— E agora? — ela sorriu, como uma serpente.
Ao ouvir o choro, o coração de Alícia quase se partiu. Respondeu com voz pesada:
— Tudo bem, farei o que você quer.
A mulher sorriu satisfeita e ordenou aos seguranças:
— Gravem tudo. Quero levar para assistir depois.
Ela não disse nada. Apoiou-se com força na cadeira de rodas, e seus joelhos começaram a descer lentamente em direção ao chão.
Quando estavam prestes a tocar o solo...
— Jade Menezes, você quer morrer?!
Lucas Valentim invadiu o local com seus homens e a polícia.
A pequena foi resgatada em segurança, apenas assustada.
Em um misto de fúria extrema e alívio, Alícia desferiu um tapa violento no rosto dele:
— Controle essa mulher louca! Se algo tivesse acontecido à minha filha, eu acabaria com vocês dois!
Ele não se irritou, apenas prometeu que resolveria tudo.
Naquela mesma noite, alegando que o estado mental dela era instável, ele a internou à força em uma clínica psiquiátrica particular da família, sob vigilância rigorosa, apesar dos protestos dos parentes dela.
Apesar de tudo, ela ainda sentia o peso do medo.
Preparou relógios com GPS para si e para a filha, e antecipou a data da partida para a nova cidade.
Capítulo 18
Antes de partir, ela levou a pequena para se despedir de Eduardo Rios.
Em seguida, pegaram o trem de alta velocidade rumo ao sul, retornando à sua cidade natal, Rio das Flores, para iniciar uma nova vida tranquila.
Contudo, Lucas Valentim acabou encontrando-as.
— Lucas, já fomos bem claros. — Ela girou a cadeira de rodas tentando desviar dele. — Não quero mais te ver.
— Eu só quero me redimir! — Lucas a barrou, com a voz urgente. — Eu sei que você me odeia, que não quer me perdoar, mas imploro por uma chance.
— Deixe-me cuidar de você, deixe-me compensar os erros do passado!
— Eu não preciso. — Ela respondeu friamente. — Tenho mãos e pés, posso sustentar a mim mesma e à minha filha.
— Mas as suas mãos... — O olhar de Lucas pousou no pulso dela, envolto em uma gaze.
Era uma lesão antiga que ela havia distendido acidentalmente ao carregar caixas dias atrás.
Ela encolheu a mão para dentro da manga: — Isso não é da sua conta.
Os dois ficaram em um impasse sob a luz do poste.
Finalmente, Lucas suspirou: — Tudo bem, não vou te incomodar. Mas eu não vou embora.
A partir daquele dia, Lucas alugou um apartamento em frente ao condomínio onde ela morava. Todas as manhãs e entardeceres, como fazia na juventude, ele ficava na varanda tocando violino.
Os dias passavam um a um, e a vida seguia relativamente calma.
Até o dia do nono aniversário da pequena.
Alícia tirou meio dia de folga especialmente para buscar o bolo encomendado em uma confeitaria tradicional no oeste da cidade.
Ela colocou o bolo sobre o colo e, quando ia acionar a cadeira de rodas para sair, um vulto bloqueou seu caminho.
Era Jade Menezes.
Após mais de dois meses sem se verem, ela parecia ainda mais exausta, quase perdendo as feições de tão magra.
Alícia recuou alguns passos, vigilante: — Você não deveria estar no hospital psiquiátrico? Como nos encontrou aqui!
Jade acariciou o próprio ventre liso e, de repente, começou a rir:
— O Lucas não poderia me manter trancada para sempre, minha família não permitiria que ele me tratasse assim.
Ela caminhou até Alícia, com o sorriso se alargando:
— Eu sei que simplesmente tentar reconquistá-lo não adianta nada.
— Por isso, quero te pedir um favor: forje sua morte mais uma vez, para que ele desista de vez de você.
Alícia ficou atônita.
— Não se preocupe, eu arco com todos os custos do processo. — continuou Jade, com um olhar fanático. — Depois que tudo estiver feito, eu te mando para o exterior, Suíça ou Nova Zelândia, você escolhe.
— Vou te dar uma quantia em dinheiro suficiente para que você e sua filha vivam sem preocupações pelo resto da vida!
Alícia recusou prontamente: — Senhorita Menezes, se você está doente, vá se tratar logo.
Essa frase pareceu atingir o ponto sensível de Jade.
Ela subitamente agarrou as manoplas da cadeira de rodas e começou a balançá-la freneticamente:
— Você é quem está doente! Eu sou a primogênita da família Menezes, como eu poderia ter uma doença mental!
— Alícia, por que você insistiu em continuar viva?! Seria tão melhor se tivesse morrido! Se você estivesse morta, ele não ficaria pensando em você!
— Louca!
Alícia tentou empurrá-la, mas não tinha força suficiente nas mãos.
Finalmente, os funcionários da confeitaria ouviram o barulho e saíram; várias pessoas juntas conseguiram afastar Jade.
Jade desvencilhou-se de todos com esforço e partiu com os olhos cheios de ódio.
Alícia também correu para casa com o bolo.
Entretanto, no instante em que pegou a chave para abrir a porta, recebeu um golpe violento na nuca!
Ela nem sequer teve tempo de ver quem estava atrás dela antes de desmaiar.
Ao acordar, percebeu que estava amarrada em uma sala de aula da escola primária abandonada "Raios de Sol".
Jade segurava um galão de gasolina e um isqueiro, com uma calma delirante no rosto.
— Já que você não quer forjar sua morte, então eu farei você morrer de verdade. Afinal, eu já fiz isso há oito anos, não me importo de fazer de novo.
— Se da última vez a água não te matou, desta vez usarei o fogo para te transformar em cinzas!
Gasolina com cheiro pungente foi despejada sobre Alícia.
— Não se preocupe, não vou te queimar até a morte de imediato. Deixarei que o fogo te cerque aos poucos, para que você sinta o que é o desespero e a agonia!
Jade ateou fogo ao corredor, deixando-a sozinha na sala de aula que era rapidamente consumida pelas chamas e pela fumaça densa.
Justo quando Alícia estava à beira do desespero, Lucas Valentim atravessou a janela e invadiu o local.
Ele cortou as cordas, colocou-a nas costas e, usando o próprio corpo para protegê-la dos detritos em chamas que caíam e da onda de calor abrasadora, avançou passo a passo para fora.
— Alícia, desta vez eu vou te proteger com certeza!
Em meio às chamas, o juramento dele misturava-se ao cheiro de carne queimada.
Quando ele finalmente cambaleou até levá-la para uma área segura, já estava coberto de ferimentos e desmaiou.
As sirenes dos bombeiros e da ambulância aproximavam-se ao longe.
Capítulo 19
Alícia acordou apenas três dias depois.
Ela tinha algumas queimaduras leves, mas a situação de Lucas era muito mais grave.
Queimaduras em grande escala; o tímpano esquerdo perfurado por estilhaços de vidro, resultando em surdez permanente daquele lado. Além de múltiplas fraturas.
O médico disse que foi uma sorte ele ter sobrevivido.
A polícia logo interveio nas investigações.
Ao prenderem Jade Menezes, ela estava sentada na encosta do morro em frente à escola abandonada, observando silenciosamente o prédio em chamas com um sorriso bizarro no rosto.
A polícia encontrou um celular em sua bolsa com um vídeo gravado.
Era o registro do massacre de Alícia há oito anos.
Jade não apenas gravara, como costumava assistir com frequência.
Isso atraiu a alta atenção das autoridades.
Eles iniciaram imediatamente uma investigação completa sobre Jade, e aquele antigo "caso de desaparecimento" foi reaberto.
Lucas, após acordar, também colaborou com a polícia em seu depoimento.
Ele contou tudo o que sabia. Incluindo o fato de Jade ter contratado assassinos naquela época, o estado mental dela nestes anos e as transações obscuras em seu casamento.
Por fim, Jade Menezes foi oficialmente indiciada por tentativa de homicídio doloso, sequestro e incêndio criminoso.
Na noite anterior ao seu encarceramento oficial, Jade usou um estilhaço de vidro escondido para cometer suicídio cortando os pulsos.
Lucas também passou a ser investigado pela polícia devido a crimes de evasão fiscal e suborno comercial denunciados por Jade antes de morrer.
Diante da iminente pena de prisão, ele demonstrou uma calma incomum, pedindo apenas para ver Alícia uma última vez.
No quarto do hospital, a luz do sol estava agradável.
Lucas, algemado, esboçou um sorriso amargo para Alícia: — Eu te devia duas vidas... agora paguei uma, não sei como pagarei a outra.
Ele disse a ela que já previa que esse dia chegaria.
Por isso, depositou antecipadamente duzentos milhões em uma conta limpa; a senha era o aniversário dela, deixado para ela e para a pequena.
— Considere isso como... uma compensação por aquela criança que não chegou a nascer.
Alícia balançou a cabeça: — Não quero seu dinheiro. Tenho meu trabalho, posso sustentar a mim e à minha filha.
O policial entrou avisando que o tempo havia acabado.
Lucas olhou para ela com avidez e disse baixo: — Vá, Alícia. De agora em diante... fique bem.
Alícia olhou para ele uma última vez, girou a cadeira de rodas e partiu, sem olhar para trás.
Meio mês depois, Alícia recebeu a notícia.
Lucas Valentim foi condenado a vinte anos de prisão por cúmulo de crimes.
Alícia doou todos os duzentos milhões que ele deixara para orfanatos e fundações para pessoas com deficiência em todo o país.
Em uma tarde ensolarada, Alícia observava a pequena desenhar.
A filha desenhou um grupo de borboletas e, apontando para uma azul, disse:
— Mamãe, olha, este é o papai. Ele virou uma borboleta e está cuidando da gente lá do céu.
Alícia acariciou a cabeça da filha com ternura.
— O desenho ficou lindo.
A pequena sorriu e continuou desenhando.
Alícia parou atrás dela e olhou pela janela; uma borboleta real voava levemente, as asas brilhando sob o sol, voando cada vez mais alto, até desaparecer nas profundezas do céu azul.
Ela se lembrou do que Eduardo Rios dissera, segurando sua mão antes de partir:
— Alícia, uma borboleta não rompe o casulo para voar de volta ao passado, mas sim para voar em direção a um céu mais vasto.
— Por isso, não olhe para trás, continue sempre voando para frente.
Um leve sorriso surgiu em seus lábios.
Ela finalmente havia levantado voo.
FIM