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《Destinos Cruzados》Capítulo 4

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Os dois estavam sentados no sofá da sala; embora tivessem sido os amantes mais íntimos, agora estavam tão distantes quanto estranhos.

Thiago tirou uma pilha grossa de contratos e, junto com um cheque, empurrou-os em direção a ela.

"Este é o acordo de divórcio. Assine."

Isabela folheou o documento casualmente e, ao ler as cláusulas, sentiu um aperto doloroso no coração.

Se ela estivesse mesmo interessada apenas em dinheiro, deveria estar pulando de alegria agora.

Ele lhe deixara centenas de milhões em dinheiro, diversos imóveis e o fundo educacional que havia sido planejado para o filho.

Ela olhou para o acordo e usou todas as suas forças para não deixar as lágrimas caírem.

Forçando uma expressão de ganância, ela pegou a caneta ao lado, assinou seu nome rapidamente e disse, sorridente:

"Não imaginava que o senhor fosse tão generoso. Se eu soubesse, teria me divorciado antes para pegar o dinheiro e viver livre por aí."

Thiago a observava sem expressão.

O sorriso de Isabela tornava-se cada vez mais rígido.

Justo quando ela não conseguia mais manter a farsa e estava prestes a dizer algo cruel, Thiago falou:

"Já que assinou, devolva aquela coisa."

"Que coisa?"

"Está escrito no acordo."

O olhar dela seguiu o dele até o anel de diamante simples e discreto em seu dedo anelar.

Era um diamante pequeno, de apenas 0,3 quilates, montado em um aro de ouro 18K. Para o Thiago bilionário de hoje, era algo insignificante, como um grão de poeira.

No entanto, aquele foi o anel que ele lhe dera em seu primeiro pedido de casamento, aos vinte e dois anos.

Naquela noite, ela aceitara o anel com desprezo e, rindo, jogou-o no chão: "Você tem coragem de pedir alguém em casamento com um anel tão barato? Que ridículo."

O anel rolou pelo chão e caiu no bueiro.

Ela destruiu as flores dele, jogou fora seu anel e foi embora com arrogância.

Thiago a perseguiu por muito tempo e, ao não conseguir alcançá-la, voltou ao local do pedido.

Naquele dia, vestindo uma camisa branca, ele se agachou diante do bueiro, esticando o braço para resgatar o anel, que já estava coberto de sujeira.

Ele o limpou com a manga da camisa e chorou copiosamente sob o luar.

A semente do ódio brotou em seu coração; quanto ele a amara antes, tanto a odiaria depois.

Mas o que ele não sabia era que, não muito longe dali, Isabela observava tudo da esquina de um prédio.

Ela mordia o dorso da mão com força, enquanto lágrimas grossas caíam.

Naquela noite de verão, seu coração sentira como se estivesse sendo retalhado.

Depois que ele prosperou, ele a pediu em casamento novamente, jogando-lhe um anel de dez quilates como se fosse esmola.

Ela fingiu estar radiante, embora sentisse apenas remorso.

Na noite em que registraram o casamento, ele a prendeu na cama, segurou suas mãos e colocou à força aquele mesmo anel que ela jogara no esgoto.

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Ele a advertiu ao pé do ouvido:

"Use este anel e cuide bem dele. Enquanto este casamento durar, você vai usá-lo."

Naquele momento, o coração de Isabela, que parecia ter sido retirado de um buraco de gelo e colocado em água morna, pareceu ganhar vida novamente.

Três anos se passaram, e Isabela nunca retirara aquele anel.

E agora, ele estendia a mão para ela, dizendo palavra por palavra:

"Devolva-me o anel de noivado."

Isabela forçou um riso:

"Você não vai ser tão mesquinho a ponto de querer o anel de volta, vai?"

Thiago a observou em silêncio.

Isabela ainda tentava despistá-lo: "Está bem, vou buscar no quarto..."

Dito isso, ela se virou para pegar o grande diamante de dez quilates.

Contudo, Thiago a segurou novamente.

Ele apontou para o anel no dedo anelar dela:

"Quero este que está na sua mão agora, exatamente este."

Isabela cerrou a mão instantaneamente.

Ela não queria dar a ele.

Talvez aquele anel fosse barato, mas, em seu coração, ele tinha um peso incomparável, muito mais precioso do que o suposto anel de dez quilates.

Se nada daquilo tivesse acontecido, naquela noite ela deveria ter usado o anel, aceitado o pedido com alegria e envelhecido ao lado dele.

Mas, agora, ela já perdera a possibilidade de ser feliz.

Ela só queria guardar aquele anel.

Se sua investigação falhasse e ela sofresse o mesmo destino trágico da mãe, aquele anel seria enterrado junto com suas cinzas.

Como forma de se consolar e de ter algo a que se apegar.

"O quê? Não quer dar?" Os olhos de Thiago pareciam brilhar.

Ele reprimiu o tremor em seu coração e disse em voz baixa:

"Se você não quiser se separar de mim, eu ainda posso te perdoar..."

Mesmo que ela o tivesse abandonado sem hesitação, mesmo que tivesse matado o filho deles de forma cruel e fria, se ela estivesse disposta a admitir o erro, se estivesse disposta a se curvar a ele, ele daria a ela outra chance...

O coração de Isabela deu um salto.

Ela olhou nos olhos dele.

Sob o sol, aquele olho que antes pertencia a ela a encarava fixamente.

Ela repuxou os lábios com frieza, arrancou o anel do dedo anelar e o jogou aos pés dele com indiferença:

"Pensei que você quisesse aquele caro, eu nem queria dar esse."

"Se você quer esse item barato, leve embora. Eu não aguentava mais usá-lo mesmo."

Ao vê-la agir de forma quase despudorada, Thiago ficou pálido de raiva.

Seu olhar era como uma lâmina, ele desejava retalhar a pessoa à sua frente para que ela sentisse a mesma dor que ele carregava no peito:

"Isabela, você é alguém que não merece amor."

Ele recolheu o anel do chão, seus dedos longos cerrados em punho.

"Nos vemos no cartório amanhã."

Às nove horas da manhã seguinte, os dois receberam a certidão de divórcio.

O mesmo livreto vermelho, as mesmas duas pessoas, mas desta vez, o encontro significava uma despedida eterna.

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Thiago pegou a certidão e entrou no carro sem olhar para trás.

Isabela ficou onde estava, vendo-o partir.

Nesse momento, seu telefone tocou.

"Isabela, tudo está pronto. Em três dias, seguiremos o plano."

Capítulo 8

Três dias depois, ocorreu o casamento de Thiago e Camila.

De acordo com os termos do acordo de divórcio, ela era obrigada a comparecer à cerimônia.

Isabela não compreendia por que Thiago exigia tal coisa.

Casar-se com sua nova esposa e ainda exigir a presença da ex, isso não seria um incômodo?

No entanto, logo ela entendeu o motivo.

Porque tudo o que era exibido no casamento eram promessas que ele um dia fizera a ela.

Antigamente, naquele pequeno apartamento alugado, eles costumavam fantasiar sobre como seria o casamento deles no futuro.

Ela dissera que queria se casar em um dia de sol, a bordo de um iate.

Agora, ele a obrigava a assistir, de olhos abertos, enquanto ele caminhava em direção ao altar de seus sonhos, de mãos dadas com outra mulher.

O iate estava repleto de celebridades da alta sociedade.

Sob o olhar de todos, Camila caminhava passo a passo em direção a Thiago, vestida de noiva.

Ao seu redor, ouvia-se o burburinho dos convidados, que não poupavam elogios ao evento:

"Isso sim é um casamento de verdade; banquetes, convidados ilustres e pompa, bem diferente daquela última vez."

"Dizem que o vestido de noiva da noiva foi trazido diretamente da França via aérea, e os diamantes incrustados na cauda são todos autênticos."

"Pensando bem, aquele casamento anterior do senhor Thiago nem pode ser considerado válido."

Isabela, ouvindo os comentários, ora invejosos, ora irônicos, relembrou sua própria união com ele.

Aquilo nem de longe parecia um casamento; do início ao fim, foram apenas os dois, simploriamente assinando os papéis.

Naquela noite, ele a forçou a vestir um vestido de noiva, apenas para rasgá-lo em pedaços e deixá-la coberta de ferimentos.

Na manhã seguinte, um cheque com uma longa sequência de números, pressionado por um preservativo, estava sobre sua mesa de cabeceira.

Ele dissera: Você não quer dinheiro? Aqui está o pagamento pelo serviço de ontem à noite.

Ele a humilhara daquela forma.

Ela não podia reagir, nem se explicar.

Aceitara tudo, fingindo ser uma mulher que amava o dinheiro acima de tudo.

Após a cerimônia, Camila e Thiago faziam o brinde com os convidados.

Isabela sentia a brisa na proa do barco quando percebeu alguém se aproximando atrás dela.

Camila vestia um traje de brinde leve, com a saia esvoaçando ao sabor da brisa marinha.

Isabela virou-se e observou-a em silêncio.

"Ontem à noite, ele me deu um papagaio."

Camila sorriu para ela e gesticulou: "É grande, daqueles que falam. Ficava o tempo todo me dizendo: 'Amor, eu te amo'."

"Pensei que ele tivesse treinado o animal especialmente para me dar de presente."

"Mas sabe de uma coisa? Depois que ele adormeceu, o papagaio falou de novo."

Camila aproximou-se passo a passo, com uma expressão que oscilava entre o sorriso e a fúria:

"Sabe o que o papagaio disse depois?"

"Ele disse: 'Isa, eu te amo'."

Em um instante, o coração de Isabela foi dilacerado pela dor.

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