Xênia aproximou-se para envolvê-la em um abraço terno, com a voz embargada pela emoção: "Uma excelente conquista... Lin, a sua dedicação é exemplar."
Samuel estendeu a ela um estojo de veludo.
O interior continha uma chave de bronze, posicionada sobre um bilhete com traços firmes de sua própria caligrafia:
"À minha esposa, Xênia:
Na lição do passado, cometi falhas graves e não alcancei a aprovação; nesta nova história, dedicarei cada segundo da minha existência para aprender e evoluir ao seu lado.
Meu afeto por você permanece inalterado, e zelar pela sua presença constitui o compromisso definitivo da minha trajetória.
— Do seu marido e eterno aprendiz, Samuel."
Xênia virou-se para estreitá-lo em um abraço apertado.
Apoiada contra o peito dele, ouviu a manifestação terna: "Xênia, nesta existência, eu dedicarei todo o meu afeto para zelar pela nossa história."
No interior da biblioteca, os jovens reuniram-se ao redor das mesas de estudo.
Xênia segurou um dos volumes de literatura clássica e deu início à leitura com a sua voz suave e acolhedora.
Samuel e Henrique acomodaram-se nas fileiras do fundo do ambiente.
Henrique comentou em tom baixo: "Papai, a condução das explicações da mamãe transmite muita sensibilidade."
"Sim", assentiu Samuel mantendo o olhar fixo na silhueta de Xênia no tablado. "Por essa razão, o papai assumiu o compromisso de se manter como um eterno aprendiz, acompanhando as lições da mamãe por toda a vida."
Capítulo 19
Dez anos mais tarde, na celebração do centenário do Colégio Estadual de Florianópolis, o grande auditório estava com a sua capacidade totalmente esgotada.
Xênia permanecia de pé no tablado; aproximando-se dos cinquenta anos de idade, pequenas marcas de expressão surgiam ao redor dos seus olhos, e fios prateados misturavam-se aos seus cabelos.
Contudo, o seu olhar mantinha-se tão limpo e luminoso quanto antes, dotado da capacidade de alcançar a sensibilidade de quem a contemplasse.
A plateia reunia a essência de metade de sua trajetória de vida.
Os jovens recém-ingressos na instituição, os estudantes que já haviam se formado e os seus familiares.
Caio ocupava o seu lugar na primeira fileira, consolidado hoje como um dos principais educadores da escola e o seu legítimo sucessor no magistério.
Samuel e Henrique encontravam-se na área reservada aos familiares.
Henrique, agora com dezoito anos, ingressara na faculdade de medicina com o firme propósito de se dedicar ao combate às patologias oncológicas pancreáticas.
Samuel, aos cinquenta e um anos, exibia os cabelos grisalhos nas têmporas, mas mantinha o aperto firme e vigoroso ao segurar a mão do filho.
"Hoje eu gostaria de propor uma reflexão a todos sobre um conceito essencial",
manifestou-se Xênia, com a sua voz suave e penetrante alcançando cada canto do auditório. "A consideração."
As telas de projeção ao fundo foram acionadas — revelando a imagem dela de trinta anos atrás, jovem e tímida, posicionada no limite do tablado do professor.
"Naquele período inicial, eu imaginava que lecionar consistia apenas em transmitir integralmente os conteúdos dos livros didáticos."
"Apenas mais tarde compreendi que o magistério consiste em orientar os jovens sobre o sentido da existência, sobre como manifestar o afeto e como... estreitar os laços com quem amamos antes que ocorra a perda definitiva."
A projeção de imagens foi alterada.
Exibindo a silhueta de Samuel de costas na cozinha de casa.
Vestindo um avental, com os cabelos levemente desalinhados, concentrado em avaliar o tempero de uma refeição.
Leves risadas ecoaram pela plateia.
"O meu marido", continuou Xênia com um sorriso terno, "com quem compartilho uma união de trinta e três anos. Durante os primeiros oito anos da nossa convivência, nós agíamos como completos desconhecidos."
"Foi apenas nos vinte e cinco anos seguintes que aprendemos o real sentido da dedicação mútua."
"Houve um período em que as suas atitudes causaram muitas contrariedades. Contudo, na realidade atual, ele constitui o companheiro mais dedicado e um pai exemplar."
Samuel sentiu os olhos marejarem na plateia.
"O que de fato representa a consideração?", indagou Xênia com a voz levemente oscilante pela emoção. "Representa a certeza de contar com a presença de alguém segurando a sua mão durante toda a noite nos momentos de fragilidade da saúde; representa ouvir uma voz segura dizendo 'mantenha a serenidade, eu estou aqui' diante de seus temores; representa manifestar o seu cansaço e receber um ombro acolhedor para repousar a cabeça."
Ela fez uma breve pausa, respirando fundo antes de prosseguir:
"Houve um instante na minha trajetória em que estive prestes... a perder definitivamente a oportunidade de compreender essa realidade."
As telas de projeção exibiram o laudo de um exame médico contendo as observações: "pâncreas", "área de baixa ecogenicidade" e "lesão pré-oncológica".
O auditório foi tomado por um silêncio absoluto.
"Há treze anos, recebi a confirmação de uma alteração com potencial de evolução severa. O parecer médico indicava que, sem uma intervenção imediata, o desfecho seria o mais grave possível."
"O meu marido invadiu as dependências do centro de diagnósticos e desfez aquele laudo de exames. Ele declarou com firmeza: 'Nesta existência, eu não permitirei que você se afaste de mim'."
Nenhum ruído era ouvido no recinto, exceto por manifestações discretas de profunda comoção por parte do público.
Xênia direcionou o seu olhar para Samuel, deixando que as lágrimas corressem em meio a um sorriso sereno:
"Por essa razão, quero enfatizar a cada um desses jovens: zelem pela estabilidade da sua saúde e dediquem uma atenção real àqueles que estendem um afeto sincero às suas trajetórias. Evitem adiar essas atitudes para que não se deparem com o peso do arrependimento tardio."
Ela fez uma breve pausa e pronunciou em tom baixo:
"Samuel, para esta etapa da nossa jornada... você conquistou a sua aprovação final."
Samuel colocou-se de pé.
Sob os olhares de todo o público presente, ele caminhou gradualmente em direção ao tablado, e cada passo dado assemelhava-se à superação dos erros do passado.
Ele retirou um pequeno estojo do bolso da roupa, revelando em seu interior uma insígnia de ouro do magistério, trazendo a gravação das iniciais dos nomes deles unidas.
"Xênia", manifestou-se ele com a voz embargada pela emoção, "há trinta e três anos nós oficializamos a nossa união, mas eu era totalmente desprovido da capacidade de agir com a devida consideração."
"Foi apenas diante da iminência da perda definitiva, há vinte e cinco anos, que compreendi a importância de zelar pela sua presença. Há treze anos você me estendeu uma nova oportunidade para reaprender e conduzir as minhas atitudes de forma correta."
"No momento atual, eu solicito a permissão para me manter como o seu eterno aprendiz pelo resto dos nossos dias."
Ele fixou a insígnia no traje dela, fazendo uma reverência profunda:
"Professora Xênia, peço as suas orientações para a nossa caminhada futura."
Uma expressiva salva de palmas ecoou por todo o auditório.
Henrique correu em direção ao tablado, envolvendo a mãe e o pai em um abraço terno, exclamando com entusiasmo:
"Eu também faço parte deste momento! Eu também me mantenho como um eterno aprendiz das lições da minha mãe!"
Aquelas três silhuetas mantiveram-se firmemente unidas no centro do tablado.
A luminosidade dos registros fotográficos preenchia o ambiente, mas era incapaz de ofuscar a solidez daquela harmonia familiar reconquistada.
Após o encerramento das atividades da celebração, os três dirigiram-se às dependências do parque costeiro.
Xênia contemplava o movimento das águas e ponderou em tom baixo: "Samuel, você guarda a lembrança? Naquela trajetória anterior, foi exatamente neste local que eu..."
"Evite reviver essas recordações", interveio Samuel segurando a mão dela com total firmeza. "Aquelas adversidades pertencem ao passado. Nesta existência, essa possibilidade está totalmente descartada."
Henrique dedicava-se a recolher elementos na areia da praia, erguendo um pequeno espécime de concha de forma repentina: "Mamãe! Acompanhe a ressonância deste elemento!"
Xênia recolheu o objeto, posicionando-o junto ao ouvido.
O som das ondas do mar, as correntes de vento e... uma reverberação distante e de extrema suavidade, assemelhando-se a uma saudação carinhosa.
"O que de fato consegue distinguir?", questionou Samuel.
Xênia afastou o objeto do ouvido, exibindo um sorriso sereno: "Consigo distinguir... a confirmação da nossa harmonia atual."
A luz do entardecer estendia a silhueta dos três no chão, unindo as suas projeções de forma integrada.
Samuel mantinha uma das mãos unida à da esposa e apoiava a outra sobre os ombros do filho:
"Xênia, caso o destino nos reserve uma nova existência futura..."
"Não há necessidade de idealizarmos o futuro", respondeu Xênia apoiando a cabeça no ombro dele. "A realidade atual demonstra-se plenamente satisfatória."
Henrique manifestou-se com um sorriso: "Papai, mamãe, a demonstração de afeto de vocês é excessivamente melosa."
No trajeto de retorno de carro, Henrique adormeceu no banco traseiro.
Xênia mantinha a cabeça apoiada no ombro de Samuel e indagou em tom baixo: "Você guarda a lembrança das minhas últimas palavras naquela trajetória anterior?"
"Guardo perfeitamente", respondeu Samuel estreitando o aperto de suas mãos. "Você declarou: 'Samuel, diante das circunstâncias atuais, este constitui o nosso distanciamento definitivo'."
"E qual seria a afirmação correta para o momento presente?"
"No momento presente", Samuel virou a cabeça para encará-la, deixando que toda a ternura transparecesse em seu olhar, "a sua afirmação corresponde a: 'Samuel, diante da realidade atual, a nossa união permanece indissolúvel'."
Xênia deixou que um sorriso surgisse em suas feições, permitindo que as lágrimas corressem livremente em meio à emoção.
Contudo, desta vez, tratava-se de uma manifestação reconfortante e doce.
O veículo conduzia-os em direção à sua residência.
O local que contava com a claridade das luzes acessas, o preparo cuidadoso das refeições e a solidez de uma história de trinta e tres anos construída em meio à superação de falhas e fortalecida pelo afeto mútuo.
E a perspectiva... de um futuro promissor que se iniciava naquele exato instante.
A caminhada terrena demonstrar-se-ia longa e harmoniosa.
O suficiente para que dedicassem cada segundo restante na manifestação de um afeto sincero e no cultivo da mútua consideração.
Até a maturidade completa das feições, até o encerramento do próprio tempo.
FIM DA OBRA