Valentina fugiu. Segundo a polícia local, havia uma passagem secreta sob a vila que levava à parte posterior da ilha. Ao receber a notícia, Pietro franziu a testa. O fundo da ilha era uma floresta virgem e inexplorada; para alguém com mobilidade reduzida como Valentina, entrar ali era um caminho quase certo para o desastre.
— Talvez ela tenha outro meio de escape — comentou Beatriz. — Mas a guarda costeira já bloqueou dezenas de milhas náuticas ao redor e está realizando uma busca minuciosa na ilha. Não importa onde ela se esconda, não terá como escapar.
Pietro apenas murmurou um "hum" em resposta. Ao deixar a ilha, ele olhou para trás, para a pequena casa branca solitária no centro, e o rosto desesperado de Valentina antes da separação lampejou em sua mente. Ele pressionou os lábios com força e afastou a imagem, recusando-se a pensar mais nisso. Valentina colhera o que plantara; ele estava com a consciência limpa.
Ao retornar ao país após os trâmites legais, Pietro recebeu a notícia da captura de Valentina. — A polícia a encurralou na beira de um penhasco. Para não ser presa, ela escolheu saltar no mar — contou Beatriz, relatando o que ouvira. — Aquela área é cheia de recifes e muito perigosa. A polícia local hesitou em mergulhar, mas... foi o Iago quem a salvou.
Pietro ergueu os olhos, surpreso. Beatriz continuou: — Valentina sobreviveu. Iago morreu afogado ao salvá-la.
Pietro ficou atônito mais uma vez. Em sua concepção, a aproximação de Iago com Valentina fora puramente por interesse no status e na fortuna da família Silva. Mas, talvez, assim como Valentina, ele só percebeu que estava emocionalmente rendido quando já era tarde demais. Pietro sentiu um misto de melancolia, e Beatriz também suspirou. No fim, os dois se entreolharam e balançaram a cabeça.
Meio mês depois, Valentina foi extraditada. A polícia a prendeu imediatamente no aeroporto. Três meses depois, ela foi condenada a doze anos de prisão por lesão corporal dolosa, sequestro e outros crimes acumulados. No dia do julgamento, Pietro, como vítima, estava presente. Quando Valentina foi levada ao tribunal, seu olhar atravessou a multidão até encontrá-lo. Após um instante, ela baixou os olhos e sentou-se no banco dos réus.
Pietro a observava, mas naquele momento não sabia dizer se sentia alegria ou rancor. Sua única esperança era que, com o fim de tudo aquilo, nunca mais tivesse qualquer ligação com ela. Seus desejos foram atendidos: pelo resto da vida, Pietro nunca mais viu Valentina. Aquele julgamento foi a última vez que se encontraram.
A vida de Pietro voltou aos eixos. Por causa do sequestro, ele perdera a final da temporada de verão, custando o título à Z.M., mas na temporada de inverno ele finalmente recuperou a glória perdida e garantiu a vaga para o campeonato mundial. Em dezembro, no palco mundial, Pietro liderou sua equipe rumo à vitória, conquistando o troféu de campeão. Ele estava, finalmente, de volta ao topo.
Doze anos depois. Do lado de fora da prisão central, Valentina saiu lentamente pelos portões de ferro em sua cadeira de rodas. Ela olhou para o céu azul profundo e depois para o motorista da família Silva que a esperava.
— Senhorita, por favor, entre no carro.
Valentina não disse nada, deixando que o homem a acomodasse no veículo. O motorista colocou uma mala ao lado dela e disse respeitosamente: — Senhorita, o Velho Senhor deu ordens. Assim que a buscássemos, deveríamos levá-la direto para o aeroporto. O desejo dele é que a senhorita permaneça no Reino Unido de agora em diante e nunca mais retorne.
As pupilas entorpecidas de Valentina mostraram uma faísca de reação. — Onde está o Pietro? Quero vê-lo.
— Sinto muito, senhorita. Nossa única missão é colocá-la em segurança no jato particular da família.
Valentina respondeu friamente: — Então eu me mato aqui mesmo. Se o vovô acha que eu não causei vergonha suficiente, posso abrir uma live para que todos assistam.
O motorista hesitou, parou o carro e fez uma ligação. Minutos depois, retornou: — Vou levá-la até lá.
Eles pararam nos arredores da base da equipe Z.M. Por coincidência, Pietro saía pelo portão principal carregando uma garotinha nos braços. As pupilas de Valentina se contraíram e ela colou o rosto na janela do carro. — De quem é aquela criança?
— É do Senhor Pietro com a Segunda Senhorita (Beatriz). Eles se casaram há cinco anos e... vivem muito bem — explicou o motorista. — O Velho Senhor ordenou que a senhorita apenas olhe, não deve perturbá-los.
Valentina soltou um riso amargo, mas não contestou. Ela pediu ao motorista que seguisse o carro de Pietro à distância. Eles chegaram ao pé do edifício do Grupo Silva. O motorista explicou: — O Senhor Pietro assumiu o clube Z.M. após se aposentar; ele é o dono agora. A Segunda Senhorita é a atual presidente do Grupo Silva.
Valentina permaneceu em silêncio, observando Pietro, com a filha no colo, encontrar-se com Beatriz. Os três caminharam em direção ao estacionamento, conversando e rindo. Era uma cena de felicidade absoluta e dolorosa. Valentina não pediu para continuar seguindo-os; ficou sentada no carro, olhando para onde eles haviam ido por um longo tempo.
Somente quando a silhueta de Pietro desapareceu completamente, ela limpou as lágrimas frias do rosto e disse com a voz rouca: — Vamos embora.
Uma hora depois, Pietro chegava em casa. Um avião passou rugindo sobre suas cabeças. A filha em seu ombro apontou animada e gritou: — Papai, olha! O aviãum!
(FIM)