《A Substituta do CEO: Mentiras e Desejos》Capítulo 22

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Capítulo 22

Finalmente, ele desabou lentamente, prostrando-se sobre a areia gelada. Seus ombros tremiam violentamente, mas nenhum som saía. Apenas aquele anel de diamante coberto de poeira, caído de sua palma inerte, desaparecia na areia sem emitir mais nenhum brilho.

Ele havia perdido aquela Clarice que antes vivia apenas para ele. Ele assassinou aquela mulher que lhe fazia sopa, que deixava a luz acesa, que tirava fotos dele escondida e que perguntava timidamente: "Vamos ter um filho?".

Da forma mais cruel, ele retalhou e incinerou o amor que ela sentia, transformando-o em cinzas que o vento levou, sem deixar rastro.

E agora, aquela Dra. Clarice que mantinha a coluna ereta em meio ao fogo da guerra, que salvava vidas entre o sangue e a dor, com olhos calmos e um sorriso pacífico... ela havia renascido. Em um mundo longe dele, ela encontrou uma nova vida.

Ela não o odiava mais, pois até o ódio exige energia. Ela simplesmente o removeu de sua existência, de sua memória e de seus sentimentos. Como quem limpa um grão de poeira ou apaga uma mancha. Limpo e definitivo. De agora em diante, suas alegrias, suas dores, sua segurança e seu futuro não teriam mais qualquer ligação com Henrique Cavalcante.

Ele um dia possuiu o amor mais puro do mundo, mas a empurrou para o abismo com as próprias mãos. Agora, o resto de seus dias seria de um fogo que consome o coração em um inferno sem fim. E ele aceitava isso. Era o que ele merecia.

Três anos depois, Clarice tornou-se a responsável dos Médicos Sem Fronteiras na África Oriental. Ela construiu um pequeno posto médico branco na beira do deserto, como uma flor brotando na savana.

Em três anos, ela salvou milhares de vidas. Balas assoviaram perto de seus ouvidos, epidemias se espalharam pelo acampamento, mas ela não partiu. Ela adotou uma menina que perdera toda a família no fogo cruzado e a chamou de Aninha. A criança tinha olhos como jabuticabas pretas e segurava a barra de sua roupa com timidez.

Um repórter veio entrevistá-la e perguntou: "Dra. Clarice, ouvimos dizer que a senhora teve um passado muito doloroso?"

Clarice, que trocava o curativo de um idoso, levantou a cabeça e olhou para fora do posto médico. O sol se punha, tingindo as dunas de dourado. Algumas crianças recuperadas corriam atrás de uma bola murcha no pátio; Aninha estava entre elas, rindo alto.

"Tudo isso ficou no passado," ela respondeu, voltando ao trabalho com um perfil suavizado pelo entardecer. "Agora, eu só quero salvar vidas."

À noite, em seu escritório simples, ela terminou o último prontuário e olhou para o porta-retrato sobre a mesa. Na foto, ela e Bobi estavam sob o sol da Califórnia; ela abraçava o pescoço do grande cão, sorrindo sem nenhuma sombra no olhar. Ela observou a foto por um instante, tocou o vidro suavemente com a ponta dos dedos e apagou a luz.

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No deserto, o céu noturno estava cravejado de estrelas.

Henrique Cavalcante voltou para o país. Ele entregou o comando dos negócios a gestores profissionais e fundou a "Fundação de Ajuda Médica Global Clarice". O dinheiro fluía como um rio para hospitais de campanha e campos de refugiados ao redor do mundo, especialmente para certas coordenadas na África Oriental, sem interrupção.

Ele voltou a morar na mansão de West Hill e a decorou exatamente como ela havia sugerido anos atrás: cortinas de cores neutras, móveis de madeira natural e a varanda repleta de jiboias verdes.

O diário que ela deixou, a certidão de casamento ridícula e as fotos que ela tirou dele dormindo estavam guardados na caixa de metal em seu criado-mudo. Ele raramente saía, passando horas sentado em frente àquela caixa. As bordas das fotos estavam gastas de tanto serem tocadas, e as páginas do diário, amareladas.

Ele aprendeu a cozinhar. Seguindo receitas da internet, tentava fazer a sopa que ela costumava lhe servir, mas o gosto nunca ficava igual.

Todo ano, no dia do aniversário dela, ele voltava à rua onde se conheceram. A paisagem mudara; o café tornara-se uma conveniência. Ele ficava parado no mesmo lugar, do pôr do sol até o amanhecer, como uma estátua desbotada vigiada de longe pelo assistente.

Quarenta anos se passaram, tempo suficiente para um império subir e cair.

Henrique envelheceu e adoeceu, deitado no quarto da mansão de West Hill, onde as jiboias cresceram tanto que cobriam toda a varanda. Ele pediu ao assistente que trouxesse a caixa de metal.

Os objetos foram espalhados sobre o lençol branco: o diário, a certidão falsa, as fotos. Seus dedos magros tremiam ao tocar o sorriso radiante de Clarice na fotografia, parando ali por um longo tempo.

"Clara..." A voz era um sussurro, quase um suspiro.

"Na próxima vida... deixe-me correr atrás de você..."

"Deixe-me amar você..."

"Deixe-me dar a minha vida por você..."

Ele fechou os olhos lentamente, e sua mão escorregou da fotografia.

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FIM

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