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《Destinos Cruzados》Capítulo 2

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Isabela ficou paralisada; seu coração bateu violentamente por um momento, mas logo foi apagado por um balde de água fria.

"Hoje é a abertura da exposição de arte que organizei para Camila; você será a assistente dela, encarregada de carregar bolsas e servir bebidas."

Às dez da manhã, chegaram ao local da exposição.

Thiago abraçava Camila, apresentando-a aos convidados e celebridades presentes para prestigiar o evento.

E Isabela, sob as ordens dele, servia bebidas e trocava copos, como uma empregada dedicada.

O escárnio que vinha de todos os lados perfurava seu coração como agulhas:

"É ridículo, ela ainda acompanha o marido e a amante aqui, desfilando por aí."

"Em toda a cidade, quem não sabe que essa tal de Senhora Thiago não passa de uma piada?"

"E ela mesma ainda não liga para isso, é realmente uma sem-vergonha."

Em sua vida cheia de cicatrizes, algumas zombarias eram apenas o que menos importava, não valendo a pena sua atenção.

Ela pegou calmamente uma taça de champanhe da torre, pronta para entregar a Thiago.

Foi então que Camila a interceptou de repente:

"Você não quer me perguntar como Thiago acabou ficando comigo?"

Capítulo 3

Isabela a observava silenciosamente.

Seu olhar vagou daquele rosto radiante até as marcas de beijo espalhadas pelo pescoço dela.

Naquele momento, uma dor insuportável surgiu em seu coração.

Ela forçou um leve sorriso no canto dos lábios:

"Isso ainda é importante?"

Camila já tinha sido sua amiga mais íntima.

Ela conhecia todo o seu passado oculto e sabia da amargura e dor que ela enterrava no fundo da alma.

Em incontáveis noites, depois de ser torturada por Thiago, ela a abraçava e chorava desesperadamente.

Ela pensou que, neste mundo, pelo menos uma pessoa ainda sentiria pena dela.

Mas naquela noite, os sons sensuais que vinham do camarote foram como uma lâmina, dilacerando seu coração.

Sua única amiga subiu na cama de seu marido.

Naquele instante, um frio gélido percorreu todo o seu corpo, fazendo-a tremer.

Mas ela não podia lamentar, não podia chorar, não podia se sentir injustiçada e nem ter raiva.

Ela apenas podia cerrar os dentes e suportar silenciosamente a dor excruciante.

A expressão indiferente de Isabela irritou Camila.

Ela agarrou o pulso de Isabela e a arrastou para um canto vazio da exposição.

"Isabela, o que eu mais odeio é esse seu jeito indiferente!"

Camila jogou violentamente a taça de champanhe no chão, estilhaçando o vidro por toda parte.

"Você só pensa na sua própria desgraça, mas não sabe como Thiago sobreviveu a esses anos!"

Sua voz enrolava-se como uma serpente, cada palavra cortando o coração de Isabela como uma lâmina:

"Ele disse que você o deixou porque desprezava a pobreza dele. Desde que você partiu, ele trabalhou dia e noite para ganhar dinheiro e bebeu até ter hemorragia gástrica para negociar projetos. No início da sua trajetória, para conseguir capital de giro, ele implorou e sorriu para todo mundo!"

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"Um homem tão orgulhoso como Thiago colocou sua dignidade no chão para ser pisada por outros, apenas para chegar onde está hoje! Mas, por mais difícil que tenha sido, ele nunca pensou em se vingar de você! Tudo o que ele queria era que você voltasse e pedisse desculpas!"

"Ele te deu o título de esposa e te trouxe para casa. Mas e você? Como você o tratou! Você pisou no coração dele! Você disse a ele que só queria dinheiro, não o coração dele, e muito menos o casamento dele!"

Camila fez uma pausa, curvando os lábios desoladamente:

"Você não sabia, não é? Aquele clube onde ele sempre passava a noite é dele. Nesses anos, ele nunca tocou em nenhuma daquelas mulheres. Toda vez, ele mandava as mulheres entrarem e sentarem ao lado para que você ouvisse, tudo para fazer você sentir ciúmes e se curvar a ele. Contanto que você estivesse disposta a ceder e pedir desculpas, ele esqueceria tudo, fingiria que nada aconteceu e traria de volta a promessa e o coração de antes para você!"

Ao ouvir essas palavras, Isabela ficou totalmente paralisada...

Em um instante, todos os momentos vividos com Thiago inundaram sua mente.

Ela estava quase afogada pelas memórias, como se tivesse retornado àqueles tempos de sonho.

Camila deu um passo à frente, com um sorriso cruel no rosto:

"O quê? Você acha que seu charme é infinito e que pode deixar Thiago louco por você para sempre?"

Seus olhos brilhavam com intensa inveja e ódio:

"Isso mesmo, aquelas outras mulheres eram apenas passageiras. No entanto, ontem à noite, entre Thiago e eu, não foi encenação. Ele me beijou e nós realmente dormimos juntos."

"Você sabe por que Thiago realmente me quis?"

Camila perguntou suavemente, com dedos finos acariciando o olho esquerdo de Isabela:

"Porque eu disse a ele que o olho que ele perdeu no acidente de carro foi o que eu doei para ele."

Aquela frase atingiu o peito de Isabela como uma lâmina.

"De qualquer forma, você não o quer mais, então por que não o deixa para mim? Comigo, pelo menos, não farei com que ele obtenha apenas tristeza e indiferença sem fim."

Isabela fechou os olhos, suas unhas cravadas profundamente nas palmas das mãos.

Sua voz estava estranhamente calma:

"Tudo bem."

Os lábios de Camila tremeram levemente, parecendo não esperar que ela fosse tão direta.

De repente, ela se aproximou rapidamente e sussurrou:

"Já que você concordou, desapareça completamente do mundo dele e pare de segurá-lo."

Assim que terminou de falar, Isabela sentiu uma força poderosa.

Ela perdeu o equilíbrio, recuou e atingiu uma escultura artística no local da exposição.

A escultura oscilou no ar por alguns momentos e caiu diretamente sobre Camila.

Capítulo 4

"Isabela! Você quer morrer!"

Thiago pegou Camila nos braços e correu apressadamente para fora.

A exposição de arte foi encerrada de forma desleixada, e Isabela foi levada à força por guarda-costas para o hospital.

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Camila foi atingida no ombro pela escultura, causando uma hemorragia grave, e como o tipo sanguíneo dela era exatamente igual ao de Camila, Thiago ordenou sem hesitar que ela doasse sangue.

Isabela quase não ofereceu resistência, sendo pressionada diante da bancada de coleta.

A agulha grossa perfurou seus vasos sanguíneos de uma só vez.

Após retirarem quatrocentos mililitros, Isabela já sentia tudo escurecer diante de seus olhos.

O médico, observando as gotas de suor na testa dela, retirou a agulha e disse a Thiago: "Para a doação de sangue, é necessário um exame físico simples; caso contrário, não podemos ter certeza se o sangue pode ser utilizado..."

Isabela ficou atordoada.

Ela já tinha ouvido dizer que exames físicos podem revelar muitas coisas, inclusive se houve experiências anteriores de doação de órgãos.

Ela inconscientemente pensou no olho esquerdo que doara a Thiago.

Não, absolutamente não! Ela nunca poderia deixar que ele descobrisse isso!

Isabela arrancou o tubo de plasma das mãos do médico e puxou-o com força.

O sangue quente que ainda estava em seu corpo espirrou sobre ela, e os pingos de sangue salpicados em seu rosto a faziam parecer um demônio aterrorizante.

Sua visão escureceu e ela caiu em uma poça de sangue.

Thiago ficou chocado com a cena inesperada.

Com uma expressão complexa, ele se ajoelhou diante de Isabela:

"Por que você empurrou Camila? Por que se recusou a doar sangue para ela?"

"Isabela, você está com ciúmes?"

O coração de Isabela doeu intensamente, mas logo ela exibiu uma expressão cruel:

"Por que eu deveria doar sangue para ela? Ela pagou? Se não pagou, por que usar meu sangue?"

Thiago, ao vê-la agindo daquela forma, deu um sorriso frio e assinou um cheque.

O papel leve caiu em seu rosto, mas a dor foi como se tivesse levado um tapa violento.

"Você não gosta de dinheiro? Pois eu te dou!"

"Doutor, continue a coleta! Extraia até que Camila tenha o suficiente!"

Os guarda-costas, ignorando sua resistência, imobilizaram-na firmemente.

A agulha enorme perfurou seus vasos sanguíneos, e Isabela não pôde evitar tremer.

O sangue escorria gota a gota, seu corpo esfriava cada vez mais, e o mundo ao seu redor começou a ficar embaçado.

Ela não sabia quanto sangue haviam retirado; finalmente, sem forças, ela desmaiou.

Ao acordar, já estava escuro.

Ela pensava que acordaria sozinha e abandonada naquele quarto de hospital.

Para sua surpresa, Thiago estava lá.

Ao lembrar das palavras que o médico dissera antes dela desmaiar, ela não pôde evitar apertar os lençóis.

Será que ele sabia?

Sobre a verdade da doação de córnea?

Ela ergueu o olhar para Thiago.

O jeito que ele a olhava continha uma emoção tão complexa que era impossível descrever, fazendo seu coração quase saltar pela boca.

Se ele realmente descobrisse a verdade, o que ela faria? Contaria tudo o que aconteceu e revelaria... as dificuldades que enfrentou na época?

"Isabela, você está grávida."

A voz fria dele ecoou pelo quarto silencioso.

Isabela ficou atordoada.

Ela acariciou subconscientemente o baixo ventre: "Como é possível! Eu tomei anticoncepcional todas as vezes..."

Ela era alguém sem futuro! Como poderia estar grávida naquele momento?

Seu choque e surpresa irritaram profundamente Thiago.

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