localização atual: Novela Mágica Moderno O Eco da Traição Capítulo 1

《O Eco da Traição》Capítulo 1

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Capítulo 1

Beatriz era conhecida na equipe de busca e salvamento em grandes altitudes como a "guerreira incansável".

Sua habilidade especial de identificar posições através do som, em incontáveis desastres noturnos onde não se via nada, permitiu que ela resgatasse sobreviventes a partir do som do vento, do fluxo da água e até mesmo de respirações fracas.

No entanto, no dia do seu segundo aniversário de casamento, durante um incêndio explosivo, ela salvou uma criança e teve os tímpanos completamente perfurados pela onda de choque, ficando quase surda.

De repente, os rumores se espalharam.

Todos diziam que uma mulher surda não era digna do capitão mais jovem e promissor da equipe de busca e salvamento, Eduardo.

O divórcio era apenas uma questão de tempo.

Mas ninguém esperava que Eduardo começasse a aprender a língua de sinais.

Diante de toda a equipe, ele prometeu solenemente que, mesmo que Beatriz nunca mais pudesse ouvir, ele seria os ouvidos dela para o resto da vida.

Beatriz ficou comovida com sua profunda demonstração de afeto.

Para não se tornar um fardo e para poder voltar a voar lado a lado com ele sob o céu azul, ela escondeu de todos e realizou, secretamente, uma cirurgia de implante coclear.

Foi um caminho de espinhos que uma pessoa comum mal conseguiria imaginar: inúmeras reações de rejeição, dores de cabeça lancinantes, náuseas e vômitos.

A cada vez que ligava o aparelho para os ajustes, o som da eletricidade parecia agulhas de aço perfurando seu cérebro.

Ela cerrou os dentes e suportou tudo.

Quando finalmente conseguiu ouvir com clareza o rugido das pás do helicóptero do lado de fora da janela, comprou imediatamente uma passagem para a base de treinamento conjunto no exterior.

Ela queria contar a boa notícia a Eduardo o mais rápido possível e fazer uma surpresa imensa.

Por causa dessa surpresa, ela fingiu que continuava surda.

Porém, quando chegou cheia de expectativa à entrada do campo de treinamento, o que viu foi outra cena.

Seus antigos companheiros de equipe estavam cercando uma menina de uns cinco ou seis anos com marias-chiquinhas, brincando com ela.

"A pequena Sofia é muito corajosa, superou o trauma do acidente aéreo tão rápido, herdou perfeitamente os genes do Capitão Eduardo."

"Nem olhem de quem ela é filha, nossa Irmã Helena foi a melhor socorrista daquela época, a filha não poderia ser diferente, certo?"

Nesse momento, uma voz doce soou, carregada de exibicionismo.

"É que ela foi mimada demais pelo pai, ontem insistiu que o Eduardo a levasse para um voo, nem eu, que sou a mãe, consigo controlar!"

Helena!

A mulher que fora da sua turma, que depois se aposentou devido a um ferimento e era aclamada como a "socorrista mais bonita".

E aquela menina chamada Sofia, que todos rodeavam, Beatriz conhecia muito bem.

Era exatamente a única sobrevivente que ela salvou há dois anos, arriscando a própria vida ao correr para o mar de fogo da floresta após a queda do avião!

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O cérebro de Beatriz zumbiu; seu implante coclear recém-instalado captou cada palavra com clareza.

Foi exatamente nesse momento que Eduardo a viu.

O sorriso em seu rosto congelou instantaneamente, e um vislumbre de pânico indetectável passou por seus olhos, mas logo foi substituído por uma preocupação gentil.

Ele caminhou rapidamente até ela, gesticulando em sinais de forma tensa e fluida.

【Bia, por que você veio? Por que não me avisou antes? Eu poderia ter ido buscá-la.】

【Você se lembra dela? A socorrista mais bonita daquele ano, Helena. Ela se casou há alguns anos e desta vez trouxe a filha para visitar a base, não pense besteira.】

Enquanto sinalizava, ele usava aqueles olhos cheios de afeto, nos quais ela um dia confiou cegamente, para acalmá-la.

Parecia que Eduardo ainda era o marido amoroso que, após ela perder a audição, escrevia na palma de sua mão: "Serei seus ouvidos para o resto da vida".

Mas o implante coclear de Beatriz enviava cruelmente todos os sons para seu cérebro.

Ela ouviu Helena dizer à filha em tom de ostentação: "Olha, o papai Eduardo te ama tanto".

Ela ouviu os sussurros dos membros da equipe ao redor.

"O Capitão Eduardo trata a filha muito bem."

"A consultora Helena e o Capitão Eduardo juntos, são um par perfeito, combinam demais."

Ela podia ouvir tudo, mas precisava cooperar com aquela mentira desastrosa.

O amante que antes era o mais próximo, estava usando a gentileza que ela mais conhecia para tramar uma farsa dolorosa.

Todo o seu afeto era uma performance cuidadosamente planejada, e a única espectadora era ela.

O coração de Beatriz parecia estar sendo esmagado por uma mão invisível, doendo a ponto de não conseguir respirar.

Contudo, um sorriso surgiu lentamente em seu rosto.

Ela ergueu as mãos e respondeu ao sinal dele.

【Tudo bem, não vou pensar besteira.】

Capítulo 2

Beatriz usou a desculpa de visitar Eduardo para ficar logicamente nos dormitórios da base.

Eduardo parecia aliviado e era extremamente atencioso com ela, como se quisesse compensar algo.

Mas, para Beatriz, aquela gentileza estava repleta de culpa e sondagem.

Naquela noite, o céu estava escuro como tinta.

O som estridente de um alarme rompeu a tranquilidade da base.

Eduardo abriu a porta do quarto de Beatriz abruptamente, com uma ansiedade nunca antes vista.

"Algo aconteceu!"

Ele correu para a cama e, ao ver Beatriz encostada na cabeceira, fragilizada, um vislumbre de remorso passou por seus olhos.

Mas esse remorso logo foi substituído por uma ansiedade ainda mais intensa.

【Helena caiu de um penhasco durante um treinamento noturno de limite! O sinal caiu e não conseguimos encontrar a localização exata!】

Ele encarava Beatriz fixamente, como se estivesse olhando para um instrumento de precisão.

【Apenas sua técnica de identificação sonora pode encontrá-la, venha comigo agora!】

Beatriz apenas o olhou com frieza, sem dizer uma palavra.

Seu silêncio inflamou completamente a ansiedade de Eduardo; ele agarrou o pulso dela com tanta força que parecia que ia quebrar seus ossos.

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【Beatriz, coloque seu equipamento e venha comigo. Isso é uma ordem!】

Ele primeiro usou sua autoridade como capitão para pressioná-la: 【Como socorrista, seu dever é salvar vidas, não importa quem seja a pessoa!】

Beatriz continuou olhando para ele com indiferença, movendo os cantos da boca com desdém.

Ela ergueu as mãos lentamente e sinalizou.

【Meu dever? Capitão Eduardo, seu médico assistente não lhe contou sobre minha condição física?】

【Meu implante ainda não se adaptou completamente; realizar uma missão noturna de alta intensidade agora equivale a autodestruição.】

A respiração de Eduardo travou.

Ele não esperava que ela resistisse tão diretamente.

Ao ver seus olhos gelados, ele ficou com os olhos vermelhos instantaneamente, mas suas mãos não paravam de gesticular; aquela frase soava tanto como uma explicação quanto como uma autohipnose.

【Ela salvou minha vida! Eu devo isso a ela!】

Beatriz deu uma risada fria internamente.

Dívida de gratidão? Ela não se lembrava de Helena ter feito qualquer ato heroico desse tipo.

Ao ver que Beatriz não se movia, Eduardo finalmente perdeu a paciência.

Ele a puxou da cama violentamente, com um tom de desespero, soltando a frase mais cruel de todas.

【Beatriz, estou implorando a você!】

【Considere pelo seu pai! Não esqueça que ele se sacrificou para salvar pessoas, você não pode ficar parada vendo alguém morrer!】

【Eu não posso mais ver alguém que está em perigo por minha causa sofrer!】

Essa frase explodiu no coração de Beatriz.

Seu pai.

Um herói da geração anterior de busca e salvamento, que se sacrificou bravamente para salvar civis durante uma grande enchente.

Aquela era sua fé mais sagrada, e também sua dor mais profunda.

E o atual Eduardo, o homem que ela mais amou e confiou, estava usando o sacrifício de seu pai como moeda de troca para forçá-la a salvar sua rival.

Isso não era apenas um sequestro de sua ética profissional, mas uma profanação cruel da dor de sua família.

Ele colocou a responsabilidade infundada sobre Helena acima do respeito ao seu pai e do cuidado com ela.

Nesse momento, o coração de Beatriz morreu completamente.

Ela foi jogada violentamente por Eduardo dentro do helicóptero.

O rugido do motor, através do implante coclear, transformou-se em uma dor aguda, perfurando seu cérebro.

Mas aquela dor não era nada comparada à crueldade da frase de Eduardo.

Uma dor lancinante a atingiu.

Um líquido quente escorreu lentamente de onde o implante foi colocado atrás de sua orelha, manchando a gola branca de sua roupa de treino.

Capítulo 3

O helicóptero sobrevoava o penhasco.

O uivo do vento forte e o zumbido de sobrecarga do implante se misturavam, como incontáveis agulhas espetando os nervos de Beatriz.

Ela estava pálida, com o uniforme encharcado de suor frio, enquanto Eduardo, ao lado, gritava ansiosamente pelo comunicador.

"Beatriz! Rápido! Se não a encontrarmos agora, ela não terá mais tempo!"

Beatriz fechou os olhos, suportando a dor dilacerante em seu cérebro, concentrando todas as suas forças mentais na audição.

O vento, o som de pedras rolando, e então... um gemido extremamente fraco.

"Direção sudeste, trinta metros abaixo do penhasco, em uma plataforma côncava."

Ela enviou as coordenadas com o que restava de sua consciência e então perdeu a visão, desmaiando completamente.

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