Capítulo 1: Não posso ceder
Suely observava o casal abraçado à sua frente, e uma náusea incontrolável surgiu em seu peito.
Eram um par que, aos olhos de todos, parecia perfeito, mas a cena cortava seus olhos como lâminas.
Um era o noivo com quem ela amava há dez anos e com quem finalmente estava prestes a se casar; a outra, sua melhor amiga.
Seus dedos roçaram o anel de diamante no dedo anelar da mão direita e ela disse: "Lucas, os convites de casamento já foram enviados há um mês, o banquete já está reservado e o casamento é daqui a dez dias. Você está me dizendo agora que quer cancelar?"
"Pedirei desculpas pessoalmente aos amigos e familiares, e não precisa se preocupar com os custos do banquete e da cerimônia. Quanto a isso..." Lucas disse com um tom de remorso: "Suely, você é uma boa mulher e encontrará alguém melhor que eu para te amar."
"Este anel foi colocado no meu dedo por você. Por acaso fui eu quem te obrigou a me pedir em casamento?"
Eles estavam juntos há um ano e, um mês atrás, no aniversário de namoro, ele próprio lhe entregou o anel e a pediu em casamento.
"Suely, você é uma ótima mulher. É fácil gostar de você, e eu gosto, mas o que sinto por Bianca... é amor."
Suely era maravilhosa e sempre foi boa para ele; se não fosse assim, ele não teria se conformado em pedi-la em casamento.
Se não fosse por aquela mensagem de Bianca, ele realmente teria subido ao altar com Suely.
【Lucas, estou me sentindo tão mal, podemos nos encontrar?】
Apenas ela o chamava de "Lucas" como uma irmãzinha.
Quando Bianca o deixou, ele sofreu muito, e foi Suely quem ficou silenciosamente ao seu lado.
Ao aceitar ficar com Suely, ele disse a si mesmo que esqueceria.
Mas bastou uma frase de Bianca para que seu coração vacilasse.
Suely sentiu um amargor profundo na boca; tantos anos de dedicação sendo apagados por uma simples frase de que ele "apenas gostava" dela.
Ela agarrou o pulso de Bianca, puxou-a para dentro da sala de reuniões e trancou a porta. Quando Lucas percebeu o que estava acontecendo, só pôde esmurrar o vidro grosso que os separava.
Suely olhou para Lucas, que estava ansioso do outro lado, e depois voltou seu olhar para Bianca: "Bianca, quando você estava com o Lucas, eu também dei minha bênção sincera. Depois, foi você quem desistiu dele para estudar no exterior. Eu só fiquei com o Lucas depois que vocês terminaram de vez. Diga-me, será que eu te fiz algum mal?"
Bianca finalmente levantou a cabeça, exibindo um leve sorriso: "Mas eu me arrependi. Lucas e eu nos amamos de verdade. Suely, você vai me apoiar, não vai?"
Que tom leviano. O amor é um jogo para você?
Vem e vai quando quer? Só porque você se arrependeu, eu deveria entregar o Lucas de bandeja?
O canto dos lábios de Suely se curvou em um sorriso profissional: "Bianca, estudar no exterior não é divertido? O romance que você viveu com Bruno em Paris... esse tipo de vida é algo que o antiquado Lucas jamais poderia te dar."
A expressão de Bianca mudou: "Você me investigou?"
"Você gostava tanto de Bruno que terminou com o Lucas por causa dele e até abortou por ele. Não é um desperdício desistir dele agora?" O tom de Suely não vacilou. Ela caminhou até a frente de Bianca, olhando fixamente em seus olhos: "Você se sacrificou tanto pelo Bruno. A Dona Helena sempre te tratou como uma filha desde pequena; se ela souber disso, certamente ficará arrasada."
A calma que Bianca mantinha desde que apareceu diante de Suely desapareceu completamente.
A mãe de Lucas era uma dama da alta sociedade; se ela soubesse do estilo de vida caótico que Bianca levava no exterior, jamais a aceitaria na família!
Os gritos ansiosos de Lucas do lado de fora da porta levaram Suely a tomar uma decisão final: "Mas como estou grávida do filho do Lucas, acredito que a Dona Helena não ficará tão desolada com a sua situação."
As pernas de Bianca cederam e ela cambaleou para trás.
Ela perdeu!
"Suely, o que você vai fazer com a Bianca? Abra a porta agora mesmo!"
Ele não conseguia ouvir o que diziam lá dentro, mas ao ver o rosto pálido de Bianca, seu coração se apertou de preocupação.
Suely levantou a mão e pousou-a sobre o ventre.
Bianca, nesta vida, eu já cedi coisas demais para você. Mas desta vez, por causa do bebê, eu não posso recuar.
Capítulo 2: Até o fim
Cinco anos depois.
À noite.
O relógio na parede marcava duas da manhã quando a porta do quarto foi subitamente aberta.
O homem entrou aos tropeços, agarrou o cabelo de Suely e a arrastou para fora da cama.
Suely abriu os olhos sentindo dor, o cheiro forte de álcool invadiu seu nariz, e ela franziu as sobrancelhas delicadas: "Lucas, o que você quer fazer de novo!"
"Fazer o quê? O óbvio!"
Lucas segurou suas coxas brancas, abrindo-as em uma posição humilhante.
Suely tentou empurrá-lo, mas Lucas segurou seus tornozelos e a puxou para baixo de si.
"Não, Lucas, não estou me sentindo bem hoje, por favor, me deixe em paz."
Desde que se casaram, cada ato entre eles era um abuso unilateral por parte de Lucas, e ela sempre aguentava tudo em silêncio.
Desde a última vez em que houve um rompimento com sangramento, ela achou que sararia rápido, mas já se passavam quinze dias e ela ainda estava com febre.
Hoje, ela até sentiu ânsias, sem saber se era um efeito colateral da febre.
Os longos cabelos negros de Suely caíram sobre seu pescoço pálido enquanto ela implorava com o olhar baixo, agindo de forma totalmente diferente da mulher forte de antigamente.
Lucas parou de repente.
O álcool tornava sua consciência turva.
Suely também tinha um lado tão frágil assim?
Seus pulsos brancos estavam marcados com manchas arroxeadas, e Lucas, instintivamente, quis soltá-la. Mas, ao ouvir o barulho de um vaso caindo lá fora, ele pegou o abajur de cabeceira e arremessou-o com força. A empregada que bisbilhotava fugiu apavorada para o andar de baixo.
O olhar desfocado de Lucas tornou-se frio: "Deixar você em paz? Isso não é tudo o que você mesma pediu? Suely, você fez a mamãe vir me obrigar a dormir com você. Os olhos e ouvidos dela estão em toda parte. Se eu não fizer nada, não estarei desperdiçando todo o esforço que você faz diante dela?"
A mãe disse que ela estava com problemas de saúde, então ele correu para casa.
O que ele não esperava era que a mãe chorasse e implorasse, pressionando-o a voltar para ter um filho com Suely.
Se não fosse por ela ter falado algo para a mãe, como ela saberia dos assuntos privados deles?
Será que todas elas estavam tentando pressioná-lo?
Então, que assim fosse.
Lucas abriu o cinto grosseiramente e tomou seu corpo à força.
Uma dor aguda de rompimento percorreu seus nervos.
Grandes lágrimas rolaram do canto de seus olhos.
"A porta... a porta..."
A porta do quarto ainda estava escancarada.
Ela olhou para Lucas, suplicante. Não importava o que ele quisesse fazer.
Mas, por favor, que ele lhe deixasse um pouco de dignidade. Ela não queria mais ver olhares de pena por parte das empregadas da casa.
"Suely, você ainda tem vergonha, uma mulher como você?"
Sarcasmo cruel.
Ela virou o rosto, mas ele segurou seu queixo, forçando-a a olhar para cima: "Levante a cabeça e veja claramente como eu te possuo. Isso não é tudo o que você implorou?"
"Você é como um peixe morto. Transar com você é menos interessante do que com uma boneca inflável."
Com as palavras cruéis soando em seus ouvidos, Suely mordeu os lábios com força, sentindo o gosto de sangue na boca. Ela foi forçada a virar o rosto e encontrar os olhos de Lucas.
Ao ver a clareza naqueles olhos, ela congelou.
Lucas não estava bêbado; ele a estava torturando plenamente consciente.
Após uma noite de tortura, quando Lucas terminou, Suely já estava exausta. Ele saiu de seu corpo com frieza, e enquanto ela olhava para suas costas gélidas, Suely deixou escapar: "Lucas, tem que ser assim entre nós?"
Eles já tinham sido as pessoas mais íntimas do mundo.
Lucas parou os passos e sua voz cruel ecoou: "Suely, foi você quem não me deixou em paz. Esse nó cego foi você quem deu."
Ele, realmente, ainda a odiava.
"Vamos nos divorciar."
"Você matou a Bianca, e entre nós..." Ele se virou de repente: "é até o fim."
Capítulo 3: Ódio profundo
Depois que Lucas saiu, Suely vomitou no banheiro por meia hora.
Ela parou diante da pia e bateu água no rosto. No espelho, a aparência da mulher estava tão pálida e definhada quanto uma folha de papel.
No hospital.
"Sra. Lucas, os resultados dos exames chegaram. Tenho duas notícias. Você está grávida de nove semanas, mas este exame detectou células cancerígenas no seu útero. Sugiro que interrompa a gravidez para iniciar o tratamento. Caso contrário, se as células cancerígenas se espalharem..."