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《O Recomeço de Clarissa》Capítulo 12

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Antes que Clarissa conseguisse agradecer a gentileza da amiga, uma jovem cruzou a entrada da pousada de forma agressiva.

Ela invadiu o espaço exigindo em tom alto:

— Onde está a Clarissa? Exijo que ela apareça agora mesmo!

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A postura hostil da recém-chegada indicava um ressentimento profundo guardado contra Clarissa.

Melisa acompanhou a cena e comentou com um sorriso irônico direcionado à amiga:

— Parece que a calmaria da minha pousada foi substituída por um movimento intenso no dia de hoje, graças ao seu histórico.

A observação foi dita em tom de brincadeira, mas trazia o incômodo com o tumulto instalado no ambiente que costumava ser pacífico.

Mal a frase foi concluída, a porta de acesso foi empurrada com violência mais uma vez.

Jonathan entrou no recinto com a expressão fechada e, ao localizar Gabriela no espaço, direcionou a irritação imediatamente para ela, questionando em tom ríspido:

— Qual o motivo de você ter rastreado o meu deslocamento até aqui?

Gabriela ignorou a cobrança do empresário, mantendo o olhar fixo nele com uma fisionomia de pura frustração e mágoa, respondendo em tom elevado:

— Por que você adotou essa postura de isolamento e recusa em me atender nos últimos dias?

Na sequência, ela apontou o dedo de forma agressiva na direção de Clarissa, exibindo rancor na expressão ao disparar:

— Com certeza é essa mulher quem está manipulando as suas decisões para impedir o nosso contato!

Clarissa limitou-se a erguer as mãos em um gesto de neutralidade, sinalizando que não tinha qualquer envolvimento com o comportamento deles.

Ela não nutria o menor interesse em fazer parte das discussões ou das dinâmicas desestruturadas daquele par; em sua mente, a decisão de romper o vínculo matrimonial era definitiva e o foco estava em concluir os trâmites do divórcio o quanto antes.

Jonathan encarou a conduta descontrolada de Gabriela com impaciência, subindo o tom de voz de forma fria e catégorica para encerrar o assunto:

— Acredito que os termos da nossa conversa no escritório foram bem claros, não foram?

— Meu afeto sempre pertenceu exclusivamente à Clarissa, o envolvimento com você não passou de um entretenimento sem importância na minha rotina.

A declaração funcionou como um golpe direto na autoestima de Gabriela.

Naquele instante, o objetivo dele era cortar qualquer vínculo pendente com a funcionária, deixando evidente que ela nunca representara uma prioridade em sua vida e que a traição fora apenas um desvio de conduta que ele pretendia apagar.

Gabriela sustentou o olhar de Jonathan com uma fisionomia de total choque e humilhação, incapaz de processar a rispidez do homem que outrora lhe dispensara atenção e mimos.

— Jonathan, essa postura fria não condiz com as atitudes que você tinha comigo no passado! — A voz dela saiu trêmula pelo impacto da rejeição. — Você validava as minhas vontades e aceitava as minhas oscilações de humor com total paciência.

Ela tentava resgatar os detalhes da convivência fora do escritório, buscando naquelas memórias algum argumento para reverter o descarte atual.

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— Toda vez que eu desdenhava da Clarissa na sua presença, você fingia uma censura profissional, mas o seu olhar entregava cumplicidade e afeto. Eu depositei sentimentos reais nessa história, e agora você resume tudo a um capricho passageiro?

O desabafo evoluiu para um tom de desespero, com as lágrimas acumuladas nos olhos que ela israelita não deixar cair por orgulho.

Ao escutar a menção ao nome da esposa, Jonathan buscou o rosto de Clarissa com agitação.

O receio dele era de que as revelações della funcionária dessem ainda mais peso à rejeição que Clarissa sentia, eliminando qualquer margem de aproximação.

Dessa forma, ele cortou a fala de Gabriela com uma ameaça direta:

— Meça as suas palavras no recinto, caso contrário, utilizarei os registros fotográficos privados que você me enviou para encerrar a sua reputação no setor.

A abordagem intimidatória revelava o desespero dele para silenciar a moça e retirá-la do local, tentando preservar o que restava da sua pose.

— Você é um covarde! — Gabriela exclamou com o corpo trêmulo de raiva, com as feições transformadas pela indignação diante da baixeza do recurso utilizado por ele.

— Eu agi com covardia? — Jonathan rebateu com uma risada fria. — No período em que você mantinha o vínculo com o Sr. Zanini, a sua postura foi simular vulnerabilidade em um jantar corporativo para atrair a atenção de um homem casado, esqueceu desse detalhe?

Ele expôs o histórico dela sem qualquer hesitação, quebrando o que restava da dignidade de Gabriela diante das outras pessoas presentes na sala.

— O envio daquelas imagens partiu da sua própria iniciativa, portanto, não tente adotar uma postura de total integridade agora.

A rispidez dele destruiu a autoestima da jovem por completo.

Clarissa e Melisa acompanhavam a dinâmica em silêncio, trocando olhares que misturavam curiosidade e ironia diante dos bastidores daquela relação.

No meio daquele confronto tenso, ambas se mantinham na posição de espectadoras de um espetáculo degradante promovido pela falta de caráter dos envolvidos.

Gabriela, contudo, redirecionou a agressividade na direção de Clarissa, encarando-a com um sorriso cínico carregado de deboche e superioridade:

— Clarissa, sua estratégia de manipulação é impressionante, adotando o afastamento apenas como recurso de barganha.

— Você utilizou a própria perda gestacional como ferramenta de chantagem emocional, abrindo mão da criança para garantir que o Jonathan permanecesse dependente da sua aprovação por toda a vida, uma atitude extremamente cruel.

A tentativa de ataque pessoal buscava desestabilizar a firmeza de Clarissa para equilibrar a balança da humilhação sofrida.

A fisionomia de Clarissa tornou-se rígida e fria. Sustentando o olhar da jovem com total autoridade, ela respondeu sem hesitar:

— Permitir o nascimento de um indivíduo em uma estrutura familiar contaminada por mentiras e deslealdade como esta seria a verdadeira crueldade com a vida dele.

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— Em relação ao Jonathan, a sua análise sobre a relevância dele na minha vida está equivocada; um indivíduo desprovido de caráter como ele não tem a capacidade de gerar um sentimento de perda duradouro em mim.

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— Inclusive, a simples perspectiva de manter qualquer vínculo de dependência emocional com ele me causa uma repulsa insuportável.

A clareza do posicionamento dela deixou evidente que o casamento estava encerrado de forma definitiva e que as justificativas de Jonathan não tinham qualquer peso em suas decisões.

Jonathan, afetado pela desconstrução da sua imagem diante da esposa e pela humilhação de ter os detalhes da sua conduta expostos, perdeu o controle emocional.

Sentindo o orgulho ferido diante da plateia, ele descontou a frustração em Gabriela.

Em um movimento rápido e ríspido, ele desferiu um golpe contra o rosto da funcionária.

O impacto seco ecoou na recepção da pousada, deixando uma marca avermelhada imediata na pele dela.

Gabriela soltou uma exclamação de dor pelo baque físico.

Embora atordoada pela agressão repentina, ela reagiu segurando as roupas de Jonathan com força no meio do choro, verbalizando acusações e descarregando a raiva acumulada.

Melisa acompanhou o descontrole da situação com desaprovação, pegou o celular e acionou o atendimento policial de forma imediata.

Em poucos minutos, a equipe de segurança pública chegou ao estabelecimento, contendo o tumulto e conduzindo os envolvidos para o distrito policial para o registro formal da ocorrência e dos depoimentos necessários.

A confusão que havia quebrado a rotina do local foi finalizada com a intervenção das autoridades civis.

Antes de ser conduzido para fora da pousada, Jonathan caminhou com passos lentos até a posição de Clarissa, carregando no olhar uma fisionomia de total desolação e apego.

Ele respirou fundo e indagou em tom baixo:

— Clarissa, resta algum posicionamento ou mensagem que você queira direcionar a mim neste momento?

Clarissa ergueu o rosto, sustentando o contato visual com total serenidade antes de pontuar de forma direta:

— Minha recomendação é que você elimine os arquivos privados daquela funcionária dos seus dispositivos. A conduta dela reflete uma total ausência de amor-próprio, mas utilizar esse material como ferramenta de intimidação e controle demonstra uma baixeza moral idêntica da sua parte.

As palavras dela foram ditas sem qualquer intenção de poupá-lo, expondo a repulsa que sentia pelas dinâmicas degradantes que ele alimentava fora de casa.

— Além disso, certifique-se de comparecer ao cartório civil assim que o prazo legal do divórcio for encerrado para a assinatura final dos papéis.

O tom dela era calmo e resoluto, tratando o encerramento do casamento como uma etapa burocrática necessária e inevitável.

Na mente dela, o relacionamento não apresentava qualquer possibilidade de restauração, e o foco era romper os vínculos e seguir em frente de forma definitiva.

Ao escutar as determinações da esposa, o semblante de Jonathan foi tomado por uma fisionomia de total desespero e perda.

Ele permaneceu estático diante dela por alguns segundos, com os lábios cerrados, parecendo lutar para articular alguma defesa, mas a clareza da postura de Clarissa tirou qualquer espaço para argumentações.

O peso das consequências de suas próprias escolhas parecia sufocá-lo naquele instante. Ele compreendia que as pontes haviam sido destruídas e que restava apenas o distanciamento formal entre os dois.

Com a saída definitiva de Jonathan e o encerramento daquela sequência de confrontos, a calmaria retornou ao ambiente da pousada. Clarissa sentiu um alívio imediato no peito, como se retirasse um peso imenso que limitava seus movimentos.

Ela organizou uma bicicleta compartilhada na calçada para fazer um passeio pelas vias turísticas da cidade, aproveitando o final da tarde.

Antes de iniciar o trajeto, Melisa fez uma recomendação em tom descontraído:

— Tente não estender o passeio até muito tarde, pois recebi a confirmação de um grupo de estudantes universitários para uma dinâmica de entretenimento na sala principal hoje à noite.

Clarissa assentiu com um sorriso e empurrou a bicicleta em direção à calçada.

O sol iniciava o movimento de descida no horizonte, colorindo o céu com tonalidades quentes de laranja e dourado no fim do dia.

Movimentando os pedais com leveza, ela sentiu o vento frio da serra inflar o tecido da roupa, acompanhando o balanço suave dos seus movimentos na avenida principal.

A sensação de liberdade e a fluidez do deslocamento trouxeram uma leveza que há muito tempo ela não experimentava, observando a arquitetura local com tranquilidade.

O trajeto simples proporcionou um sentimento de paz e autonomia interior.

Após superar os meses de desgaste emocional, discussões familiares e quebras de confiança, aquela atividade corriqueira funcionou como a primeira confirmação real de bem-estar na sua nova trajetória.

A ausência de cobranças, mentiras ou interferências externas permitiu que ela desfrutasse da própria presença com total tranquilidade.

Fim

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