Arthur e eu finalmente ficamos juntos. Embora para o mundo exterior ainda fôssemos irmãos, na intimidade o clima era tão meloso que chegava a ser constrangedor.
Aquele irmão arrogante e de língua afiada desapareceu, dando lugar a um namorado extremamente grudento.
Ele descongelou todos os meus ativos e ainda transferiu o dobro do valor para o meu nome. A justificativa dele? "É o dinheiro da patroa, guarde com você por enquanto."
Quanto a como enfrentar nossos pais... Arthur, com toda a sua astúcia e frieza calculista, já havia preparado o terreno.
No dia do jantar em família, Diego também foi convidado. À mesa, Arthur serviu uma dose para Diego e o chamou de "cunhado". Diego quase cuspiu a bebida.
"Como foi que você me chamou?"
"Já que você é o irmão de sangue da Alice, não vejo erro em te chamar assim, considerando nossa nova situação", disse Arthur, sem sequer mudar a expressão.
Meus pais estavam completamente perdidos. Arthur largou o copo, segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos sobre a mesa, à vista de todos.
"Pai, mãe. Já que a Alice não é nossa parente de sangue, acho que está na hora de fazermos uma alteração no registro da família."
"Alteração de quê?", perguntou minha mãe, ainda sem entender.
"Vamos removê-la da página de dependentes", Arthur olhou para mim com um olhar tão terno que parecia derreter. "E então, vamos registrá-la novamente... mas na minha coluna de cônjuge."
O silêncio foi total. Três segundos depois, Diego deu um tapa na própria coxa e começou a rir descontroladamente: "Hahaha! Eu sabia que esse desgraçado não tinha boas intenções! Mas... eu aprovo o casamento! Só que o dote tem que ser em dobro, e tudo como patrimônio exclusivo da Alice!"
Beatriz, ao lado, tomava sua sopa calmamente: "Já era esperado."
Apenas meus pais ainda tentavam processar aquela avalanche de informações. Mas, no fim, o resultado foi positivo. Afinal, como dizem, tudo o que é bom permanece em família.
Mais tarde, perguntei ao Arthur: "E se eu fosse realmente sua irmã de sangue, o que você faria?"
Naquele momento, ele estava secando meu cabelo, com movimentos gentis e habilidosos. Ao ouvir a pergunta, sua mão parou por um instante e ele me encarou pelo espelho.
"Então eu seria seu irmão pelo resto da vida. Eu mimaria você tanto que você se tornaria impossível, a ponto de nenhum outro homem ter coragem de casar com você. E então..." Ele sussurrou no meu ouvido: "Nós passaríamos a vida inteira assim, apenas nós dois."
Meu coração estremeceu. Que sorte. Que sorte eu não ser.
Olhei para cima e notei que as legendas sobre a cabeça de Arthur não apareciam há muito tempo. Talvez nossa história tenha finalmente saído do roteiro para seguir em direção à verdadeira liberdade.
(Fim)