.
O navio deixou o porto em direção ao horizonte.
Ela ficou na proa, observando a cidade diminuir, e murmurou para si mesma:
"Thiago, desta vez, é um adeus de verdade. Adeus. Nunca mais nos veremos."
◇ Capítulo 12
Oito da manhã na Baía Galaxy.
Camila estava deitada no sofá de couro, vestindo um pijama de seda rosa.
Ela abriu a adega, abriu lentamente uma garrafa de Romanée-Conti e a serviu em uma taça.
O criado preparou um café da manhã requintado, observando em silêncio a garrafa de vinho que custava cento e trinta mil, sentindo-se um tanto atônito.
"Devo preparar o café da manhã para o senhor?" perguntou o criado.
Essa pergunta foi como o estopim que incendiou toda a raiva acumulada de Camila.
Ela se levantou abruptamente e jogou a taça de vinho no chão, espalhando cacos de vidro para todos os lados.
"O que você quer dizer? Está me humilhando? Ele não voltou ontem à noite, você está cego que não viu?"
Ela se aproximou do criado, com os olhos queimando em fúria.
Memórias surgiram. Ontem deveria ter sido uma noite romântica com Thiago.
Ela se limpou cuidadosamente no banheiro, vestiu uma camisola nova e usou o perfume que ele havia dado a Isabela.
Ela jurou substituir Isabela e ocupar um lugar no coração dele.
Porém, quando saiu do banheiro, tudo o que a esperava era o quarto vazio.
Lá embaixo, o som de um carro esportivo quebrou o silêncio; ela gritou por ele, mas ele não a ouviu.
Ao retornar à mansão, o olhar estranho dos criados a fez sentir uma humilhação profunda.
Ela podia ouvir os pensamentos zombeteiros deles:
[Mais uma esposa para exibição; ela achava mesmo que tinha a sorte de virar rainha?]
[Essa esposa não é diferente da anterior...]
Isabela não se importava com o olhar dos outros, pois nunca fora Thiago quem a tratava com frieza, mas sim o contrário.
Porém, para Camila, essa humilhação invisível era insuportável.
O desprezo de Thiago e os olhares dos criados faziam seu coração doer.
Após uma noite de reflexão, a bomba explodiu.
Ela agarrou o cabelo do criado e o empurrou violentamente.
O criado caiu, mas não ousou reagir.
Camila chutou-o várias vezes, descarregando sua ira:
"Quem você pensa que é! Como ousa zombar de mim! Eu sou a Sra. Thiago agora, e você tem coragem de me encarar assim?"
O criado se encolheu de dor.
Camila, cansada, ficou de mãos na cintura arfando, enquanto o mordomo aproveitava para levar o criado embora...
Nesse momento, um movimento foi ouvido na entrada.
Camila sentiu o coração disparar.
Ela rapidamente disfarçou sua fúria e voltou a parecer frágil.
"Thiago, por que você não voltou a noite toda?"
Ela caminhou até ele, querendo abraçá-lo e reclamar de suas mágoas.
"Os criados estão falando mal de mim, dizendo que sou apenas uma peça de decoração..."
Entretanto, desta vez, Thiago não respondeu.
Seu corpo estava rígido, como uma barreira invisível que a impedia de chegar perto.
"Por que você está tão sujo de cinzas? Vá tomar um banho?"
Ela não ousou perguntar onde ele esteve.
Mas Thiago agarrou o pulso dela com força.
"Devagar... dói..."
Ele a arrastou sem piedade para perto da janela.
O sol da manhã incidia sobre eles.
Camila levantou a outra mão para proteger os olhos.
Thiago apertou o queixo dela, observando-a contra a luz do sol.
Sob a luz quente, sua voz soou sinistra:
"Camila, seu olho esquerdo é realmente uma prótese?"
Camila sentiu um arrepio.
E então o ouviu dizer: "Se é uma prótese, então pode ser removida também, certo?"
◇ Capítulo 13
Camila sentiu arrepios subindo pela pele, um por um.
Ela se encolheu instintivamente.
Seu olho esquerdo, obviamente, não havia sido doado; ela apenas usava uma lente de contato para cobri-lo.
Usando aquela lente de contato específica, ela realmente não conseguia enxergar do olho esquerdo, parecendo uma prótese ocular muito bem feita.
Ela deixara a franja longa e de lado de propósito, para cobrir o olho esquerdo.
Thiago nunca a observara com atenção, então também não descobrira sua mentira.
Além disso, ela conhecia todos os detalhes da doação do globo ocular feita por Isabela e assumira a história para si, por isso, durante todo esse tempo, não fora desmascarada.
Mas o que ela não esperava era que Thiago perguntasse sobre isso justo naquele momento.
Seu único olho que enxergava estava cheio de pânico e medo, fixo em Thiago.
O olhar dele era como o de uma cobra venenosa encarando sua presa; aquela frieza sombria era aterrorizante.
Camila forçou os cantos dos lábios, tentando esboçar um sorriso calmo: "Claro... é possível, sim..."
Thiago de repente estendeu a mão, uma mão que parecia carregar o frio do inferno, indo direto na direção dela:
"Então removê-la também é possível, certo?"
As palmas das mãos de Camila estavam cobertas de um suor frio e pegajoso, e suas costas já estavam encharcadas.
Ela forçou um sorriso, mas sua voz tremeu incontrolavelmente: "Eu não quero que você me veja tão feia assim."
"Seu olho esquerdo foi doado para mim, como eu poderia achá-lo feio?" No rosto bonito de Thiago, havia um sorriso que parecia gentil, mas transbordava uma frieza infinita.
Seus dedos tocaram levemente o olho esquerdo dela, e o toque foi como o de uma lâmina fria: "Você é minha salvadora. Eu posso até te dar um casamento, por que me importaria se você ficaria feia ou não depois de tirar a prótese?"
Dizendo isso, seu polegar pressionou levemente...
"Ah!"
Camila tremeu de dor.
Foi uma dor aguda que penetrou até os ossos; sem conseguir mais manter o disfarce, ela empurrou Thiago bruscamente.
Thiago, porém, como uma fera enlouquecida, agarrou-a pelos cabelos, erguendo-a com violência: "Não é uma prótese? Por que não sai?"
A essa altura, por mais tola que Camila fosse, ela entendia que a mentira cuidadosamente tecida já havia sido desmascarada.
Em um instante, seu coração foi consumido pelo medo e pelo pânico.
Ela cobriu o olho esquerdo com as duas mãos, que doía como se fosse explodir: "Foi aquela desgraçada da Isabela que te contou, não foi? Ela prometeu que não te contaria! Ela prometeu que te deixaria para mim!"
Thiago cerrou os punhos, as veias saltando em seus antebraços, como se reprimisse uma fúria sem fim:
"Camila, quem te deu confiança para achar que eu posso ser tratado como um presente, sendo passado de uma para a outra por vocês?"
"Quem você pensa que é?"
Ele a empurrou com força, e Camila voou para trás incontrolavelmente, batendo pesadamente contra a mesa alta no canto da parede.
Ouviu-se apenas um estrondo forte; o vaso de porcelana azul e branca que valia milhões cambaleou algumas vezes e caiu implacavelmente no chão, espatifando-se em inúmeros pedaços.
Aquele som nítido de quebra parecia uma zombaria cruel do destino, estilhaçando em um instante o belo sonho do qual Camila não queria acordar durante todos esses dias.
Ela se ajoelhou no chão, olhando para Thiago com os olhos marejados.