Capítulo 1
Quando Sabrina era apenas uma bebê na tradicional brincadeira de adivinhar o futuro, suas mãozinhas agarraram com firmeza as mãos dos dois herdeiros que cresceram ao seu lado.
O mais velho era Arthur, um rapaz educado, gentil e de uma postura impecável.
O mais novo era Alex, rebelde, indomável e intenso em tudo o que sentia.
Os dois travaram uma batalha silenciosa e feroz pela atenção dela durante longos dezoito anos.
No final, Sabrina escolheu Arthur para ser seu marido.
Contudo, em uma noite de paixão ardente, Arthur se aproximou de seu pescoço e sussurrou com a voz rouca: "Cunhada".
Aquela palavra deixou a mente de Sabrina em um caos absoluto.
Ao ver o homem se afastar e se levantar da cama, ela agiu por impulso, segurando o braço dele com a voz trêmula.
"Quem é você afinal? Arthur ou Alex?"
O homem se virou, e em suas feições marcadas e profundas, além do desejo saciado, havia apenas uma imensa gentileza.
"Sasa, mesmo que o Alex seja meu irmão gêmeo, eu fico com ciúmes quando você fica pensando nele desse jeito."
Dito isso, ele caminhou em direção ao banheiro.
O som da água do chuveiro começou a ecoar, e a mente de Sabrina foi arrastada de volta ao passado.
Na elite da alta sociedade de São Paulo, a poderosa família dos herdeiros contava com os gêmeos Arthur e Alex.
Os dois eram idênticos na aparência, mas tinham personalidades completamente opostas.
Arthur era o exemplo de integridade e nobreza, sendo nomeado o sucessor oficial aos dezenove anos, tornando-se o modelo ideal de jovem aristocrata.
Alex, por outro lado, era arrogante e implacável, reagindo com vingança a qualquer provocação desde a infância, a ponto de muitos dizerem que ele era a personificação da rebeldia.
Os irmãos competiam em segredo por Sabrina, alimentando uma rivalidade masculina que durou mais de uma década.
No cinema, se Arthur oferecia pipoca a ela, Alex dava um jeito de derrubar o balde;
No jantar, se Arthur cortava o filé para ela, Alex escondia os talheres.
Ela nunca gostou do jeito obsessivo de Alex, por isso, ao crescer, aceitou a declaração de Arthur.
Inconformado, Alex cometeu a loucura de sequestrá-la e mantê-la confinada na Islândia por um mês, tratando-a como sua propriedade exclusiva.
Ao descobrir, Arthur foi resgatá-la e confrontou o irmão; durante a violenta briga entre os dois, Alex caiu no mar e desapareceu sem deixar rastros.
Esse trauma deixou marcas profundas na mente de Sabrina.
O som do trinco da porta interrompeu seus pensamentos, e a névoa do banheiro se espalhou quando o homem saiu, já vestido.
"Sasa, o pessoal ainda está lá embaixo esperando para comemorar o meu aniversário. Vou descer para recebê-los, descanse mais um pouco."
Ele se inclinou e deixou um beijo suave na testa dela.
Aquele toque familiar acalmou o pânico que começava a surgir no peito de Sabrina.
Depois que ele saiu, ela tentou afastar os pensamentos ruins, levantou-se, arrumou-se e desceu as escadas.
De longe, Sabrina avistou o homem conversando e rindo animadamente com alguns amigos na sala de estar.
Um sorriso começou a surgir em seus lábios, mas ela estancou ao ouvir uma voz ecoar pelo ambiente.
"Cara, você cansou a sua cunhada lá em cima por um bom tempo, hein, Al? A gente achou que você nem ia descer hoje."
"Eu sempre digo, você é um ator de primeira. Fingiu ser o seu irmão perfeito e passou três anos na cama da sua cunhada."
"No passado, ela nem olhava na sua cara por mais que você implorasse, e agora ela se entrega todas as noites, deixando você fazer o que quiser com ela."
Aquelas risadas carregadas de deboche e malícia fizeram Sabrina congelar, como se sua mente tivesse explodido.
Como isso era possível? Como Arthur na verdade era Alex?
Ela fixou os olhos na silhueta de terno sob as luzes da sala; aquele queixo ligeiramente erguido e o ar de arrogância descontraída começaram a se alinhar perfeitamente com a lembrança que tinha de Alex.
Será que, durante esses três anos, o homem com quem ela viveu dia e noite era Alex?
Antes que ela pudesse processar tudo, a porta principal da mansão se abriu.
Sabrina olhou na direção do som e viu uma figura imponente e elegante entrar.
O homem vestia um terno de alta costura, exalando uma aura de extrema nobreza, com um rosto idêntico ao do homem que estava sentado na sala.
A única diferença era o broche dourado preso na lapela, o símbolo máximo do líder da família.
Aquele era o verdadeiro Arthur.
Nesse instante, Sabrina começou a tremer incontrolavelmente, cravando as unhas na palma da mão até quase sangrar.
Arthur caminhou diretamente até Alex, sua voz mansa carregando uma autoridade inquestionável.
"Alex, não passe dos limites. Eu permiti que você ficasse ao lado dela usando o meu nome, mas não para machucá-la."
Alex ergueu as sobrancelhas, exibindo um sorriso carregado de ironia.
"Meu irmão, foi você quem disse que via Sabrina apenas como uma irmã e que precisava ir atrás daquela sua secretária. Foi você quem planejou essa troca para que eu cumprisse os 'deveres de marido'."
"Se está arrependido, podemos destrocar agora. Só não esqueça que o velho exigiu um neto para este ano. Se você não se importar de pegar o que já foi usado, vá em frente e deite-se com ela."
Arthur permaneceu em silêncio, mas suas feições nobres se contraíram levemente.
A expressão de repulsa no rosto dele foi como um balde de água fria, destruindo a última ilusão que ainda restava no coração de Sabrina.
Capítulo 2
Enquanto os risos continuavam ecoando ao longe, Sabrina retornou sozinha para o quarto.
Ela se sentou diante da penteadeira, encarando o próprio rosto pálido refletido no espelho.
No segundo seguinte, abriu a gaveta interna e retirou um documento de divórcio que já trazia uma assinatura.
Aquele papel havia sido assinado e entregue a ela pelo próprio Arthur no dia do casamento.
"Sasa, é a minha primeira vez sendo marido, então este é o seu porto seguro. Se algum dia eu falhar com você ou fizer você sofrer, use isso para me cobrar."
Naquela época, Sabrina não entendeu por que o porto seguro de Arthur seria um acordo de divórcio.
Ele sempre a protegeu com doçura e dedicação desde a infância, tratando-a como uma joia preciosa.
Toda vez que Alex tentava provocá-la, era Arthur quem se colocava à frente para protegê-la.
Mesmo quando ela foi resgatada do sequestro de Alex e todos cochichavam que ela havia perdido a pureza e não era mais digna dele, Arthur permaneceu ao seu lado.
Ele a acompanhou às consultas psicológicas e, ignorando os falatórios da alta sociedade, realizou um casamento que parou a cidade.
Ela realmente acreditou que ele a amava.
Mas hoje a verdade veio à tona.
Arthur a via apenas como uma irmã, e por isso havia preparado o divórcio desde o início, garantindo uma saída para ela.
Uma angústia fina e dilacerante voltou a apertar seu peito, como se agulhas a perfurassem repetidamente.
Sabrina engoliu a dor e, sem hesitar, segurou a caneta e assinou o próprio nome no documento.
Arthur não a amava, a ponto de planejar uma troca de identidade com o irmão para enganá-la.
Sendo assim, aquele casamento não tinha mais razão de existir.
Guardando o documento, Sabrina se preparou para ir ao cartório imediatamente.
Nesse momento, batidas leves soaram na porta.
Logo em seguida, o verdadeiro Arthur entrou no quarto, perguntando com suavidade:
"Sasa, conseguiu descansar?"
Sabrina guardou o documento de forma discreta, encarou o homem e esboçou um sorriso forçado. "Sim."
Arthur estendeu a mão para ela com naturalidade.
"Então vamos descer, tenho uma surpresa para você."
Os dois voltaram para a sala de estar, onde a festa de aniversário continuava animada.
Ao lado de Alex, estava uma mulher vestindo um elegante vestido rosa, com um sorriso radiante no rosto.
Ao se aproximarem, a voz aveludada de Arthur soou bem perto do ouvido de Sabrina.
"Sasa, o Alex está bem, ele voltou hoje. Ele quer se desculpar pessoalmente com você pelo que aconteceu no passado."
Assim que ele terminou de falar, Alex olhou para Sabrina, mantendo aquele sorriso rebelde e despreocupado nos lábios.
"Cunhada, eu era jovem e agi por puro impulso e possessividade no passado. Peço desculpas pelo transtorno."
Dizendo isso, ele passou o braço pela cintura da mulher ao seu lado, mudando o tom de voz para algo mais íntimo.
"Esta é a Natália, minha namorada. Ela me resgatou quando eu caí no mar naquela época. Nestes últimos anos, ela conseguiu domar o meu gênio difícil, eu me rendi."
Em seguida, Natália sorriu e acrescentou: "Olá, Sabrina, quanto tempo. Quem diria que terminaríamos como concunhadas."
O sorriso dela era doce, mas seus olhos estavam fixos em Arthur.
Sabrina piscou devagar, finalmente reconhecendo aquela mulher.
Natália havia trabalhado na empresa da família e era a secretária pessoal de Arthur.
Ela havia se apaixonado por Arthur e chegou a desafiar abertamente Sabrina, a esposa legítima.
Mas, na época, Arthur havia ficado furioso e a demitido.