《Rendida ao Alfa: O Retorno do Fantasma》Capítulo 15

PUBLICIDADE

Capítulo 15

O sol de fim de tarde pintava o litoral de tons alaranjados e violetas, refletindo-se nas águas calmas que beijavam a areia branca da praia.

Seis meses haviam se passado desde a queda do império Souza, e a vida ali, longe do ruído das metrópoles, parecia um sonho vívido e sereno.

Elara estava sentada em uma espreguiçadeira de madeira, observando Leo correr pela areia enquanto Rodrigo, agora um homem de semblante leve, brincava com o menino.

O silêncio do lugar era interrompido apenas pelo som rítmico das ondas, uma música que substituíra o estrépito das armas e os planos de guerra.

Rodrigo caminhou até ela, limpando a areia das mãos e parando para beijar a testa de Elara com uma ternura que parecia ter levado toda uma vida para se consolidar.

"Ele está ficando cada vez mais parecido com você, tanto na curiosidade quanto na energia inesgotável," Rodrigo comentou com um sorriso genuíno que iluminava seu rosto.

Elara encostou a cabeça no ombro dele, sentindo o calor do corpo dele e a paz que emanava de sua presença constante.

"Nós dois tivemos sorte de encontrar este refúgio, muito mais do que jamais merecemos após tudo o que fizemos," ela respondeu, fechando os olhos por um instante.

De repente, uma figura solitária surgiu no horizonte, caminhando lentamente pela linha da maré em direção a eles.

A postura era inconfundível, a forma como os ombros se moviam com uma mistura de cansaço e resignação.

"Mateo," Elara sussurrou, seu corpo tencionando levemente antes de ser envolvido pelo braço protetor de Rodrigo.

Rodrigo não se moveu com hostilidade, apenas observou com uma calma de quem entendia perfeitamente a razão daquela visita.

Mateo parou a poucos metros deles, seus olhos percorrendo a cena familiar com uma tristeza que não era mais amarga, mas profundamente reflexiva.

"Eu não vim para atrapalhar, apenas para ver com meus próprios olhos que vocês encontraram a paz que buscavam," Mateo disse, sua voz calma e clara.

Elara se levantou, caminhando até ele e mantendo uma distância respeitosa, mas carregada de uma gratidão silenciosa por tudo o que ele fizera no passado.

"Nós encontramos, Mateo, e espero que você também esteja em um caminho que lhe traga tranquilidade," ela respondeu, vendo o homem que um dia ela considerou seu porto seguro.

Mateo deu um leve sorriso, o primeiro em muitos meses, enquanto olhava para Leo, que agora estava distraído com uma concha na mão.

"Eu vim dar o meu último adeus, porque seguirei para longe, para o norte, onde o passado não tem sombras para me assombrar," ele explicou.

Rodrigo aproximou-se, mantendo-se ao lado de Elara, um gesto que comunicava sua aceitação e o respeito pelo homem que tanto a amara.

"Você foi uma parte essencial para que eu pudesse entender o que realmente significa proteger alguém, Mateo," Rodrigo admitiu, sua voz desprovida de qualquer orgulho do antigo Alfa.

PUBLICIDADE

Mateo olhou para Rodrigo, um brilho de compreensão mútua passando entre os dois rivais de ontem, hoje ambos homens transformados.

"Eu não fiz por você, Rodrigo, fiz por ela, e estou aliviado ao ver que, ao final de tudo, ela está segura," Mateo respondeu com uma honestidade brutal.

O olhar de Mateo voltou-se para Elara, um momento de reconhecimento final entre duas pessoas que compartilharam segredos, medo e sobrevivência.

"Você escolheu o seu destino, Elara, e pelo que vejo nesta praia, foi a escolha mais corajosa da sua vida," Mateo disse, sentindo-se finalmente leve.

"A coragem tomou formas diferentes para mim, Mateo, e hoje a forma que ela assume é a de ver o meu filho crescer sem o peso de um sobrenome maldito," ela respondeu.

Eles ficaram ali, três figuras sob o pôr do sol, cercados por um passado que eles enterraram com sucesso nas areias daquela costa.

"Eu gostaria que você fosse feliz, da sua maneira, onde quer que você esteja," Elara desejou, sentindo uma lágrima solitaire rolar pelo seu rosto.

"A minha felicidade agora será saber que, em algum lugar deste mundo, o Ghost finalmente descansou," Mateo confessou com um suspiro profundo.

Mateo virou-se para partir, mas antes olhou para trás uma última vez, memorizando aquele cenário de paz que parecia tão distante de tudo o que eles viveram.

"Adeus, Elara, adeus, Rodrigo," ele disse, acenando uma única vez antes de começar a se distanciar pela areia úmida.

Eles o observaram até que sua silhueta se tornasse apenas um ponto pequeno contra a vastidão do oceano que começava a escurecer.

Elara suspirou, sentindo uma estranha mistura de nostalgia e libertação, como se o último elo com a guerra tivesse acabado de ser cortado.

Rodrigo a abraçou por trás, escondendo o rosto na curva do pescoço dela, sentindo a estabilidade que agora definia o seu dia a dia.

"Ele seguiu em frente, e nós também devemos seguir," Rodrigo sussurrou, beijando-a suavemente no rosto.

"Nós já estamos seguindo, e este caminho parece que não tem fim, o que é exatamente o que eu quero," ela disse, virando-se para beijá-lo.

O beijo era doce, carregado de todo o perdão e da redenção que eles haviam construído naquelas areias longe de tudo.

Leo correu em direção a eles, suas risadas preenchendo o ar da noite, um som que, para Rodrigo e Elara, era a definição perfeita de felicidade.

Eles pegaram o menino pelas mãos, caminhando em direção à pequena casa de madeira que agora chamavam de lar, as luzes da varanda brilhando como um farol.

A história do clã Souza, do Ghost e do Alfa era agora apenas um conto para os livros de história que ninguém leria.

O que importava, naquele instante de paz e cura, era a mão de Rodrigo na de Elara e o sorriso de Leo no rosto dos dois.

Eles haviam conquistado o que muitos impérios tentaram, mas que poucos realmente conseguiram: a liberdade absoluta de ser quem eles queriam ser.

À medida que entravam na casa, a lua cheia começava a surgir no horizonte, iluminando o caminho que eles haviam trilhado juntos.

O litoral de seis meses atrás era agora o cenário de sua redenção, um lugar onde as cicatrizes foram trocadas por promessas de novos dias.

Elara olhou para trás, para o mar, e sentiu que, finalmente, a calma que ela tanto procurara na escuridão, ela encontrara na luz.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia