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《Meus Filhos São do Sistema》PARTE 5

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O elevador do subsolo desceu sem permissão.

Ninguém digitou o andar.

Ninguém confirmou rota.

Mas mesmo assim… ele desceu.

As luzes da Torre Esmeralda desapareceram atrás do vidro preto até que só restou o reflexo do meu próprio rosto.

E o de Lucas.

E o de Liam.

Silêncio total.

Clara não veio.

Meu pai não apareceu.

Oliver havia desaparecido como se nunca tivesse existido.

Só restava o movimento.

E a sensação de que o prédio inteiro estava respirando errado.

Lucas apertou minha mão.

“Ela está chamando,” ele disse.

“Quem?” perguntei.

Ele não respondeu.

Mas apontou para baixo.

Quando as portas se abriram, eu entendi por que aquele lugar nunca era usado.

Subsolo -3.

Desativado.

Esquecido.

Mas não abandonado.

O ar era mais frio.

Mais antigo.

E tinha cheiro de poeira misturada com algo metálico.

Como ferrugem.

Ou sangue seco.

Clara finalmente apareceu no corredor, correndo atrás de nós.

“Senhor Henrique! Esse nível está bloqueado há anos!”

Eu não parei.

“Então alguém desbloqueou.”

Ela olhou para as crianças.

“Isso não deveria estar acessível…”

Lucas interrompeu.

“Ela está aqui.”

Eu olhei para ele.

“Quem?”

Ele apenas repetiu:

“Ela.”

E caminhou na frente.

Como se já conhecesse o caminho.

O corredor do subsolo levava a uma porta enorme.

Velha.

De madeira reforçada com metal.

Na placa enferrujada:

TEATRO AURORA

Clara franziu a testa.

“Isso não existe nos registros da empresa.”

Eu encarei a porta.

“Agora existe.”

Lucas colocou a mão na maçaneta.

E antes que eu pudesse impedir, ele abriu.

O teatro parecia congelado no tempo.

Fileiras de cadeiras cobertas de poeira.

Cortinas vermelhas rasgadas.

Um palco vazio.

Mas não abandonado.

Era como se alguém ainda estivesse ali.

Assistindo.

Respirando.

E esperando.

Liam segurou o braço de Lucas.

“Não gosto daqui,” ele disse.

Lucas respondeu:

“Ela disse que aqui começa tudo.”

Meu coração bateu mais forte.

“Ela quem?”

Lucas virou para mim.

E disse:

“Mamãe.”

Então eu vi.

No centro do palco.

Uma cadeira.

E uma luz.

Fraca.

Amarela.

Como se o teatro estivesse tentando lembrar como iluminar.

E ali… havia uma mulher.

Sentada.

Imóvel.

Cabelos escuros.

Rosto parcialmente escondido pela sombra.

Mas eu reconheci antes mesmo de ver completamente.

Isabela.

Meu corpo travou.

Clara levou a mão à boca.

“Isso não é possível…”

Eu dei um passo à frente.

“Isabela…”

A mulher não respondeu.

Lucas soltou minha mão.

E correu.

“Mamãe!”

O eco da palavra atravessou o teatro inteiro.

E então ela se moveu.

Devagar.

Como se estivesse reaprendendo o próprio corpo.

Quando levantou o rosto…

meu mundo parou.

Era ela.

Mas não era ela.

Mais magra.

Mais pálida.

Mais distante.

Como alguém que tinha voltado de um lugar onde ninguém volta.

“Henrique…” ela disse.

A voz dela quebrou dentro de mim.

Eu dei outro passo.

“Você está viva.”

Ela sorriu.

Mas não era um sorriso de alegria.

Era de cansaço.

“Depende do que você chama de vida.”

Lucas já estava chorando.

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“Você voltou!”

Isabela olhou para ele.

E tocou seu rosto com cuidado.

“Eu nunca saí completamente.”

Silêncio.

Clara não conseguia se mexer.

E então algo mudou.

O ar.

A luz.

A sensação.

Isabela levantou rapidamente a cabeça.

“Eles chegaram antes do previsto.”

Eu não entendi.

“Quem chegou?”

Ela olhou para mim.

E disse algo que cortou o teatro inteiro:

“Eles que me trouxeram aqui.”

O palco tremeu levemente.

Como se algo estivesse sendo ativado abaixo dele.

E então… o som veio.

Passos.

Do corredor atrás de nós.

Clara virou assustada.

“Tem alguém aqui!”

Eu me virei.

Mas já era tarde.

Homens de preto.

Três.

Depois cinco.

Depois mais.

Entrando pelo corredor do teatro como se sempre tivessem estado ali.

Lucas se escondeu atrás de mim.

Liam segurou o braço da mãe.

Isabela não se mexeu.

Ela apenas fechou os olhos.

Como se estivesse esperando isso há muito tempo.

E então disse:

“Agora vocês acreditam em mim.”

Eu avancei.

“Explica agora, Isabela!”

Ela respirou fundo.

E respondeu:

“Eu não fui embora porque quis.”

Um dos homens deu um passo à frente.

E falou pela primeira vez:

“Protocolos ativados.”

Clara sussurrou:

“Que protocolos?”

Isabela olhou para mim.

E disse:

“Os de recuperação.”

Meu sangue gelou.

“Recuperação de quê?”

Ela respondeu:

“De mim.”

Silêncio absoluto.

Lucas apertou minha mão.

“Eles querem levar ela de novo,” ele disse.

Eu me virei para os homens.

“Vocês não vão encostar nela.”

Mas o homem apenas levantou um dispositivo.

E falou:

“Unidade Isabela confirmada.”

Isabela fechou os olhos novamente.

E disse algo quase inaudível:

“Eu sabia que esse momento ia voltar.”

Eu olhei para ela.

“Isabela… do que você está falando?”

Ela abriu os olhos.

E dessa vez… havia medo real.

“Porque eu já morri uma vez.”

Silêncio total.

Clara recuou um passo.

“Isso não é possível…”

Mas antes que alguém pudesse reagir…

as luzes do teatro apagaram.

E um som metálico ecoou no palco.

CLACK.

Como uma trava sendo ativada.

E o chão começou a abrir lentamente sob nossos pés.

Isabela gritou pela primeira vez:

“CORRAM!”

Mas já era tarde.

Porque debaixo do Teatro Aurora…

algo estava acordando.

E chamando o nome dela.

CONTINUA…

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