Ela ergueu o olhar, com os olhos frios como navalhas:
“Eu já disse, eu vou me casar, Ricardo.”
“Eu não vou te amar, porque eu já amo o Thiago.”
O rosto de Ricardo ficou pálido como papel, e sua mão na cintura dela apertou ainda mais:
“Eu também já disse... não me importo com quem está no seu coração agora.”
Ele baixou a cabeça, o hálito roçando o ouvido dela, cada palavra carregada de obsessão:
“Clara, no fim das contas... você será minha.”
Thiago ficou estático no lugar assim que a arma foi apontada para ele.
Ele não ousava se mover, temendo que qualquer provocação fizesse Ricardo perder o controle e ferir Clara.
“Você... não faça nenhuma loucura.”
Ele falou muito lentamente, com extrema cautela em cada palavra. “Não machuque a Clara.”
“Deixe-me ir!” Ricardo mantinha a arma apontada. “Eu não quero te ferir. Só não tentem me impedir!”
Thiago permanecia ali, em um dilema terrível.
Ele jamais deixaria Clara ser levada, mas não ousava arriscar a segurança dela.
Por fim, a preocupação superou tudo.
Ele ergueu a mão e fez um sinal de “recuar” para os seguranças que cercavam o local discretamente.
“Eu vou deixar você ir.”
Ele fixou o olhar na mão de Ricardo que segurava a arma. “Abaixe a arma... não machuque a Clara.”
Os nós dos dedos de Ricardo estavam brancos. Ele não baixou a arma, apenas arrastou Clara passo a passo para fora.
“Me solte... Ricardo, me solte!”
Clara lutava desesperadamente.
Ricardo fazia ouvidos moucos.
Ao passar ao lado de Thiago, ele estava em alerta máximo, com a arma sempre apontada.
Thiago prendeu a respiração.
Seus olhos se encontraram com os de Clara.
Em apenas um instante, ambos entenderam as intenções um do outro.
No momento do cruzamento.
Ricardo desviou levemente o olhar para os seguranças ao redor—
É agora!
Thiago avançou como um leopardo, chocando-se violentamente contra a lateral do corpo de Ricardo!
“Ugh!”
Pego de surpresa, Ricardo tropeçou em direção ao chão, caindo junto com Clara.
Clara aproveitou o impacto para tentar se soltar, e Thiago estendeu a mão rapidamente para puxá-la—
Em um piscar de olhos, as pupilas de Ricardo se contraíram!
Por instinto, ele ergueu a mão com a arma e puxou o gatilho.
“BANG—!”
O tiro ecoou, e a bala cortou o ar em direção ao peito de Thiago!
Tudo pareceu ficar em câmera lenta para Clara.
Ela viu a bala rasgar o ar, indo em direção ao coração de Thiago—
Sem pensar, ela usou toda a sua força e se atirou na frente dele!
“CLARA—!!”
“CLARA—!!”
Dois gritos desesperados explodiram simultaneamente.
As pupilas de Ricardo se dilataram de horror, e sua mente ficou em branco; a respiração de Thiago parou, e o sangue pareceu correr ao contrário.
Ricardo avançou loucamente para tentar puxá-la, enquanto Thiago a abraçava com força, virando o corpo para protegê-la com as costas.
Mas tudo aconteceu em um milésimo de segundo.
Por mais rápida que fosse a reação, não era mais rápida que uma bala.
Eles só puderam assistir enquanto a bala—
Atingia o ombro de Clara.
Ela soltou um gemido baixo e caiu desfalecida nos braços de Thiago.
Capítulo 24
“Clara—!”
O coração de Thiago quase parou. Com as mãos trêmulas, ele amparou o corpo dela, e sua palma foi instantaneamente encharcada pelo sangue quente.
Clara estava pálida de dor, mas ainda conseguiu erguer o olhar e dizer com voz fraca:
“Eu estou bem...”
A bala atingiu o ombro, rasgando a pele.
O vermelho carmesim no vestido de noiva era chocante, e o sangue continuava a escorrer.
“Vou chamar um médico agora mesmo!”
Thiago a pegou no colo e virou-se para correr para o interior da mansão.
“Patrão—” o segurança pediu instruções rapidamente. “O que fazemos com este homem?”
Após o disparo, Ricardo foi rapidamente imobilizado; a arma foi chutada para longe e ele foi prensado contra o chão.
Clara virou o rosto com dificuldade nos braços de Thiago.
O rosto de Ricardo estava colado ao chão frio, com um olhar de desolação e derrota total.
“Clara...”
Ele balbuciou sem som, e lágrimas rolaram sem aviso.
Somente ao vê-la se atirar na frente da arma sem hesitar foi que ele finalmente foi forçado a admitir—
Ele havia perdido Clara para sempre.
Não restava mais nenhuma margem para recuperação.
Clara desviou o olhar com indiferença e enterrou o rosto no ombro de Thiago:
“Chamem a polícia.”
A voz era leve, mas cada palavra era clara:
“Tentativa de sequestro, lesão corporal com arma de fogo... é o suficiente para ele ficar preso por muito tempo.”
Thiago assentiu e disse aos seguranças: “Entreguem-no à delegacia.”
Em seguida, levou-a para dentro sem olhar para trás.
Felizmente, embora o ferimento parecesse terrível, não atingiu ossos ou órgãos vitais.
Depois que o médico terminou o curativo e saiu, Thiago continuou abraçado a ela, com os braços tremendo levemente.
Clara deu tapinhas nas costas da mão dele, confortando-o suavemente: “Já passou... desta vez o problema foi resolvido de vez, ele nunca mais aparecerá.”
Thiago escondeu o rosto no pescoço dela, com a voz abafada: “Mas eu não consegui te proteger direito.”
“Então, cuide bem de mim de agora em diante.” O olhar dela suavizou. “Eu confio em você... não deixará que eu me machuque de novo.”
“Sim.” Ele assentiu vigorosamente, apertando o abraço.
Como Clara estava bem, o casamento prosseguiu conforme planejado.
Ela usava o vestido de noiva escolhido pessoalmente por Thiago, esperando silenciosamente nos bastidores.
Suas mãos suavam levemente e seu coração batia forte.
A porta foi aberta suavemente.
Helena entrou.
“Clara.”
“Veterana?” Clara surpreendeu-se levemente. “O que faz aqui? Lá na frente...”
“Há algo que achei que você deveria saber.”
Helena fez uma pausa, com um tom de voz equilibrado. “Ricardo morreu. Na prisão... suicídio.”
Clara ficou atônita por um momento.
O nome que a perseguiu por metade da vida, ao ouvir a notícia da morte, causou-lhe um vácuo momentâneo.
“...Entendo.” Ela baixou o olhar, sem grandes emoções.
Helena observou a expressão dela e, ao ver que estava bem, entregou-lhe uma pasta:
“Ele pediu para alguém te entregar isso. Eu trouxe para você.”
Clara pegou a pasta, ficou em silêncio por um momento e acabou abrindo-a.
Lá dentro havia um documento e um bilhete.
No papel, apenas quatro palavras com uma caligrafia pesada:
【Clara, me perdoe.】
Ela abriu o documento—
Era o contrato de transferência incondicional de todos os ativos de Ricardo após a venda da empresa dele.
O selo pessoal já estava aplicado ao final, esperando apenas a assinatura dela para entrar em vigor.
Os dedos de Clara se apertaram levemente.
Ela pegou a caneta da penteadeira, assinou o nome com firmeza e devolveu o documento:
“Veterana, por favor, resolva isso... doe tudo, não quero ficar com um centavo.”
Ela aceitou porque era a compensação que ele lhe devia; ela doou para cortar definitivamente os laços com o passado.
Mesmo que aquela pessoa já estivesse morta.
Ela se levantou, colocou a mão suavemente na palma de Helena e abriu um sorriso radiante:
“Veterana, eu não tenho pais... leve-me até o altar.”
A primeira metade da vida foi bagunçada e dolorosa, mas felizmente o destino não a abandonou—
A segunda metade se abria renovada, com família, amor e luz.
Helena apertou a mão dela e a conduziu ao salão.
No final do tapete vermelho, Thiago estava de pé sob a luz, olhando para ela de longe.
Clara ergueu a saia do vestido e deu um passo de cada vez para frente—
Em direção a ele, em direção ao resto de sua vida.
【FIM】