O dia de maio estava fresco e agradável. No entanto, dentro da cafeteria, o coração de Alice afundava lentamente.
— Se você se casar com o meu filho hoje, esses cinco milhões serão seus.
Aquelas palavras agitaram seu coração como uma faca, fazendo seus olhos arderem de dor. Do outro lado da mesa, a elegante senhora percebia perfeitamente o seu constrangimento e a sua resistência.
— Eu sei que sua mãe sofreu um acidente e está hospitalizada, e que você precisa desse dinheiro com urgência. Não se preocupe, nós, a família Qin, não seremos ingratos com você.
Alice sentiu um calafrio. Ela tinha sido investigada? Olhando para o cartão bancário sobre a mesa, uma onda de amargura a invadiu. A família Jiang costumava ser próspera, mas o destino é imprevisível. A empresa faliu de repente, deixando-os cobertos de dívidas da noite para o dia.
Como se não bastasse, três dias atrás, seus pais sofreram um grave acidente de carro. Seu pai morreu no local, e sua mãe estava em estado grave no hospital. Nesses três dias, Alice implorou a todos, humilhando-se, mas não recebeu nada além de desprezo e insultos.
O coração humano pode ser algo realmente cruel. Quando a família Jiang era rica, todos eram "irmãos" e "parentes". Agora que caíram, essas mesmas pessoas mostravam-se mais frias que estranhos, deixando apenas críticas e o desejo de pisar em quem já estava no chão.
Se não pagasse as despesas médicas agora, o tratamento de sua mãe seria interrompido. Ela perderia a única família que lhe restava. Diante desse pensamento, Alice cerrou os punhos.
Desde que sua mãe pudesse ser tratada, o que importava casar-se com um desconhecido? Mesmo que tivesse que sacrificar a felicidade de uma vida inteira, ela não teria queixas, contanto que sua mãe ficasse bem.
No entanto, ela ainda queria entender uma coisa. Com a falência da família Jiang, todos a evitavam. A família Qin era a elite da elite na cidade. Com tantas herdeiras e damas da alta sociedade disponíveis, por que escolher logo ela?
— Dona Helena, existem tantas jovens de famílias influentes nesta cidade. Por que escolheu a mim?
O sorriso no rosto de Dona Helena se intensificou. Ela segurou a mão de Alice, com um olhar de admiração.
— Alice, eu sei que você foi a aluna mais brilhante da escola de design nos últimos anos e que é a criadora original da coleção "Estrelas". Eu te admiro muito.
Alice levantou a cabeça rapidamente. Ela não tinha feito o design anonimamente? Como foi descoberta tão facilmente?
— Não se surpreenda. Como parte da família Qin, nada é segredo para mim. Além disso, gosto da sua personalidade. Somente uma mulher com o seu talento e inteligência está à altura do meu filho, Arthur.
Ela realmente sabia de tudo, pensou Alice com um sorriso amargo. Embora o Grupo Qin tivesse muitos negócios, seu foco principal era joias e design de moda. Dona Helena, embora não fosse designer, valorizava profundamente pessoas talentosas. Alice era, sem dúvida, um destaque absoluto entre tantos criadores.
Sua obra de aniversário, "Estrelas", foi um sucesso imediato, tornando-se um best-seller que deixou muitos designers renomados para trás. Só aquele talento já era de tirar o fôlego.
E quanto a Arthur... Alice franziu a testa, buscando informações na memória.
Ela já tinha ouvido esse nome. Arthur era o jovem talento mais brilhante do mundo corporativo. Assumiu o Grupo Qin ainda muito jovem e, em apenas seis meses, levou a empresa a um patamar sem precedentes. Ninguém ousava questionar sua competência; todo o círculo empresarial estava aos seus pés.
Alice nunca o vira pessoalmente, mas conhecia os boatos. Diziam que Arthur não era apenas brilhante e implacável, mas também extremamente frio, avesso a mulheres e dono de uma beleza rara.
Como um homem tão rico e perfeito, o sonho de consumo de todas as solteiras da cidade, acabaria se casando com ela? Dona Helena a observava fixamente.
— Além de se casar com meu filho, você não tem outra saída.
Alice soltou um riso autodepreciativo. Sim, ela tinha razão. Era seu único caminho para salvar a mãe. Com o pensamento voltado para o leito hospitalar, o olhar de Alice se tornou firme. Ela encarou a senhora com seus olhos negros e profundos.
— Eu aceito.
No camarim iluminado, vários maquiadores trabalhavam em Alice. Dona Helena havia dado ordens claras: ela deveria ser a noiva mais deslumbrante de todas. Alice já era naturalmente bonita, com traços delicados. Com uma maquiagem leve, já estava estonteante.
Sentada ali, deixando os profissionais trabalharem, a ansiedade de Alice crescia a cada segundo. Ela não sabia o que a esperava e, além disso, ainda não tinha visto Arthur. Era o dia do seu casamento e ela sequer conhecia o noivo.
Alice tentou controlar a respiração, forçando-se a acalmar os nervos. A essa altura, não havia mais volta. Hoje, ela se tornaria a esposa de Arthur.
Após a maquiagem e o vestido de noiva estarem prontos, ela se olhou no espelho, sentindo-se uma estranha. Embora fosse seu casamento, não havia alegria em seu coração. Talvez ela não fosse uma noiva, mas apenas uma marionete cumprindo um contrato.
Dentro do carro, cruzando as ruas movimentadas, ela chegou à entrada do salão de festas. O mordomo abriu a porta com respeito. Alice, segurando a cauda do vestido luxuoso, caminhou passo a passo em direção ao altar. Parada diante das portas duplas, ela respirou fundo e as empurrou com força.
Instantaneamente, luzes brancas e brilhantes atingiram seu rosto, ofuscando sua visão. Ruídos de surpresa e admiração ecoaram pelo salão. A noiva à porta era de uma beleza impactante, com traços esculpidos e uma elegância que irradiava intensidade.
— Uau! Mamãe, a noiva é muito linda! — disse uma voz infantil e doce.
Raquel acariciou a cabeça do filho. O pequeno Tiaguinho estava ficando cada vez mais galanteador. Ela observou Alice, satisfeita com a escolha da cunhada. Pelo menos parecia muito mais agradável do que Camila. O gosto de sua mãe realmente era impecável.
Sentado ao lado do tapete vermelho, Lucas semicerrou os olhos ao ver a noiva que surgira de repente. Era ela? A filha de sua paciente? O que ela estava fazendo ali?
Alice cobriu os olhos até se acostumar com a claridade. No fim do tapete vermelho, Arthur usava um terno preto impecável. Seu rosto bonito estava carregado de fúria, as sobrancelhas franzidas enquanto olhava para ela. Mas, ao lado dele, estava outra noiva.
Por que havia duas noivas?
O pânico tomou conta de Alice. Seu primeiro instinto foi recuar. Pelo olhar de Arthur, era óbvio que ele amava a mulher ao seu lado, não ela. Ela não queria ser a mulher que destrói o casamento de outra pessoa.
O mordomo, percebendo sua hesitação, aproximou-se e sussurrou:
— Jovem Madame, as contas do hospital já foram pagas e os médicos continuam o tratamento de sua mãe. Hoje, você deve se casar com o patrão. Você não tem mais volta.
Ao ouvir aquilo, a confusão de Alice aumentou, mas ela permaneceu ali, estática.
No fim do tapete vermelho, Camila olhava para a noiva que aparecera de repente, paralisada.
— Arthur, o que significa isso? Por que existem duas noivas? — Sua voz transbordava raiva, como se não pudesse acreditar no que via.
Arthur parecia uma estátua de gelo. Ele conteve a fúria e, encarando Dona Helena, perguntou pausadamente:
— Mãe, o que está acontecendo aqui? Até quando vocês pretendem me pressionar?
Hoje não deveria ser o seu casamento com Camila? De onde surgiu essa outra noiva que ele nunca vira antes?