《A Substituta do CEO: A Vingança de Clara》Capítulo 1

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Capítulo 1

Ao lado da caçamba de lixo na porta dos fundos do hotel, Clara apagou o último trago do cigarro contra a parede.

O vinho tinto escorria das pontas do cabelo para dentro do decote, deixando-a em um estado deplorável.

Três horas atrás, no camarote mais reservado daquele bar, ela ouviu com os próprios ouvidos o grupo de amigos de Ricardo brindando entre risadas:

“Clara? Ela não é apenas a substituta que o Ricardo mantém para servir de escudo para a Beatriz?”

“Assim que a Beatriz assumir seu lugar de direito na família Antunes, aquela impostora terá que dar o fora.”

Agora, as mesmas pessoas que disseram aquilo a cercavam, segurando garrafas de vinho pela metade.

“Senhorita Antunes... Ah, não, eu deveria dizer falsa senhorita.”

A mulher à frente ria descontroladamente. “Qual é a sensação de ser descartada pelo Ricardo depois que ele se cansou de brincar com você?”

Clara levantou as pálpebras lentamente.

No segundo seguinte, ela agarrou o pulso da mulher e o torceu com força.

A garrafa se espatifou no chão, estilhaços voando para todos os lados.

Antes que o grito pudesse ecoar, ela já havia agarrado o cabelo da outra, prensando o rosto dela contra a tampa úmida da caçamba de lixo.

“Três anos atrás, quando seu pai me implorou para poupar a empresa da sua família...”

A voz dela era fria como gelo. “Você chorou do mesmo jeito. Esqueceu?”

As outras duas pessoas ficaram paralisadas, sem coragem de se aproximar.

Clara soltou a mulher e limpou as pontas dos dedos no vestido caro da rival.

Ao se virar, viu uma figura parada nas sombras da entrada do beco.

Ricardo usava um terno preto, sua postura era impecável, mas o olhar que lançava a ela era como se visse uma mancha que precisasse ser limpa.

“Já terminou o show?”

Ele se aproximou e segurou o pulso dela. “Venha comigo.”

“Ir para quê?”

Clara soltou o braço dele com um safanão e soltou uma risada amarga. “Voltar a ser seu brinquedo para que sua amada Beatriz possa entrar na casa dos Antunes pisando no meu rosto?”

Ricardo franziu a testa: “Que loucura é essa agora?”

“Loucura?”

Clara tirou da bolsa o anel de diamante que ele esquecera de levar naquela manhã e o atirou contra o rosto dele.

“Ricardo, aquele anel no seu bolso gravado com ‘BIA’ é para a Beatriz, não é?”

A voz dela começou a tremer, mas ela manteve a cabeça erguida. “Três anos atrás, quando fui dopada, você me ‘salvou’. Disse que me protegeria, pediu para eu confiar em você... E eu confiei.”

Ela deu um passo à frente, quase encostando no peito dele:

“Mas só agora descobri que até aquele teste de DNA que me expulsou da família Antunes foi forjado por você!”

As pupilas de Ricardo se contraíram.

O pomo de Adão dele se moveu, mas ele apenas pronunciou quatro palavras: “E se foi, o que importa?”

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Dizendo isso, ele levantou a mão, como costumava fazer nos últimos três anos, tentando arrumar uma mecha de cabelo desalinhada dela.

Clara o repeliu violentamente.

“Diga-me, nesses três anos, houve algum segundo em que seu coração foi sincero comigo?”

Ela sabia que não deveria perguntar.

Mas ela não aceitava, era seu último e patético resto de esperança.

Talvez o calor daqueles abraços nas madrugadas fosse real, talvez suas distrações ocasionais não fossem atuação, talvez...

Ricardo ficou em silêncio por um longo tempo.

Tempo suficiente para os faróis de um carro iluminarem a entrada do beco, revelando o lago congelado que eram seus olhos.

“Não”, ele finalmente cuspiu as palavras. “Do início ao fim, a única que amei foi a Bia.”

“Você foi apenas a peça mais conveniente do meu plano.”

Clara assentiu.

Então, com toda a sua força, ela desferiu um tapa no rosto dele.

O som seco ecoou no beco.

O rosto de Ricardo virou para o lado e, ao retornar, seus olhos transbordavam fúria.

Ele a agarrou pelo pescoço, prensando-a contra a parede: “Clara, você está querendo morrer...”

“Mate-me então.”

Ela sorriu, com os olhos vermelhos. “Porque se eu sair daqui viva, a primeira pessoa que vou destruir será a sua Bia.”

Os dedos dele apertaram, mas ao ver o brilho das lágrimas no canto dos olhos dela, ele a soltou bruscamente.

Clara escorregou até o chão, ofegante, com o olhar carregado de ódio.

“Ricardo, você brincou com meus sentimentos e destruiu minha reputação. Vou guardar cada detalhe dessa conta!”

Ela se apoiou na parede para levantar lentamente, palavra por palavra: “Vou considerar esses três anos como se tivesse sido mordida por um cachorro de rua.”

“Mas lembre-se...”

“O que você me deve, eu vou cobrar com juros e correção monetária, centavo por centavo.”

“Cobrar?”

Ricardo riu como se ouvisse uma piada. “Por que você acha que aquele teste de DNA foi aceito tão facilmente pelos Antunes?”

“Foi porque, desde o início, ninguém nunca se importou com você de verdade!”

O tom dele era de absoluta certeza. “Clara, você não tem dinheiro, não tem poder. Com o que pretende me cobrar?”

“É melhor ser uma boa menina. Pelo tempo que passamos na cama nesses três anos, eu posso te dar alguma compensação financeira.”

O cérebro de Clara zumbiu.

Um calafrio subiu pela sola dos pés, congelando cada osso de seu corpo.

Era verdade. Sua mãe biológica morreu cedo, e seu pai casou-se com Dona Helena por interesse.

Depois que a madrasta teve seus próprios filhos, não havia mais lugar para Clara. Seu pai, que sempre amou uma antiga paixão de origem humilde, nunca teve nada além de indiferença pela filha da falecida esposa.

Ela viveu na corda bamba na mansão dos Antunes até conhecer Ricardo.

Ela pensou ter encontrado um porto seguro, mas não passava de uma isca para arrastá-la ao abismo.

Agora, suas mágoas e dependências passadas eram os trunfos que ele usava para manipulá-la.

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A certeza de que ninguém se importava com ela.

A certeza de que ninguém buscaria justiça por ela.

As unhas de Clara cravaram-se nas palmas das mãos; a dor aguda trazia clareza:

“Mesmo que eu tenha que me destruir no processo, eu vou arrastar todos vocês comigo para o fundo!”

Sem olhar para Ricardo, ela deu as costas e caminhou para a saída do beco.

Após alguns passos, faróis brilharam no fim da rua.

Um sedan preto parou lentamente diante dela.

O vidro baixou, revelando o rosto elegante e gélido de Dona Helena.

A mulher estendeu um envelope com documentos, sua voz era monótona:

“Entre no carro.”

“Vamos fazer um negócio.”

Capítulo 2

Clara não se moveu. Apenas olhou para Dona Helena dentro do carro e deu um sorriso de canto.

“O que você quer aqui?”

Dona Helena a avaliou com desdém, passando os olhos pelas roupas encharcadas, o cabelo desarrumado e as manchas de vinho no rosto, soltando um riso debochado:

“Sem o título de herdeira dos Antunes, foi a esse estado que você chegou?”

Clara franziu o cenho, mas antes que pudesse falar, Dona Helena empurrou os documentos mais para frente.

“Afinal de contas, eu cuidei de você por todos esses anos. Está na hora de retribuir à família.”

“A família Silva quer uma parceria com o governo para o desenvolvimento da zona sul, e eles têm apenas uma condição: que o segundo filho deles, que é cadeirante, se case com uma esposa adequada.”

“Se você aceitar o casamento, eles assinam o contrato imediatamente.”

“Como compensação”, Dona Helena apontou para o papel, “aqui está um acordo de transferência de bens no valor de cinquenta milhões. Assine e o dinheiro é seu.”

Clara encarou o documento e, de repente, começou a rir baixo.

“Cinquenta milhões?” Ela levantou o olhar gélido. “Você está me dando esmola?”

O rosto de Dona Helena escureceu. “Quanto mais você quer?”

“Eu quero metade de todo o patrimônio da família Antunes!”

“Clara!” A voz de Dona Helena subiu de tom. “Você é uma intrusa, como ousa...”

“Por que eu não ousaria?”

Clara a interrompeu, com uma voz baixa, porém cortante:

“Legalmente, sou a filha legítima do meu pai e herdeira por direito. Você quer que eu venda meu casamento pelos interesses da família e só me oferece essas migalhas?”

Ela fez uma pausa e balançou o celular.

A tela brilhou, mostrando miniaturas de algumas fotos.

“Talvez eu devesse ser generosa também e enviar para toda a imprensa de São Paulo as provas de que você e meu pai sustentam filhos fora do casamento e vivem uma farsa há anos.”

A expressão de Dona Helena congelou instantaneamente.

Aquelas sujeiras ocultas, uma vez expostas, custariam muito mais do que apenas a reputação da família.

As ações da empresa, os empréstimos bancários e até o projeto com o governo desmoronariam em um instante.

“Essas provas”, Clara disse suavemente, “eu encontrei por acaso no escritório do Ricardo enquanto ele me ‘protegia’ três anos atrás.”

“Ele provavelmente nunca imaginou que os trunfos que usava para chantagear os Antunes acabariam nas minhas mãos.”

Dona Helena a encarou como se visse aquela “filha” pela primeira vez em dez anos.

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