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Primeiro de setembro. A conta oficial do Grupo Zhou publicou uma declaração. Eram mil e duzentas palavras.
O conteúdo central resumia-se a um único parágrafo:
"O Sr. Bernardo admite que, durante a constância de sua união com a Sra. Jade, não informou veridicamente sua identidade real e histórico familiar, causando danos emocionais à Sra. Jade, pelo que apresenta suas sinceras desculpas.
A Sra. Jade é uma pessoa bondosa e íntegra, não tendo qualquer culpa nesta união. Comentários inverídicos feitos anteriormente na internet contra a Sra. Jade não condizem com a realidade, e o Sr. Bernardo lamenta profundamente o ocorrido."
Quarenta minutos após a publicação, o número de visualizações ultrapassou os dez milhões.
A seção de comentários estava mais movimentada do que nunca. Eu não li os comentários.
Estava ocupada com algo mais importante. Fui ao tribunal para formalizar a retirada do processo.
O Sr. Fang me acompanhou durante todo o procedimento. Ao sairmos do tribunal, ele tirou os óculos, limpou-os e olhou para mim: "Acabou".
"Sim. Acabou."
"O que pretende fazer agora?"
"Voltar ao trabalho. A emergência precisa de pessoal."
Ele balançou a cabeça e sorriu:
"Você não tem jeito".
No caminho de volta para a cidade, olhei para o celular. Havia uma mensagem não lida. Enviada por Bernardo.
O número era novo, mas eu o reconheci; acima da mensagem, flutuou uma legenda:
【O número privado de Bernardo. Ele só o compartilhou com três pessoas. Jade é a quarta.】
O conteúdo era curto.
"Jade, sinto muito. O talento para os wontons era real."
Fiquei encarando aquelas palavras por um longo tempo.
Depois, apaguei a mensagem.
Não respondi.
Não por ódio.
Mas porque aquela sopa de wontons não deveria ser mencionada agora.
O pedido de desculpas foi feito.
A dívida foi paga.
O resto... não nos devemos nada.
Após a retirada do processo, ambas as partes chegaram a um acordo patrimonial final através dos advogados.
A cobertura ficou para mim, os dez milhões iniciais também, além de uma indenização adicional de vinte milhões.
A união estável foi oficialmente dissolvida, desta vez no cartório.
Ao colocar minha impressão digital no documento de divórcio, lembrei-me subitamente daquela tarde, dois anos atrás, quando pedi o casamento na rua com dois chás com leite.
O chá era de morango.
Ele disse sim.
Eu disse: então vamos registrar amanhã.
Ele disse sim.
Dois "sim".
Dois anos de casamento.
Encerrados com uma marca de polegar.
Ao sair do cartório, o vento de outono estava um pouco frio. Parei na calçada e respirei fundo.
O celular tocou.
Samuel.
"Terminou?"
"Terminou."
"... Você está bem?"
"Muito bem."
"O que vamos comer hoje à noite?"
Fiquei surpresa.
"Você ainda está na cidade?"
"Sim. Não fui embora."
"Por quê?"
Houve silêncio do outro lado da linha por dois segundos.
"Você prometeu me pagar um jantar de macarrão. Nunca cumpriu."
Parei na calçada, com o cabelo bagunçado pelo vento.
"Samuel."
"Sim."
"Você é o tipo de pessoa que nunca diz as coisas diretamente, não é?"
"Dizer o quê?"
"Dizer que quer ficar."
Houve silêncio novamente.
Desta vez, durou mais. Tanto que pensei que o sinal tivesse caído.
Então ele disse:
"Eu quero ficar."
Quatro palavras.
Tão curtas quanto o "sim" de Bernardo naquela época.
Mas o peso era completamente diferente.
"Tudo bem", eu disse.
"Teremos macarrão hoje. Eu faço."
"Você não leva jeito com a faca."
"Então você corta."
"Combinado."
Desliguei, entrei no pequeno supermercado da esquina e comprei dois pacotes de macarrão, um saco de tomates e quatro ovos.
Ao sair, passei por uma vitrine e vi meu reflexo no vidro.
Cabelo curto, cortado no mês passado. Camiseta velha, calça jeans, tênis.
A cicatriz no joelho ainda estava lá, um traço rosado sutil.
Completamente comum. Mas achei que estava bonita.
Ao chegar em casa, Samuel já estava esperando no quintal. Agachado no batente da porta, brincava com um ramo de capim.
Ao me ver, levantou-se, jogou o capim fora e pegou as sacolas da minha mão.
"O que comprou?"
"Macarrão, ovos e tomates."
"Só isso?" "Só isso."
Ele entrou na casa levando as sacolas.
Eu o segui, observando suas costas. Ombros largos, postura ereta, caminhava sem fazer barulho. Doze anos de exército, algo gravado em sua essência.
"Samuel." Ele se virou.
"De agora em diante, não precisa mais esperar agachado lá fora. A porta não está trancada, pode entrar."
Ele assentiu. E voltou a caminhar. Seus passos pareciam mais leves do que antes.
No quintal, o pôr do sol tingia tudo de amarelo dourado: o jaleco branco no varal, os vasos desalinhados de suculentas e o vapor subindo da janela da cozinha.
Fechei o portão do quintal, sem trancá-lo.
Peguei o celular e olhei pela última vez para as legendas.
A tela estava vazia. Não havia mais legendas. Nenhuma.
Desliguei o aparelho e entrei na cozinha.
"Saia, deixe que eu corto os tomates."
"Eu fervo a água."
"Não deixe o fogo alto demais, da última vez quase queimou a panela."
"Aquilo foi um problema do fogão."
"Ainda insiste no erro."
A água ferveu.
O macarrão foi para a panela.
O aroma de tomate com ovos preencheu a pequena cozinha.
Lá fora, o sol se punha lentamente.
Os dias ainda seriam longos. Viveremos um de cada vez.
(Fim)