"Não é bom estar grávida?" Ele esboçou um sorriso frio: "Dê à luz e use essa criança para me pedir dinheiro incontável."
Ele se curvou, apertando o queixo dela, com um olhar feroz:
"Isabela, você não quer dinheiro? Dê um preço. Quanto você quer para estar disposta a ter essa criança?"
Isabela olhou para ele, observando suas sobrancelhas franzidas e seu olhar de desprezo.
"Thiago, você quer essa criança?" ela perguntou baixinho.
Thiago soltou um bufo frio: "Por que eu não iria querer meu próprio filho? Você acha que eu sou como você, uma pessoa sem coração?"
Os lábios de Isabela tremeram levemente; seu coração parecia estar sendo espremido por uma mão gigante, transformando-se em um amargor insuportável.
No segundo seguinte, um balde de água fria pareceu ser despejado sobre ela, fazendo-a tremer de frio.
"Quando nascer, Camila vai criar."
Ele bufou friamente: "Uma mulher cruel e sem coração como você não é digna de educar meu filho."
Capítulo 5
Naquela noite, Isabela teve um pesadelo.
No sonho, ela parecia ter se tornado sua mãe.
Facadas atravessavam seu corpo, suas pernas eram cortadas por lâminas afiadas, e a dor parecia brotar de dentro dos ossos, corroendo sua alma.
Ela acordou sobressaltada, com a testa coberta de suor frio.
Tremendo, ela abraçou os joelhos, chorando silenciosamente sem emitir um único som.
Ela cobria o baixo ventre, pedindo desculpas repetidamente em seu coração: Bebê, me desculpe... me desculpe, a mamãe não pode te dar uma vida saudável, a culpa é toda da mamãe...
Ela trocou de roupa silenciosamente, vestindo suas próprias peças.
Ao sair, ouviu vozes familiares vindas do quarto ao lado.
"Thiago, eu não esperava que o mingau que você fez fosse tão gostoso."
A voz de Camila vinha de dentro.
Ela hesitou e rapidamente se escondeu atrás da porta, temendo ser descoberta.
Pela fresta da porta, ela viu Thiago segurando uma tigela de mingau de tâmaras, soprando suavemente antes de oferecer aos lábios de Camila.
Camila, sorridente, lançou-se nos braços dele, mimando-o: "Thiago, você é tão bom para mim. Mesmo tão tarde, cozinhou pessoalmente para mim."
"Se você gosta, farei todos os dias para você." Sua voz era tão terna, comparada à frieza com que a tratara no hospital, que a diferença era como o céu e a terra.
Sua visão começou a ficar turva, e as memórias voltaram como uma maré.
Naquele pequeno apartamento alugado, sob a luz amarelada, ele vinha até ela com o mingau fumegante.
Ele colocava os pés gelados dela sobre seu abdômen quente para aquecê-los e a observava sorrindo enquanto ela bebia:
"Não tenho muito dinheiro agora, só posso te oferecer isso. Quando tivermos dinheiro no futuro, certamente te darei o melhor..."
Ela ria das brincadeiras dele, seus pés sobre o abdômen dele, aquecendo-se aos poucos.
Os dedos dos pés faziam cócegas nele, provocando-o a se lançar sobre ela com um olhar profundo.
A velha cama de madeira rangia, as luzes oscilavam, e os suspiros ambíguos do homem soavam incrivelmente sedutores em seu ouvido.
Ela abraçava o pescoço dele, esticando-se para beijá-lo.
Naquele momento, ela realmente acreditou que ficariam juntos para sempre.
O tempo passou, e ela ainda parecia sentir o doce sabor daquele mingau de tâmaras naquela noite.
Como um sonho inalcançável.
Ao acordar desse sonho, o homem que um dia lhe jurou amor eterno segurava outra mulher nos braços como se fosse o seu maior tesouro.
E ela, carregando um ódio profundo, já não tinha futuro algum.
Na calada da noite, Isabela deixou o hospital e foi a uma pequena clínica clandestina nas proximidades.
Ela encontrou o médico e disse, com uma calma incomum:
"Decidi abortar esta criança."
"O mais rápido possível."
O médico prontamente agendou o procedimento.
Isabela soube, pela primeira vez, que um aborto era algo tão simples.
Muito mais simples do que a cirurgia de doação de córnea que fizera anos atrás.
Fechou os olhos e deitou-se na mesa cirúrgica.
Ao acordar, algo extremamente importante havia sido retirado de dentro dela.
Isabela reuniu forças e voltou para casa.
Ao entrar para descansar, o mordomo a deteve: "Senhorita Isabela, o senhor ordenou que todas as suas coisas fossem levadas para o quarto de hóspedes. De agora em diante, você descansará lá."
Isabela ficou na entrada do quarto e, pela fresta da porta, viu que a foto que antes pertencia a ela no criado-mudo havia sumido.
No lugar dela, estava uma foto de Thiago e Camila.
Ela estava nos braços dele, sorrindo de forma tão radiante e feliz, como se tivessem nascido um para o outro.
O coração de Isabela tremeu como folhas caídas sob o vento de outono; ela se virou e empurrou a porta do quarto de hóspedes.
Do lado de fora, a voz do mordomo ecoou: "O senhor disse que, como você está grávida, um médico da família virá amanhã para fazer um exame..."
"Não será necessário", interrompeu Isabela.
"O bebê não existe mais."
Após dizer isso, ela entrou no quarto e deitou-se exausta; a dor latejante no baixo ventre impedia que tivesse um sono tranquilo.
Não sabia quanto tempo havia se passado quando ouviu passos pesados se aproximando.
O corredor era forrado por um tapete espesso, e sons de passos tão pesados e desordenados indicavam que a pessoa corria desenfreadamente.
No segundo seguinte, com um estrondo, a porta do quarto foi violentamente escancarada.
"Isabela, quanta audácia a sua!"
Capítulo 6
Thiago irrompeu no quarto.
Seus cabelos bagunçados, úmidos de suor, caíam sobre a testa, seu peito subia e descia violentamente e seu olhar era frio como gelo enquanto ele a agarrava pelo pescoço:
"Como você ousa! Como você ousa fazer isso! Este é meu filho, como você ousa descartá-lo sem sequer me perguntar!"
Isabela perdeu o fôlego instantaneamente.
Ela golpeava os braços de Thiago com força, o rosto ficando vermelho devido à falta de oxigênio.
Sua visão tornava-se cada vez mais turva, e ela o encarava através de lágrimas, fixando os olhos naqueles olhos dele.
Sob a luz do sol, quando estavam muito próximos, ela percebia que as cores de suas íris eram diferentes.
Aquele globo ocular esquerdo que um dia pertencera a ela tinha a cor do âmbar, clara e comovente.
Ela encarava aquele olho e pensava: Que bom, mesmo que um dia eu morra, meus olhos ainda existirão em seu corpo, e poderei continuar te vendo através do espelho...
Sua visão escureceu, e lágrimas fisiológicas escorreram pelo seu rosto, caindo sobre a mão dele que a apertava.
Thiago, como se tivesse sido queimado, soltou-a subitamente.
Isabela caiu sobre a cama, arfando profundamente, seguida por uma tosse violenta, como se quisesse colocar para fora o coração, o fígado, o baço e os pulmões.
Thiago cerrou os punhos, veias saltadas aparecendo de forma grotesca nos músculos do antebraço.
Com os olhos injetados de sangue, ele a questionava palavra por palavra: "Por que fez isso? Você não queria dinheiro? Eu podia te dar! Agora eu tenho condições, quanto dinheiro você quiser, eu posso te dar!"
A força com que ele segurava o pulso dela era tanta que parecia que ia quebrá-lo.
Isabela estava entorpecida, como se estivesse morta; ela repuxou o canto dos lábios, mantendo uma expressão indiferente:
"Dar à luz não seria me prender a você para sempre?"
"Eu só queria ganhar algum dinheiro. Não importa quanto você me desse, eu jamais aceitaria ter um filho seu."
Os olhos de Thiago estavam tão vermelhos que pareciam sangrar!
Ele levantou a mão bem alto, mas demorou a desferir o golpe.
A visão de Isabela estava embaçada, mas ela não se esquivou.
Aquele tapa era o que ela merecia, pois havia desistido do filho deles.
Nesse momento, uma lufada de vento surgiu.
Pá!
Um tapa cruel atingiu o rosto de Isabela, fazendo seus ouvidos zumbirem.
Camila estava à beira da cama, olhando-a de cima para baixo:
"Este tapa foi por Thiago! Você não é digna de ser esposa dele! Você não é digna de receber o amor verdadeiro dele!"
Dito isso, ela pegou a mão de Thiago e o arrastou para fora do quarto.
Momentos depois, o som das vozes deles veio do quarto principal ao lado.
Isabela, como um fantasma, com o rosto inchado e avermelhado, observava pela fresta da porta os dois abraçados.
Camila segurava a cabeça de Thiago, acariciando suavemente a nuca dele, com um tom de voz doce como a água.
"Thiago, divorcie-se dela! Fique comigo."
"Eu vou te amar muito, serei muito boa para você e te darei muitos filhos."
"Thiago, pare de amá-la, ela não merece seu amor."
Camila segurava o rosto do homem, e o olhar que ela lhe dirigia era carregado de um amor e desejo intensos como mel:
"Ame-me, está bem?"
Os ombros de Thiago tremeram.
Após um longo tempo, ele disse com a voz rouca: "Está bem."
Em seguida, ele levantou os olhos para a porta.
Sob a luz do sol, Isabela encontrou o olhar dele.
Houve um silêncio momentâneo no ar.
Isabela ouviu claramente a voz dele:
"Não a amarei mais. Nunca mais."
Capítulo 7
Na manhã seguinte, Thiago pediu o divórcio.