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《Destinos Cruzados》Capítulo 1

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Capítulo 1

No dia do festival Qingming, Isabela recebeu o relatório da autópsia de sua mãe.

Foram quarenta e sete facadas. Suas pernas haviam sido decepadas por uma lâmina afiada, e os tendões de seus pulsos, cortados.

Cada ferimento indicava que ela sofrera uma tortura desumana antes de partir.

A voz do comissário ecoou em seus ouvidos: "Isabela, você tem certeza de que quer continuar com a investigação sobre sua mãe e relatar esse caso de morte por experimento humano?"

O olhar de Isabela, fixo no relatório, não hesitou:

"Tenho certeza."

O comissário a informou: em dez dias, alguém organizaria uma morte falsa para ela. Isabela desapareceria completamente deste mundo.

Ao sair do prédio, a lua brilhava entre as poucas estrelas no céu.

Seu celular tocou, e a voz autoritária de um homem veio do outro lado: "Venha me buscar no Blue Velvet."

Isabela hesitou por um momento, mas logo chamou um carro e apressou-se até lá.

O Blue Velvet era um clube privado de alto padrão, o lugar onde, nos três anos de casamento, Thiago buscava diversão todas as noites.

Diariamente, uma mulher de corpo sedutor entrava em sua sala privada e saía de lá com as pernas bambas.

Já ela, a esposa, esperava na porta do camarote.

Esperava que ele terminasse de aproveitar outras mulheres, para depois aproveitar a ela.

Ele dizia: Isabela, você, uma mulher barata como você, só serve para ficar no final da fila.

Diante de tamanha humilhação, Isabela já estava entorpecida.

Mas desta vez, parada na porta do camarote, ao ouvir uma voz familiar vindo de dentro, ela não pôde evitar uma pontada no coração.

Momentos depois, Thiago saiu com o torso nu.

Com seus dedos longos, ele segurava um sutiã rasgado e o jogou contra o rosto dela:

"Rasguei sem querer. Vá comprar um igual."

Em seguida, ele assinou um cheque e o enfiou, de forma vulgar, entre os seios dela.

Isabela apertou os punhos, os olhos marejados, e olhou para o homem:

"Nesses três anos, suportei todas as suas humilhações. Mas por que, por que você não pôde poupar nem a Camila?"

Thiago acendeu um cigarro e, através da fumaça envolvente, sua expressão era indecifrável:

"Naquela época, você me poupou?"

O coração de Isabela doeu intensamente.

As memórias inundaram sua mente como uma maré, quase a afogando.

Ela e Thiago eram amigos de infância e, aos dezesseis ou dezessete anos, já haviam experimentado o fruto proibido.

No hotelzinho escuro, ela se aninhava no peito ainda magro dele, ouvindo sussurros carinhosos e ingênuos:

"Amor, quando nos formarmos, vamos nos casar."

"Vou comprar uma casa grande, um carro luxuoso e o maior diamante para você. Quero te dar tudo o que há de melhor."

Eles estudaram na mesma escola e, naturalmente, na mesma universidade, tornando-se o casal modelo que todos conheciam.

Todos acreditavam que ficariam juntos para sempre.

No entanto, na noite em que Thiago a pediu em casamento, ela recusou.

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Ela jogou fora o anel dele, pisou nas rosas que ele preparara com tanto carinho e usou as palavras mais cruéis para humilhá-lo:

"Quem iria querer casar com um pobre coitado como você?"

"Vou estudar no exterior! Não me procure mais!"

No dia da partida, uma chuva torrencial caía.

Ele batia no vidro do carro, o rosto banhado por chuva ou lágrimas, a voz rouca e seca:

"Isa, me dê um tempo! Quatro anos... não, três anos, e eu te darei um futuro maravilhoso!"

Sentada dentro do carro, Isabela disse friamente ao motorista: "Pode dirigir."

O carro de luxo partiu, mas Thiago, sem desistir, correu atrás dele por um longo caminho.

No sinal vermelho, um sedã passou em alta velocidade e o atingiu.

Pequenos pedaços de pedra voaram e acertaram seu olho esquerdo; a dor súbita o impediu de ficar de pé.

Thiago foi levado às pressas para o hospital.

Após um curativo simples, ele suportou a dor e correu para o aeroporto.

Esperou por um dia e uma noite, o sangue encharcando a bandagem e manchando metade de seu rosto, mas ela não apareceu.

Desde então, o ódio por ela tornou-se o combustível de sua ambição.

Em quatro anos, ele conquistou uma fortuna incalculável.

A primeira coisa que fez após o sucesso foi forçá-la a casar-se com ele, para então humilhá-la e torturá-la dia e noite, descarregando todo o seu ressentimento.

Isabela suportava tudo em silêncio, sem nunca revelar que o término não fora por falta de amor, mas por desespero.

Sua mãe era jornalista e, ao investigar um projeto de experimento humano de um grupo multinacional, teve sua identidade revelada.

A quadrilha, insana, matou sua mãe para destruir evidências e estendeu suas garras para toda a família.

Seu pai decidiu fugir com todos.

Para não envolver Thiago, ela terminou o namoro com o coração despedaçado.

No dia do acidente, sabendo que ele tinha se ferido, ela arriscou a vida para ir ao hospital e doar seu próprio olho esquerdo para ele.

No entanto, ao sair da sala de cirurgia, recebeu um telefonema da polícia.

O mundo girou.

Além dela, toda a sua família sofreu um acidente no caminho para o aeroporto, e ninguém sobreviveu.

Ao pensar no fim trágico de sua família, Isabela apertou os punhos, os ombros tremendo.

Ao vê-la com os olhos marejados, Thiago se aproximou um passo, sua voz carregada de uma expectativa que ele mesmo não compreendia:

"Sobre o que aconteceu anos atrás, você não tem nada a explicar?"

O olhar de Isabela caiu lentamente sobre o sutiã rasgado no chão, e ela balançou a cabeça devagar.

"Não há nada para explicar. Naquela época, eu só te deixei porque desprezava sua pobreza."

O que não podia ser dito anos atrás, agora precisava ser enterrado ainda mais fundo.

Carregando o peso do sangue de sua família, ela sabia que não haveria futuro com ele.

O tempo que passou casada, convivendo com ele dia e noite, já era uma felicidade roubada.

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Agora, ela estava decidida a continuar a investigação.

Ela estava destinada ao mesmo fim solitário e trágico de sua mãe.

Capítulo 2

"Isso só prova que você era cego na época."

A porta do camarote fechou-se bruscamente, com um estrondo ensurdecedor.

As pontas dos dedos de Isabela roçaram suavemente seu olho protético, e a amargura em seu coração espalhou-se como uma maré.

Ela pegou o sutiã caído e uma lágrima, que ela não conseguiu conter, caiu no chão.

Ao retornar ao clube, a recepcionista informou-lhe que Thiago já tinha ido embora.

Ela voltou para casa apressada e, ao empurrar a porta do quarto, foi surpreendida pelo som de risadas vindo de dentro.

Sua palma pressionou a maçaneta, tremendo levemente.

Durante três anos, ele passava as noites se divertindo no clube.

Esta era a primeira vez que ele trazia uma mulher para casa e a colocava em seu quarto.

O mordomo apareceu atrás dela sem que ela percebesse: "Senhora, o senhor pediu que, a partir de hoje, a senhora se mudasse para o quarto de hóspedes."

Isabela ficou estupefata.

Ela entrou no quarto de hóspedes, desolada, e caiu silenciosamente sobre a cama.

Os sons vindos do quarto principal pareciam um martelo pesado, golpeando seu coração.

Ela fechou os olhos e tapou os ouvidos, esperando não ouvir.

Mas, mesmo assim, as juras de amor que faziam o rosto corar entravam em seus ouvidos, uma a uma.

"Querida, beije-me, não me deixe."

"Eu te amo, fique comigo para sempre, eu certamente te darei o melhor de tudo..."

Instantaneamente, seus olhos ficaram vermelhos; eram exatamente as mesmas juras de amor que ele lhe dissera anos atrás.

Sete anos atrás, no pequeno hotel perto da universidade, a luz fraca iluminava a cama bagunçada.

A cama rangia, e a voz dele, colada ao seu ouvido, era tão sincera e apaixonada.

Naquela época, ela ingenuamente pensou que poderia realmente envelhecer ao lado dele.

Virando-se, ela abraçou o travesseiro com força, incapaz de conter as lágrimas.

Agora, ela já não tinha qualificações para falar sobre o futuro.

Ela e Thiago nunca mais teriam aquele tipo de futuro.

Na manhã seguinte, os olhos de Isabela doíam intensamente.

Ela removeu cuidadosamente a prótese ocular, limpou-a e colocou-a de volta.

Ao descer as escadas, uma fragrância tentadora pairava no ar.

Thiago segurava dois pratos brancos, com torradas, ovos fritos e bacon, e os colocou sobre a mesa de jantar.

Ela, parada na escada, viu a cena e ficou atordoada.

Houve um tempo em que ele também fazia café da manhã para ela na manhã seguinte, levando-o à cama.

No entanto, agora, ao vê-la parada ao lado da mesa, ele deu um riso frio: "Você não deve estar pensando que eu fiz o café da manhã para você, não é?"

Dito isto, ele colocou o prato na frente de Camila.

O rosto de Isabela corou instantaneamente.

Apesar de ter passado por coisas milhares de vezes mais trágicas ao longo desses anos, por que aquele pequeno gesto perfurava seu coração como a ponta de uma faca?

Bem quando sua mente estava um caos, ele falou novamente:

"Vá trocar de roupa e me acompanhe a uma exposição de arte."

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