《Além do Tempo: O Amor que Nunca Terminou》Capítulo 1

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Capítulo 1: Um brinde aos nossos sete anos

“Você ouviu? Pedro vai se casar.”

Ao ouvir isso, Lívia estacou bruscamente no meio do passo, sentindo um vazio súbito no peito. Instintivamente, ela virou o rosto na direção da voz.

Dois colegas conversavam enquanto caminhavam em sua direção com taças de champanhe nas mãos.

“É verdade mesmo?”

Lívia não ouviu a resposta do outro colega, mas sentiu seu coração apertar com uma amargura inexplicável.

Sete anos se passaram. Ela acreditava ter alcançado a calma necessária, mas, sempre que o assunto era Pedro, toda a sua compostura desmoronava em um segundo.

Enquanto ela estava distraída, um burburinho surgiu na entrada: Pedro havia chegado.

Lívia ficou paralisada, prendendo a respiração, com o olhar fixo nele.

Ele continuava sendo o centro das atenções, tão imponente e atraente quanto antes.

Pedro estava cercado por uma multidão que o bajulava.

“Pedro, ouvi dizer que o projeto de entretenimento que você está desenvolvendo na zona sul é um sucesso, meus parabéns.”

“Parabéns pela alta das ações do seu grupo.”

Ouvindo cada elogio, a expressão de Pedro permanecia indiferente, sem qualquer sinal de emoção. Ele apenas respondia de forma contida: “Obrigado.”

Perto do fim da recepção, Pedro caminhou até Lívia com uma taça de vinho tinto na mão. No momento em que se encontraram, ela sentiu cada célula de seu corpo ficar tensa, embora forçasse uma aparência de serenidade.

“Olá.” A voz de Pedro era fria e neutra, condizente com sua postura.

Lívia suprimiu a tempestade que rugia dentro de si e forçou um sorriso: “Olá para você também.”

Após essas palavras, o silêncio tomou conta do ambiente.

Quando ela pensou que talvez não houvesse mais nada a dizer, como em todos os anos anteriores, Pedro voltou a falar.

“Ouvi dizer que você se tornou uma executiva na empresa Sheng-Hao. Parabéns.”

Lívia se sobressaltou e apertou a taça que segurava: “Obrigada. Você…”

Ela queria perguntar como ele estava, mas as palavras mudaram no momento em que chegaram à ponta da língua: “Como tem passado?”

Assim que perguntou, Lívia viu Pedro fixar o olhar nela. Seus olhos eram exatamente iguais aos de sete anos atrás, fazendo seu coração palpitar.

Mas, apenas meio segundo depois, ele desviou o olhar, deixando-a confusa, como se tudo o que sentira fosse apenas uma ilusão.

Pedro não respondeu à pergunta; ele olhou diretamente para além de Lívia, na direção de alguém que estava atrás dela.

Em seguida, ele apenas soltou um breve “desculpe” e passou por ela.

Ao ouvir Pedro cumprimentar outra pessoa logo atrás, o brilho nos olhos de Lívia se apagou, e seu coração se encheu de uma melancolia profunda.

Pouco depois, ela pegou sua bolsa e foi embora.

Ao chegar em casa, sua mãe já estava dormindo.

Lívia tirou silenciosamente uma garrafa de vinho de um armário, foi para o quarto e sentou-se diante da janela de vidro do chão ao teto.

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Taça após taça, ela já estava meio embriagada.

Sob a luz da lua, Lívia levantou a taça e deu um sorriso leve, com o olhar perdido: “Pedro, um brinde ao nosso sétimo ano de separação.”

Hoje era a sétima reunião de ex-alunos após a formatura, e também a sétima vez que se viam desde que terminaram.

Após dizer isso, ela virou o conteúdo da taça, mas o vinho parecia ter um gosto amargo demais, tão amargo que uma lágrima solitária escorreu pelo canto de seu olho.

No dia seguinte, no trabalho.

Todo o escritório estava agitado, pois a empresa havia sido comprada por um conglomerado multinacional e o novo chefe chegaria hoje.

Em meio à atmosfera tensa, Lívia sentia um mal-estar inexplicável.

Pouco tempo depois, o setor administrativo convocou todos para a sala de reuniões.

Quando o novo chefe empurrou a porta e entrou, Lívia ergueu a cabeça e ficou estática.

Era Pedro!

Durante a reunião, Lívia permaneceu sentada rigidamente.

Embora parecesse calma por fora, seu interior estava sendo devastado por ondas de choque.

A aparição de Pedro destruiu completamente a tranquilidade de sua vida.

Meia hora depois, a reunião terminou.

Lívia pegou seus documentos e foi a primeira a se levantar para sair, mas a voz de Pedro soou atrás dela.

“Todos podem sair, exceto a Lívia. Ela fica.”

Naquele instante, Lívia sentiu um frio percorrer todo o seu corpo. Ela cerrou as mãos com força para tentar se acalmar.

Todos se entreolharam e saíram, e a porta da sala de reuniões foi fechada cuidadosamente.

Lívia viu Pedro caminhar até ela e fixar o olhar em seu rosto: “Esqueci de te dar uma coisa ontem.”

Dito isso, ele lhe entregou um convite.

Ao ver o caractere dourado de “Felicidade” no convite de casamento, as pupilas de Lívia se contraíram.

A voz de Pedro soou novamente, pairando sobre ela:

“Espero que você venha ao meu casamento.”

Capítulo 2: A versão mais desprezível de si mesma

O silêncio era absoluto, quase mortal.

Lívia encarava Pedro fixamente.

Existe um tipo de amor em que você entrega todo o calor da sua vida por alguém, mas, quando essa pessoa está prestes a partir do seu mundo, você se sente incapaz de mover um único músculo.

Com todo o esforço que lhe restava, ela conseguiu articular uma palavra: “Tudo bem.”

Ao dizer isso, a corda que mantinha seu coração tensionado se rompeu, mas ela forçou um sorriso: “Desejo que você seja feliz.”

Ao ver aquele sorriso, a expressão de Pedro mudou levemente.

“Espero que possamos trabalhar bem juntos, Diretora Lívia.” Ele enfatizou o cargo.

Em seguida, Pedro virou as costas e saiu.

Ao voltar para seu escritório e fechar a porta, Lívia sentou-se em sua cadeira. Ela apoiou a cabeça nas mãos e, após respirar fundo várias vezes, conseguiu esconder qualquer rastro de emoção.

Ela abriu o convite e, ao ver o recorte de papel artesanal no interior, seu coração disparou.

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Aquela fora sua técnica de artesanato favorita durante a faculdade.

Naquela época, ela havia dito a Pedro: “Quando nos casarmos, quero usar esses recortes nos nossos convites.”

Uma mão invisível apertou seu coração com força, fazendo-a amassar o convite.

Seu olhar desceu até o nome da noiva: Sofia.

Era Sofia.

O coração de Lívia parecia ter um buraco, e ela deu um sorriso amargo: “Já era de se esperar.”

Era, de fato, exatamente como ela previra sete anos atrás.

Perto do horário de saída, a gerência enviou uma mensagem comunicando um jantar com o novo dono da empresa.

No jantar, Lívia manteve os olhos baixos, pois Pedro estava sentado bem à sua frente.

Sentia um olhar intermitente sobre ela que a impedia de levantar a cabeça.

Os executivos da empresa se revezavam para brindar a Pedro, proferindo bajulações.

Quando chegou a vez de Lívia, ela se levantou com a taça em mãos.

Antes que pudesse dizer algo, Pedro comentou com desdém: “A Diretora Lívia não era alguém que não bebia nem uma gota de álcool?”

Lívia apertou a taça, mantendo um sorriso no rosto: “O senhor está brincando, Sr. Pedro. É uma necessidade do trabalho.”

“Então, se o trabalho exigir, você faria qualquer coisa?” O olhar profundo de Pedro carregava uma ponta de escárnio.

Aquilo foi como uma lâmina atravessando o peito de Lívia, deixando-a atônita.

Pedro desviou o olhar para a mesa: “Já que é assim, a Diretora Lívia pode beber o restante das rodadas por todos aqui.”

Todos na mesa demonstraram reações variadas, mas ninguém ousou dizer uma palavra.

Lívia recobrou o sentido e respondeu com uma única palavra: “Certo.”

Ela pegou a taça e bebeu tudo de uma vez.

O álcool desceu queimando no estômago.

Em suas lembranças, ela sofria constantemente com gastrite na faculdade, e havia alguém que nunca a deixava beber nem sequer um gole de vinho morno…

Na realidade, após o primeiro copo, ela não parou e continuou bebendo um atrás do outro.

Quando faltavam apenas dois copos, Pedro rugiu de repente: “Já chega!”

Mas Lívia agiu como se não tivesse ouvido. Só depois de beber o último gole ela virou a taça diante de Pedro e sorriu com elegância: “Este brinde é por minha conta. Por favor, Sr. Pedro, não guarde ressentimentos do passado.”

O rosto de Pedro estava frio como gelo. Após um longo silêncio, ele soltou apenas duas palavras: “Sente-se.”

O jantar seguiu com conversas animadas, mas apenas Lívia permaneceu sentada ali, com o rosto levemente pálido.

Assim que os outros executivos se aglomeraram ao redor de Pedro, ela saiu silenciosamente da sala privada.

No banheiro.

Lívia debruçou-se sobre a pia e começou a vomitar.

Depois de muito tempo, a dor em seu estômago finalmente diminuiu.

Ao olhar para a mulher em frangalhos no espelho, Lívia ficou paralisada por um instante, antes de dar um sorriso sarcástico para si mesma.

Ela retocou a maquiagem e saiu do banheiro com a postura ereta.

Assim que atravessou a porta, porém, foi prensada contra a parede!

Seu coração disparou de pavor, mas, ao levantar a cabeça, viu que era Pedro.

Sob a luz fraca, ele deu um sorriso frio: “Bajulação? Adulação? Lívia, como você se tornou a pessoa que você mais desprezava?”

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