Capítulo 44
"Pri, prima..."
Wilma se levantou com medo ao ver Giselle e estava prestes a se afastar, quando Mateus agarrou seu pulso.
Só que Mateus disse sem diminuir a velocidade: "Por que está fugindo? Ainda não terminou. Eu não disse para parar; continue ajoelhada limpando."
"...Sim, Sr. Prado."
Wilma se ajoelhou e engraxou os sapatos de Mateus.
Mateus então se recostou na cadeira do escritório e disse a Giselle: "Giselle, há coisas que você não faz, mas sempre haverá alguém disposto a fazê-las por você, e... até melhor do que você faria."
"Sr. Prado, não vim aqui para ver você me dar nojo."
O tom de Giselle era frio.
Mateus disse incrédulo: "Basta você se ajoelhar diante de Helena e pedir desculpas, e eu posso fingir que nada aconteceu. O noivado daqui a dois dias ocorrerá como planejado, e ainda farei um grande investimento na família Araújo."
Vendo que Giselle não disse nada, Mateus bufou friamente e disse: "Apenas se ajoelhe e peça desculpas. Seus joelhos sempre foram flexíveis, Giselle. Você já se ajoelhou antes, por que não pode fazer isso agora?"
Falando isso, Mateus se levantou, foi até o lado de Giselle e disse: "Se você vai ser um capacho, então aja como tal. Você não era obediente antes?"
Giselle sentiu a proximidade de Mateus, sentiu um calafrio no coração, deu um passo para trás, aumentando a distância entre eles, e finalmente se sentou no sofá de visitas ao lado, dizendo: "Sr. Prado, deixe-me lembrá-lo que, se não fosse minha tia me implorando para vir, eu nem estaria aqui. Quanto a mim, Giselle, se o Sr. Prado quiser retirar o investimento ou causar destruição deliberada, não me importo. Quanto a pedir desculpas à Srta. Torres..."
Giselle olha para Mateus e sorri: "Não fui eu quem colocou a faca em seu pescoço forçando-a a se cortar, por que eu deveria pedir desculpas?"
Com essas palavras, o sorriso no rosto de Mateus se fechou.
A atitude indiferente de Giselle fez com que Mateus sentisse um suspiro reprimido em seu coração, que não podia ser aliviado.
Mateus disse friamente: "Giselle, pense bem antes de falar."
"Sr. Prado, eu pensei bem, e não vou pedir desculpas," disse Giselle. "Você pode perguntar cem vezes, e a resposta será a mesma."
Vendo a tensão no ar, Wilma correu para a frente de Giselle e disse: "Prima! Eu sei que não deveria ter vindo procurar o Sr. Prado, mas por favor, não fique brava com o Sr. Prado! Nossa família Araújo só chegou onde está graças ao Sr. Prado! Se o Sr. Prado retirar o investimento, nossa família Araújo estará acabada!"
"Srta. Dias, permita-me também lembrar-lhe de algo: você é uma Dias, não uma Araújo. O que os assuntos da família Araújo têm a ver com você?"
As palavras incisivas de Giselle fizeram a cor do rosto de Wilma desaparecer instantaneamente.
"Muito bem! Muito bem!" Mateus riu exasperado com a Giselle à sua frente: "Deu um mergulho na piscina e a cabeça encheu de água, até falando ficou mais audaciosa!"
"Sr. Prado me lisonjeia, e agradeço por ter jogado o anel na piscina; foi o que me fez acordar."
Giselle falou com um tom sereno: "Tudo o que eu quero é apenas estar com a pessoa de quem gosto, mas como pode existir amor em um casamento que desde o início é desigual? Portanto, Sr. Prado, não só não vou pedir desculpas, como também não vou ficar noiva do senhor. Por favor, Sr. Prado, vá procurar alguém novo; se o senhor realmente não pode se casar com a Srta. Torres, a Srta. Dias seria uma boa candidata."
Falando nisso, Giselle olhou para Wilma e disse: "Pelo menos ela estava disposta, como eu estive um dia, a fazer qualquer coisa por você, sem fronteiras ou limites."
Diante dessas palavras, Mateus franziu a testa.
Depois que Giselle saiu, Wilma se apressou em se aproximar, criticando Giselle abertamente: "Sr. Prado, minha prima foi muito indelicada... Eu peço desculpas em nome dela..."
"Vá se foder!"
A súbita explosão de raiva de Mateus fez com que Wilma empalidecesse de medo.
Wilma, não querendo provocar Mateus, saiu correndo, chorando.
Fora do escritório, Bruno entrou, com uma expressão sombria no rosto, e disse: "Sr. Prado... a Srta. Araújo... ela se foi."
A expressão de Mateus ficou sombria, e Bruno não ousou dizer mais nada.
Depois de um longo silêncio no escritório, Mateus finalmente falou: "Eu era tão ruim assim com ela?"
"... O Sr. Prado quer ouvir a verdade?"
Ao ouvir isso, Mateus deu uma olhada para Bruno.