Era uma edição limitada desenhada por sua empresa, dada apenas a parceiros e amigos muito próximos, incluindo... o K da internet.
O olhar de Henrique cruzou acidentalmente com a corda vermelha no chão, e suas pupilas se contraíram bruscamente!
Ele baixou o olhar para o próprio pulso esquerdo — onde estava amarrada uma corda exatamente igual, com o mesmo amuleto desbotado!
Ele ficou estático, como se atingido por um raio. Segundos depois, curvou-se para pegar a pulseira de Alice e comparou-a com a sua. Eram idênticas! Até os mínimos detalhes do amuleto eram os mesmos!
Ele ergueu a cabeça incrédulo, fixando o olhar em Alice, que estava pálida entre os seguranças. Sua voz tremia por causa do choque profundo e de uma suspeita terrível: "Esta pulseira... você... de onde tirou isso?!"
Alice viu Henrique comparando as duas pulseiras e arqueou o canto da boca. Tentou rir, mas sentiu a garganta travada, emitindo apenas um som seco: "Hmpf..."
Henrique, observando a reação dela e a clareza amarga e profunda em seus olhos, sentiu uma verdade que jamais imaginara perfurar seu coração!
"Você é a Senhorita S? A pessoa que comprou o 'Sonho de uma Noite de Verão' todos os meses durante um ano?"
"Faz alguma diferença agora?", Alice retrucou com desdém.
"É você, ou não?!"
"E se for?"
Afinal, a "Senhorita S" a quem ele era grato e considerava sua alma gêmea jamais fora a Bia!
Era aquela mulher diante dele, a quem ele havia insultado, humilhado e ameaçado repetidamente com as palavras mais cruéis!
Ele havia se enganado completamente! Agira como um idiota absoluto!
Alice se desvencilhou das mãos do segurança, abaixou-se para recolher sua bolsa e a corda vermelha. Sem olhar novamente para Henrique, endireitou as costas e caminhou passo a passo em direção ao elevador gélido no fim do corredor.
"Alice...", Henrique tentou chamá-la instintivamente, mas a voz pareceu travar na garganta.
Dias depois, Alice recebeu uma mensagem de um número desconhecido, com apenas uma frase:
「Sinto muito. Eu fui cego e tolo. Agora sei de toda a verdade. Bernardo e Bia estão em dívida com você. Siga sua vida da melhor forma. Cuide-se. — Henrique」
Ela não respondeu; simplesmente deletou a mensagem.
Ao esperar o voo no aeroporto, remexeu na bolsa e sentiu algo sólido.
Retirou o objeto confusa.
Era a caixa de veludo contendo o "Lágrima de Diamante". E... uma caixa menor, sem etiquetas. Ao abrir a pequena caixa, viu o bracelete de jade de trinta mil dólares.
Quando Bernardo havia colocado aquilo em sua bolsa? No café? Ou no caos antes do acidente?
Olhando para aqueles dois itens valiosíssimos, carregados de uma ironia e dor infinitas, sentiu um nojo profundo. Sem qualquer expressão, guardou-os de volta no fundo da bolsa.
O avião rugiu ao decolar, deixando para trás todos os amores, ódios e dramas absurdos daquela cidade, enterrados sob as nuvens.
Capítulo 23
Três anos são tempo suficiente para mudar muitas pessoas e coisas. Bernardo lutou na UTI por um mês inteiro antes de estar fora de perigo.
Passou por diversas cirurgias de grande porte e por uma longa reabilitação.
A vida foi preservada, mas a lesão na medula espinhal causada pelo acidente de carro foi permanente.
Ele nunca mais conseguiu se levantar.
O homem que outrora fora imponente como um pinheiro e dominara as pistas de corrida passaria o resto da vida acompanhado de uma cadeira de rodas.
A família Ferraz passou por grandes turbulências durante o coma de Bernardo.
O patriarca, Alberto Ferraz, sob imensa pressão, teve uma recaída de uma antiga doença e sua saúde já não era mais a mesma.
Observando o filho inconsciente na cama e vendo o negócio da família em meio a tempestades, aquele homem que um dia fora de punho de ferro e implacável acabou, finalmente, cedendo.
Assim que Bernardo recuperou a consciência e conseguiu estabelecer uma comunicação básica, o pai superou todas as oposições e o trouxe de volta para a casa dos Ferraz, transferindo gradualmente os assuntos principais do grupo para ele.
E quanto a Bia?
Ela de fato permaneceu ao lado dele, "fiel", durante o período mais difícil, quando Bernardo estava gravemente ferido e em coma, com o futuro incerto.
Mas o temperamento de Bernardo, tornado instável e explosivo pela dor e pelo desespero, além dos cuidados incessantes que exigiam sua presença física direta... tudo isso fez com que Bia, acostumada a uma vida de luxo e a ser mimada, esgotasse rapidamente sua paciência.
Em apenas seis meses, ela terminou com ele e escolheu outra pessoa.
Bia apenas deixou um bilhete e partiu.
Logo, os tabloides da elite de São Paulo publicaram fotos dela acompanhada de um novo magnata da tecnologia, o CEO de uma empresa de internet em ascensão.
Ela desfilava de braços dados com o novo namorado, com um sorriso radiante e um enorme anel de diamante no dedo anelar.
Sentada em um Porsche rosa novinho em folha, ela seguia em direção a uma nova vida — mais jovem, mais rica e capaz de satisfazer seus desejos materiais.
Quando a notícia chegou aos ouvidos de Bernardo, ele estava em seu escritório tratando de documentos.
A caneta de ouro em sua mão parou por um instante, deixando uma pequena mancha de tinta no papel caro.
Sem qualquer expressão, ele ouviu o relatório do assistente e apenas acenou com a mão: "Entendido. De agora em diante, não precisa mais me informar sobre as notícias dela".
A porta do escritório se fechou.
Através da imensa janela panorâmica, viam-se as luzes da cidade. Bernardo girou a cadeira de rodas, parando diante da vidraça.
O vidro refletia de forma borrada seu rosto pálido e magro.
Ele ergueu a mão lentamente, e as pontas dos dedos tocaram o vidro frio inconscientemente, como se quisessem alcançar aquela luz ilusória do lado de fora.
"Alice, sinto tanto a sua falta".
A voz, grave e rouca, dissipou-se no escritório silencioso e vazio, sem qualquer resposta.
Apenas nos braços da cadeira de rodas restavam as marcas profundas de onde ele a apertara inconscientemente.
No outro lado do mundo. Em um país do Norte da Europa.
A luz do sol da manhã atravessava as enormes janelas, preenchendo o ambiente com um calor acolhedor.
Lá fora, via-se um lago sereno e montanhas distantes cobertas por neve branca.
Alice, vestindo roupas esportivas confortáveis, acabara de retornar de sua corrida matinal, com as bochechas coradas de saúde. Ela serviu-se de um copo de água morna e caminhou até a janela.
Em seu celular, havia uma mensagem enviada por seu assistente.
Eram os detalhes finais de confirmação da grande exposição internacional de arte em joalheria, "Luzes do Século", a qual ela estava curando integralmente.
Seu nome, como curadora-chefe, estava impresso na posição mais visível do catálogo.
Ela ergueu o copo de água e olhou calmamente para o horizonte.
Aqueles amores e ódios emocionantes, aquelas traições dilacerantes, aqueles emaranhados absurdos... tudo já fora sedimentado pelo tempo, guardado nos cantos mais profundos da memória, para não serem mais perturbados facilmente.
Sua vida era plena, tranquila e estava sob seu próprio controle. Ela encontrara seu próprio mundo vasto, vivendo de forma poderosa e serena. Esta sim era a verdadeira felicidade.
FIM DO LIVRO