《Encontrado Após Sete Anos: Meu Marido Tem Outra Mulher》Capítulo 1

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Seu próprio pai a entregou a um desconhecido para pagar uma dívida. Ela estava pronta para o fim, com o coração conformado com a própria morte.

Mas, contra todas as expectativas, ele a levou para uma mansão e a tratou como uma verdadeira princesa.

Deitada naquela cama, sentindo uma maciez que nunca havia conhecido, ela fingia dormir com os olhos bem fechados. Foi quando sentiu o hálito dele quente em seu ouvido, um sussurro carregado de promessas: "Minha pequena estrela... finalmente te encontrei."

Luna estava acostumada com a dor, com os maus-tratos e com a injustiça de uma vida sem afeto. Pela primeira vez, sentia-se um tesouro nas mãos de alguém, protegida com um zelo quase sagrado.

Ele a amava com uma intensidade avassaladora, mas era tão cuidadoso que mal se atrevia a beijá-la. Ele, um homem tão orgulhoso e impecável, ficava ruborizado e perdia o chão ao tentar se declarar.

Apesar da vida agitada, ele dedicou seis meses para planejar o casamento deles em segredo. Mandou trazer as hortênsias mais azuis que existiam, cuidando pessoalmente de cada detalhe da cerimônia.

No altar, diante de todos, ele jurou amá-la por toda a vida, prometendo que nunca a abandonaria.

Mas veio o tsunami. E dele, não restou nada, nem mesmo o corpo para ser velado.

Luna se recusou a acreditar na morte dele. Assumiu os negócios da família Fontes e esperou, dia após dia, pelo seu retorno.

Sete anos se passaram até que, finalmente, ela o encontrou. Mas ele não se lembrava de nada. E agora, tinha outra mulher ao seu lado.

Ela o viu, com o braço possessivo em volta daquela mulher.

Bianca Lins, com o rosto corado, murmurou suavemente: "Querido, talvez não devêssemos ser tão carinhosos na frente da Srta. Simões."

"Dizem que ela amava profundamente o falecido marido e você se parece muito com ele. Isso pode ser doloroso para ela."

Bernardo, que tratava Luna com uma frieza cortante, abriu um sorriso cheio de ternura para a outra.

"Meus olhos são apenas para você. O resto do mundo não importa."

O peito de Luna se contraiu, uma dor tão aguda que a impedia de respirar. Aquelas mesmas palavras... ele já as tinha dito para ela, há muito tempo.

No segundo seguinte, ela assistiu, paralisada, enquanto ele se inclinava para beijar Bianca com uma entrega profunda.

Observando os dois entregues àquele beijo, Luna sentiu como se tivessem arrancado um pedaço de sua alma, deixando um vazio que doía intensamente.

Naquele instante, ela foi forçada a aceitar a verdade cruel.

O homem que a adorava, que a protegia de tudo, havia morrido de fato naquela tragédia no mar, sete anos atrás.

Ela cobriu o rosto com as mãos, mas as lágrimas teimavam em escorrer por entre seus dedos.

Naquela noite, ela teve um sonho. Um sonho com o casamento deles.

Sete anos atrás, o marido de Luna Simões, Bernardo Fontes, desapareceu em um naufrágio sem deixar rastros.

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Luna nunca aceitou a morte dele. Lutando contra uma depressão profunda, ela assumiu o comando dos negócios da família Fontes enquanto esperava por seu retorno.

Há duas semanas, ela finalmente o localizou. Mas ele havia perdido a memória e agora tinha uma nova esposa.

"Sinto muito, mas agora eu amo apenas a minha esposa", ele disse a Luna.

Naquele momento, Luna percebeu que não precisava mais de seus antidepressivos. Ela finalmente poderia ir ao encontro do mar, buscar o Bernardo que pertencia a ela sete anos atrás.

...

No décimo quinto dia em solo alemão para uma negociação, Bianca Lins, a responsável pela parceria, convidou Luna para assinar o contrato na sede da empresa.

Quem a recebeu foi Bernardo — o marido de Luna que estava desaparecido há sete anos.

No entanto, agora ele era o recém-casado de Bianca, a herdeira da família Lins.

Luna já tinha passado pelo choque, pelo colapso e pela agonia. Agora, restava apenas uma calma melancólica. Mas ao vê-lo, não pôde evitar que o nome escapasse por seus lábios: "...Bernardo."

Contudo, o olhar que recebeu em troca foi de um desconhecimento absoluto, gélido e distante.

Ele franziu o cenho e disse: "Srta. Simões, peço que mantenha a compostura. Já lhe disse que não sou o seu falecido marido."

Sim, Luna tinha se "enganado" novamente.

Mas como ela poderia não reconhecer o homem com quem dividiu a vida?

Ao longo desses sete anos, Luna encontrou muitos impostores que, de olho na fortuna dos Fontes, fingiam ser Bernardo. Faziam plásticas e simulavam até a cicatriz no canto do olho. Mas Luna sabia, com um único olhar, que não eram ele.

Desta vez, porém, ela tinha certeza absoluta. O homem diante dela era o seu Bernardo.

Ele parecia mais maduro, e a cicatriz perto do olho, suavizada pelo tempo, agora era apenas um traço fino que acentuava seu olhar severo e indiferente.

Aquela marca ele ganhou aos dezoito anos, protegendo-a de um grupo de valentões. O amor deles foi lendário; todos diziam que a órfã Luna Simões era a própria vida de Bernardo Fontes.

Mas agora ele havia esquecido tudo. E entregado seu coração a outra pessoa.

Nisso, mãos delicadas envolveram o braço de Bernardo: "Querido, por que demorou tanto para receber a nossa convidada?"

Era Bianca Lins, a atual esposa dele.

Diante de Bianca, o gelo no semblante de Bernardo derreteu instantaneamente em pura ternura.

Ele suavizou a voz: "Não foi nada. A Srta. Simões se confundiu novamente."

Bianca olhou para Luna com uma expressão de piedade.

"A senhorita é tão devota à memória do marido... É natural se confundir se ele realmente se parece com o seu falecido. Não se preocupe."

Bernardo olhou para Bianca com uma adoração resignada: "Está bem, como você quiser."

Ao ver aquela troca de olhares, Luna sentiu o gosto amargo da solidão.

Bianca voltou-se para Luna com um sorriso: "Srta. Simões, meu marido é um homem de poucas palavras. Espero que ele não tenha sido indelicado."

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Luna observou o casal apaixonado e respirou fundo, tentando conter o turbilhão em seu peito. Com um sorriso triste, apenas balançou a cabeça: "Tudo bem. Vamos entrar."

Durante a reunião, Luna não conseguia desviar os olhos de Bernardo. Ela o viu entregar uma xícara de chá com tâmaras e goji para Bianca.

Bianca reclamou: "Como você sempre esquece que sou alérgica a goji?"

"Outro dia você também colocou no caldo e eu não pude comer. Estou brava!"

Bernardo pareceu confuso: "Desculpe... foi um reflexo. Não vai acontecer de novo."

"Mentira, você disse a mesma coisa da última vez!"

Ao ouvir aquilo, Luna sentiu uma pontada lancinante no peito.

Quem amava chá de goji era ela. Desde que começaram a namorar, ele preparava aquela bebida para ela todos os dias.

Ele não se lembrava dela, mas seu corpo ainda guardava os reflexos do amor que sentia por ela.

Assim que o contrato foi assinado, Luna saiu da sala e foi direto ao banheiro para lavar o rosto com água gelada.

Tomou um de seus antidepressivos e esperou que a dor excruciante diminuísse. Ela dependia desses remédios desde a notícia do naufrágio. Sem eles, a dor em seu peito era tão forte que chegava a causar desmaios.

O médico dizia que não era um problema físico, mas emocional, e que ela precisava seguir em frente. Mas ela não conseguia. Se fechasse os olhos, ele estava lá.

Após um tempo, Luna saiu do banheiro. Ao passar pela sala de reuniões, viu os dois abraçados.

Bianca, com o rosto corado, dizia baixinho: "Querido, não devíamos ser tão carinhosos na frente da Srta. Simões."

"Ela amava muito o marido e você se parece com ele. Isso pode ser um gatilho."

Bernardo, que era tão frio com Luna, sorriu com adoração.

"Meus olhos são apenas para você. O resto não me importa."

O coração de Luna vacilou, a dor a impedindo de respirar. Aquela mesma frase... ele já a tinha dito para ela um dia.

No segundo seguinte, ela viu Bernardo se inclinar e beijar Bianca profundamente.

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