Antes de partir, fui a um templo para agradecer pelo sucesso no trabalho e também para desejar que tudo se realizasse no próximo ano. As fitas de oração vermelhas tremulavam ao vento, parecendo inúmeras chamas ardentes.
Escrevi meu desejo, mas, ao tentar amarrá-lo na grade, parei por um instante. Uma das fitas se soltou com o vento e caiu exatamente na palma da minha mão, como um gato roçando carinhosamente.
Uma caligrafia familiar surgiu diante dos meus olhos:
"O fim da distância não é o fim da nossa história, mas o começo da nossa vida juntos. De agora em diante, meu futuro é você. Para a Isabela de 20 anos, escrito por Lucas, dez anos depois".
Não senti nenhuma amargura ou peso no coração. Calmamente, abri a mão e soltei a fita. Como uma pipa sem linha, ela subiu e flutuou ao sabor do vento, girando até desaparecer à distância.
Ao me virar para sair, vi Lucas parado em silêncio logo atrás de mim; não sei há quanto tempo estava lá. Através das fitas de oração vermelhas, nós nos olhamos em silêncio.
Havia uma tristeza profunda em seus olhos, como se estivesse prestes a partir junto com aquela fita. Ele abriu a boca para falar, mas as mil palavras que pareciam presas em sua garganta transformaram-se em apenas uma frase, dita num sussurro enquanto passávamos um pelo outro:
"Eu me arrependo".
Não olhei para trás, nem hesitei; continuei caminhando a passos largos. O rugido do avião cortou as nuvens. Uma nova vida estava prestes a começar.
Fim