A primeira vez que Maya dançou para Dante, ela escolheu sua especialidade:
Giselle
.
Aos treze anos, Maya era vibrante e ofuscante. Infelizmente, para se adequar aos passos de Dante nas competições de dupla, ela nunca mais dançou aquela peça.
Dante acreditava que amava a fragilidade de Nara e a forma como ela dependia dele.
Mas a verdade era que ela se parecia exatamente com a Maya que ele conhecera no início.
A rosa passou do seu período de floração, esperando pela próxima temporada de beleza, mas o jardineiro tolo a arrancou pelas raízes, dizendo que ela não era tão bela quanto uma gardênia...
O olhar de Dante estava nublado de confusão, como se buscasse uma saída, mas estivesse perdido no abismo do desespero.
Sem forças, ele desabou no palco, permitindo que as lágrimas corressem, incapaz de reagir.
Ao seu lado, Nara continuava girando, e sua silhueta gradualmente se sobrepunha à da Maya adolescente.
Num transe, naquele lugar do seu coração que há muito estava seco, brotou subitamente um novo ramo.
A semente plantada na juventude finalmente criara raízes e florescia agora.
Mãos que não foram seguradas, palavras não ditas, promessas não cumpridas, sonhos não realizados, a despedida sem um abraço.
Nara terminou sua performance de
Giselle
. Suas lágrimas eram como uma represa rompida, transbordando incontrolavelmente.
Ela caminhou até Dante e, vendo seu estado catatônico, ajoelhou-se diante dele.
— Dante, você sabe por que eu odiava tanto a Maya? Porque eu era apenas uma cópia da Maya jovem, e foi por isso que você se apaixonou por mim.
Enquanto falava, as lágrimas de Nara borravam sua visão, mas tornavam seu desespero nítido.
— Quando seus olhos estavam cheios da Maya, eu já te amava em segredo. Por isso fui estudar balé, imitei o estilo dela, o tom de voz dela. Finalmente pude ficar diante de você e mostrar o resultado do meu esforço. Você me amava cada vez mais, mas nunca foi a MIM que você amou.
Dante tentava desesperadamente controlar a respiração, mas a dor no peito era como uma lâmina afiada, retalhando seu coração impiedosamente.
De repente, o som de sirenes de polícia ecoou do lado de fora.
Os convidados abriram caminho.
— Sra. Nara Silva, a senhora é suspeita de envolvimento em dois homicídios. Por favor, acompanhe-nos.
Nara sabia que não havia mais escapatória. Seu olhar era de pura desolação.
— Dante, na próxima vida, espero nunca mais te encontrar.
Nara foi levada rapidamente, lançando um último e profundo olhar para Dante.
Enquanto as sirenes se afastavam, as redes sociais explodiam:
"Casal de elite vira inimigo mortal!"
,
"Escândalo: Os segredos sombrios da família Rocha!"
.
Giovanni Lima, vestindo um terno branco impecável, entrou no salão após a dispersão da multidão.
— Eu já entreguei as testemunhas na delegacia — disse Giovanni.
Dante apenas assentiu, com a voz embargada:
— Obrigado pelo vídeo.
— Fiz isso pela Maya.
Percebendo que Giovanni ia embora, Dante perguntou apressadamente, com a voz rouca:
— Como ela está?
— Morte cerebral confirmada. Os médicos dizem que as funções do corpo se recuperaram, mas ela não tem mais vontade de viver. Ela escolheu partir.
Ao ouvirem isso, os dois homens, gigantes no mundo dos negócios, ficaram com os olhos marejados.
A tristeza de Giovanni era profunda; suas veias saltavam na testa pela fúria contida. Ele avançou, segurou Dante pelo colarinho e desferiu um soco com toda a sua força.
— A Nara merece o inferno, mas você também. O verdadeiro culpado de tudo isso é você, Dante Rocha!
O canto da boca de Dante sangrava. Seus olhos eram poços vazios de desespero. As lágrimas caíam silenciosas, como se seu coração estivesse sangrando.
— Fui eu que a matei...
Giovanni olhou para o homem deplorável no chão. Não queria mais perder tempo; Maya o esperava para o sepultamento.
— Não ouse aparecer no funeral dela. Não suje o caminho da reencarnação dela com a sua presença.
Dito isso, ele partiu. Dante foi deixado sozinho em meio aos destroços do que deveria ser seu casamento. Todas as suas forças haviam sumido.
Ele olhava para o céu, as lágrimas escorrendo sem parar. Sentia que sua vida era tão absurda quanto aquela cerimônia.
Fechou os olhos, tentando fugir da realidade, mas as lembranças que ele mais temia voltaram com força.
"Como você se chama?"
"Maya Santos."
"Eu sou o Dante Rocha."
"Parece que o destino nos uniu..."
O pôr do sol de ontem já se foi, mas o luar de hoje ainda pode brilhar...
FIM