Já conhecendo a falta de seriedade de Tiago, respondi sem jeito: "Cuide de você mesmo."
Assim, as coisas ficaram decididas.
Tiago e Mateus foram na primeira leva para a área do desastre; eu e Cassius ficamos para, junto com outros colegas da cirurgia cardíaca, concluir a operação do paciente.
O tempo era escasso; quanto mais cedo chegassem, mais vidas poderiam salvar.
Os médicos da primeira leva embarcavam sucessivamente.
Mateus olhava para mim através da janela do ônibus; eu observava do lado de fora do hospital.
O ônibus ligou o motor.
Movido por um impulso, ele baixou a janela: "Esperarei por você, ou você espere por mim."
Assenti, respondendo apenas com uma palavra: "Certo."
Mas essa única palavra foi o suficiente para trazer paz a Mateus.
Logo o ônibus se afastou.
Até muito tempo depois, Mateus não desviou o olhar.
Tiago, já impaciente, comentou ao lado: "Chega, senhor 'Estátua que Espera a Esposa', a essa distância já não dá mais para ver nada."
Mateus voltou à sua posição, mas não disse nada.
Tiago, animado, aproximou-se: "Já fizeram as pazes? Não faz nem algumas horas que vocês saíram do hospital, não foi rápido demais?"
Mateus olhou para ele: "Você já namorou?"
Tiago ficou surpreso: "Claro, eu..."
"Pela cara, nunca namorou." Mateus concluiu com firmeza: "Com certeza você é rejeitado todo dia."
Tiago levantou-se como um gato arrepiado: "Mateus, eu não falo nada sobre você ser um 'gado' que esquece os amigos, mas agora você ainda vem cutucar feridas? Você foi longe demais!"
Mateus o conteve: "Silêncio, todos precisam dormir um pouco, senão não terão energia ao chegar."
Tiago sentiu-se frustrado e ameaçou baixinho: "Espera só até voltarmos; eu vou perguntar cada detalhe do que aconteceu hoje à noite."
Havia uma viagem de seis horas até a cidade vizinha.
Ao chegarem, tudo o que viam eram ruínas por toda parte.
Capítulo 43
Após o terremoto, a maioria das construções desabou.
As equipes de resgate locais, juntamente com outras que chegaram durante a noite de diversas cidades, lutavam para salvar as pessoas presas sob os escombros.
Os médicos do Hospital Qiming também se dedicaram imediatamente e com todas as forças ao resgate dos feridos.
Desde o momento em que desceu do veículo, Mateus não parou um segundo sequer.
Ele chegou até a acompanhar as equipes de resgate a espaços confinados sob as estruturas colapsadas para tentar salvar vítimas.
Do dia à noite, ele esteve tão ocupado que nem percebeu o celular vibrar no bolso.
Somente quando finalmente conseguiu um tempo para descansar à noite, viu as mensagens enviadas por Sofia.
Sem forças para digitar, ele ligou diretamente.
Do outro lado, a chamada foi atendida quase instantaneamente: "Mateus, como você está? Por que não respondeu minhas mensagens?"
Apoiado na cadeira, Mateus deu um sorriso cansado, mas feliz: "Desculpe, eu realmente não tive tempo. Fique tranquila, estou bem, não aconteceu nada."
"O dia de hoje foi bom, não houve mais tremores secundários."
Senti um alívio claro: "Que bom que você está bem... Ah, hoje confirmamos o plano cirúrgico do paciente. Não posso dizer que o sucesso é de cem por cento, mas temos oitenta e sete."
"Oitenta e sete." Mateus soltou uma leve risada: "A Dra. Sofia continua sendo cautelosa."
Ele se lembrou de que, nos tempos de estudante, Sofia sempre fora a mais rigorosa de todos.
Senti meu rosto esquentar e, contendo o tom de voz, fingi não ouvir a provocação: "Depois de concluir a cirurgia amanhã de manhã, poderei ir com o segundo grupo à tarde."
"Mateus, nos veremos muito em breve."
Mateus sentiu seu coração aquecer, como se estivesse imerso em águas termais.
Ele nunca soubera que uma frase dita através de um telefonema pudesse fazer seu cansaço desaparecer instantaneamente.
"Certo, estarei esperando por você."
Assim que terminou de falar, a terra sob seus pés tremeu violentamente.
Mateus ficou atônito; antes que pudesse reagir, ouviu o grito de Tiago atrás dele: "Mateus, corra! É um tremor secundário!"
A fatalidade aconteceu de forma inesperada.
Mateus não teve tempo nem de desligar o telefone antes de sentir o chão sob seus pés desaparecer.
Em seguida, ele despencou e, num instante, perdeu a consciência!
Antes de cair na escuridão, ele só conseguiu ver o rosto desesperado de Tiago.
Não sei quanto tempo se passou até que Mateus lentamente acordasse.
Alguém o chamava repetidamente: "Mateus, Mateus! Você está bem?"
Mateus abriu os olhos e viu Tiago, com o rosto ensanguentado, olhando para ele.
Ele ficou paralisado: "Tiago?!"
Só então percebeu que ambos estavam em um espaço escuro, provavelmente soterrados.
Tiago estava à sua frente, protegendo-o, com o abdômen perfurado por um cano de aço da espessura de um pulso!
O coração de Mateus disparou: "Tiago, você..."
Tiago abriu um sorriso, apesar do sangue no canto dos olhos: "Estou bem, estou bem... Mateus, não se preocupe, eu realmente estou bem."
Como poderia estar bem?
Mateus esforçou-se para gritar: "Tem alguém aí?! Venham salvar a gente!"
Com aquela hemorragia, se Tiago não fosse socorrido, morreria!
Mas Tiago o interrompeu: "Mateus, eu disse, estou bem. Porque eu sou um sistema."
A expressão de Mateus tornou-se de incredulidade: "O que você disse?"
"Fique tranquilo, não sou aquele sistema sem consciência de antes. Sou o Sistema 099, enviado especificamente para salvar o protagonista e a protagonista deste mundo." Tiago deu uma risadinha: "Ou seja, você e Sofia."
"O sistema anterior, 0687, alterou a missão por conta própria. Se Sofia não tivesse dado um jeito de enviá-lo de volta ao sistema central, ninguém saberia o que vocês sofreram neste mundo."
"O sistema central me enviou para corrigir a linha do tempo e fazer com que você e Sofia ficassem juntos novamente."
"Você acha que foi coincidência a Sofia ser escolhida para voltar do Hospital Lenox para o Hospital Qiming?"
A respiração de Mateus travou: "Foi você..."
Tiago assentiu: "Fui eu. Na verdade, vendo desde ontem à noite, você e Sofia já tinham feito as pazes, então minha missão estava cumprida. Eu até queria ficar mais um pouco neste mundo."
"Afinal, Mateus, eu gostei bastante de ter você como amigo."
"Mas, como perdi minha vida por você, é hora de voltar e apresentar o relatório."
Mateus segurou-o instintivamente: "Você vai embora?"
Tiago sorriu de seu jeito desleixado: "Está triste por me perder? Eu sabia que, apesar de parecer frio por fora, você me considerava um amigo de verdade."
"Embora eu vá, não fique muito triste; quando der, voltarei para te visitar."
"Quanto a agora, o oxigênio está ficando escasso, preciso tirar você daqui. A Sofia ainda está esperando por você."
Dito isso, antes que Mateus pudesse dizer uma palavra sequer, uma luz branca brilhou diante dele.
Ele fechou os olhos instintivamente e, no segundo seguinte, ouviu vozes acima: "Há sinais de vida aqui, iniciem o resgate imediatamente!"
Mateus desejava desesperadamente abrir os olhos e ver Tiago mais uma vez.
Por tantos anos, ele nunca tivera a chance de dizer: na verdade, ter você como amigo me fez muito feliz.
O espaço escuro foi escavado e um facho de luz entrou.
Mateus foi resgatado pela equipe e, no instante seguinte, caiu nos braços de alguém.
"Você me matou de susto! Ainda bem que você está vivo... Mateus, seu mentiroso! Você prometeu que me esperaria!"
A consciência de Mateus foi retornando aos poucos.
Ele olhou para mim em seus braços e me abraçou com força: "Eu estava esperando por você, Sofia. Eu esperei por você durante muitos anos."
"Desta vez, nunca mais nos desencontraremos."
—
Fim.