《Eu Morri no Meu Casamento — Mas Era Mentira》PARTE 7

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O caminho até o Guarujá não era uma fuga.

Era uma transição para algo ainda mais perigoso.

A estrada parecia normal.

Mas o silêncio dentro do carro não era.

Lucas dirigia com os olhos fixos na pista, mas a tensão no maxilar denunciava que ele não estava ali de verdade.

Isabela estava no banco de trás.

Olhos perdidos.

Respiração curta.

E pela primeira vez desde o incêndio… sem hospital, sem monitores, sem protocolos.

Só o mundo real.

“Você confia nisso?”, ela perguntou.

Lucas não respondeu de imediato.

“Não tenho escolha.”

Quando chegaram ao litoral, o clima mudou.

O ar era mais pesado.

Mais úmido.

Como se a cidade soubesse esconder segredos melhor do que São Paulo.

A casa era discreta.

Sem placas.

Sem luxo visível.

Só concreto envelhecido e vidro escuro.

Lucas estacionou.

“Chegamos.”

Isabela olhou.

“Isso é o lugar seguro?”

Ele respondeu:

“Era.”

A porta se abriu antes que eles batessem.

E Isabela congelou.

O homem à frente dela não era um desconhecido.

Nem uma lembrança distante.

Era real.

Vivo.

E impossível.

“Pai…”

Augusto Vasconcelos não sorriu.

Não correu.

Só observou.

Como se estivesse confirmando uma variável que já sabia existir.

“Você veio até aqui mesmo assim”, ele disse.

Isabela deu um passo à frente.

“Você está vivo…”

Augusto respondeu seco:

“Estou onde sempre estive.”

Silêncio.

Lucas baixou o olhar.

“Senhor Augusto…”

Augusto interrompeu:

“Não agora.”

Ele olhou diretamente para Isabela.

“Eles já sabem que você saiu do hospital.”

Dentro da casa, tudo era frio.

E estratégico.

Não parecia refúgio.

Parecia centro de operações.

Monitores escondidos atrás de paredes falsas.

Mapas digitais da cidade.

Arquivos criptografados.

Isabela sentou devagar.

“Você sabia do incêndio?”

Augusto ficou em silêncio por um instante.

“Eu sabia que algo seria ativado.”

Ela levantou o olhar.

“Então por que não me tirou de lá?”

A resposta veio sem emoção:

“Porque você precisava sobreviver para ser útil.”

Silêncio absoluto.

Lucas fechou os olhos por um segundo.

Isabela levantou devagar.

“Eu não sou um experimento.”

Augusto respondeu:

“Não. Você é uma consequência.”

Nesse momento, um alarme silencioso piscou no painel da sala.

Lucas olhou imediatamente.

“Estamos sendo rastreados.”

Augusto não se mexeu.

“Já eram.”

Isabela ficou tensa.

“Quem nos encontrou?”

Augusto respondeu:

“Não é quem. É o sistema.”

Do outro lado da cidade, Patrícia observava uma tela escura cheia de dados em tempo real.

Ela não parecia nervosa.

Parecia alinhada.

Ao lado dela, um operador hesitava.

“O sinal entrou no litoral sul.”

Patrícia respondeu:

“Confirma localização.”

O homem engoliu seco.

“É o safehouse.”

Ela sorriu levemente.

“Então ele voltou para casa.”

No Guarujá, Lucas caminhava pela casa verificando portas.

“Eles não vão esperar muito para atacar.”

Augusto respondeu:

“Eles não precisam esperar.”

Isabela olhou entre os dois.

“Quem exatamente está vindo?”

Lucas hesitou.

“Rafael.”

Silêncio.

Isabela sentiu o corpo congelar.

“Ele sabe que eu estou viva…”

Augusto corrigiu:

“Ele sempre soube.”

Na sala subterrânea, Augusto abriu um cofre escondido.

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Dentro havia um arquivo físico.

Antigo.

Quebrado nas bordas.

E uma fita de vídeo.

Isabela olhou.

“O que é isso?”

Augusto respondeu:

“Prova do primeiro incêndio.”

Lucas franziu o cenho.

“Primeiro?”

Augusto assentiu.

“Antes do seu casamento.”

A tela foi ligada.

Imagem granulada.

Um prédio comercial.

Fogo controlado.

E pessoas saindo sem pressa.

Isabela viu nomes desconhecidos.

Até que algo apareceu.

Um rosto.

Mais jovem.

Mas inconfundível.

Rafael.

Isabela ficou sem ar.

“Ele estava lá…”

Lucas olhou mais atento.

“Isso não é o incêndio do hotel…”

Augusto completou:

“Não. É o primeiro teste.”

Isabela recuou.

“Teste de quê?”

Augusto respondeu:

“De transferência de identidade através de morte simulada.”

Silêncio pesado.

Lucas murmurou:

“Eles estão usando incêndios para resetar pessoas…”

Augusto assentiu.

“E apagar ativos humanos sem deixar rastros legais.”

Nesse momento, um barulho seco ecoou do lado de fora.

Metal.

Passos.

Rápidos.

Lucas virou imediatamente.

“Eles chegaram.”

Augusto não se moveu.

“Já estavam aqui.”

Isabela correu até a janela.

E viu.

Carros pretos cercando a casa.

Sem sirenes.

Sem pressa.

Operação limpa.

Lucas puxou Isabela para trás.

“Eles vão entrar.”

Augusto abriu uma gaveta.

Pegou uma pistola.

E colocou na mesa.

Isabela arregalou os olhos.

“Você está armado?”

Ele respondeu frio:

“Você acha que sobrevivi dois anos sem aprender a me defender?”

De repente, o sistema da casa desligou.

Luzes apagadas.

Backup ativado.

Mas tarde demais.

Alguém já havia cortado a energia principal.

Lucas olhou para o painel.

“Eles hackearam o perímetro.”

Augusto respondeu:

“Não hackearam.”

Ele fez pausa.

“Eles construíram.”

Um impacto forte na porta da frente.

Primeiro golpe.

Segundo.

Terceiro.

Isabela deu um passo para trás.

“Não dá pra sair?”

Lucas respondeu:

“Agora não.”

Augusto olhou para Isabela.

E pela primeira vez, sua voz mudou levemente.

“Escuta com atenção.”

Ela olhou para ele.

“Você não vai sobreviver se continuar tentando entender tudo de uma vez.”

Silêncio.

“Eles não querem te prender.”

Ele fez pausa.

“Querem te reativar.”

Outro impacto.

A porta começou a ceder.

Lucas levantou.

“Não temos mais tempo.”

Augusto entregou um dispositivo pequeno para Isabela.

“Isso é o núcleo do seu registro original.”

Ela pegou com mãos trêmulas.

“O que isso faz?”

Ele respondeu:

“Se usado corretamente… apaga você do sistema completamente.”

Silêncio absoluto.

Lucas olhou para ele.

“E se usado errado?”

Augusto respondeu:

“Reescreve você.”

A porta explodiu.

Madeira voando.

Vidro quebrando.

Som de invasão total.

Lucas puxou Isabela.

“Agora!”

Mas antes que ela corresse, Augusto segurou seu braço.

E disse:

“Existe uma coisa que você ainda não sabe sobre Rafael.”

Isabela olhou para ele.

E perguntou:

“O quê?”

Augusto respondeu lentamente:

“Ele não estava apenas executando o plano.”

Silêncio.

“Ele era parte do primeiro caso de teste.”

Isabela congelou.

“O que isso significa?”

Augusto olhou diretamente nos olhos dela.

“Significa que ele também já morreu uma vez.”

Explosão na entrada lateral.

Som de vidro quebrando.

Passos entrando na casa.

Lucas gritou:

“Agora!”

Isabela correu.

Mas antes de sair do corredor…

Ela ouviu uma última frase de Augusto:

“E ele não é quem você acha que é desde o começo.”

Ela virou o rosto.

Mas já era tarde.

A casa estava sendo invadida.

E no meio da fumaça e da luz cortada…

uma silhueta apareceu na entrada.

Segurando uma arma.

Calmo.

Preciso.

E olhando diretamente para ela.

Rafael.

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