Bianca não queria desistir; ela buscava desesperadamente algo que trouxesse de volta a vontade de viver de Bernardo. Ela procurou várias pessoas e, finalmente, através do advogado de Luna, encontrou o único pertence deixado por ela: um diário.
No início, o diário era apenas um registro da rotina de trabalho de Luna no Grupo Fontes. Ela o escrevia temendo que, se um dia Bernardo recuperasse a memória, ele estivesse por fora dos negócios da família. Luna havia pedido ao advogado que destruísse o caderno antes de sua morte, mas ele, incapaz de fazê-lo, acabou guardando-o.
Bianca levou o diário ao hospital. O estado de Bernardo piorava a cada dia, mas ele ainda conseguia se sentar com dificuldade. Com as mãos trêmulas, ele abriu as páginas.
Debilitado e sentado à beira da cama, ele leu minuciosamente cada detalhe dos últimos sete anos de Luna. A última página fora escrita logo após o reencontro dos dois, em tom de carta. Luna jamais imaginou que ele chegaria a ler aquelas palavras.
Diário: [Tempo nublado. Bernardo, a névoa matinal em Berlim estava tão densa hoje... e eu confundi outra pessoa com você novamente. Ele não é você. Embora tenham o mesmo rosto, vocês são, no fim, diferentes.]
[Como você pôde me esquecer? Como pôde amar outra pessoa? Por isso, ele certamente não é você...]
[Mas, ocasionalmente, ao olhar para ele e pensar em você, sinto uma pontada de tristeza.]
...
[No entanto, eu não te culpo. O "você" que eu amo já me amou há sete anos. Quanto a quem você será namorado daqui a sete anos, ou de quem será pai daqui a dezessete... eu desejo que você seja feliz.]
[Espero que tudo em sua vida corra bem. Com amor, Luna.]
Ao ler a última linha, Bernardo apertou o peito. Sentia como se uma faca tivesse sido cravada em seu coração e retorcida em suas entranhas; era uma dor dilacerante. Suas lágrimas caíram como a chuva daquele dia em que, aos quinze anos, ele caminhou em direção a Luna pela primeira vez. As gotas molharam o papel, como se profanassem o passado deles.
— Bernardo... — Bianca, ao ver o pranto silencioso e desesperado dele, também começou a chorar.
Luna tentou se aproximar para confortá-lo, mas percebeu que seu próprio corpo estava ficando gradualmente transparente. Ela sentiu que sua hora de partir havia chegado.
O diário pareceu ser um alento temporário. Bernardo o abraçava constantemente e, por alguns dias, seu estado pareceu melhorar. Bianca, esperançosa, ficou radiante. Contudo, em uma manhã comum, Bernardo subitamente desfaleceu.
O médico foi claro: ele não passaria daquele dia.
Bianca percebeu que não conseguiria mais segurá-lo. Soluçando, perguntou: — Há mais alguma coisa que você precise que eu faça?
Bernardo abriu os olhos em meio ao torpor e sussurrou: — Enterre-me junto com ela.
Bianca assentiu: — Eu prometo.
Ele olhou para Bianca, esboçou um pequeno sorriso e disse: — Que você e a Aurora sejam muito felizes e saudáveis.
Bianca debulhou-se em lágrimas: — Eu serei... eu trarei a Aurora para visitar vocês...
Bernardo, porém, disse: — Não precisa. Esqueça-nos. Siga o seu próprio caminho e encontre um pai para a Aurora.
Luna sabia que ele sentia culpa em relação a Bianca e queria que ela seguisse em frente. Bianca entendeu a intenção e sorriu amargamente: — Eu certamente vou te esquecer, mas nunca esquecerei a Irmã Luna. Ela foi quem mais sofreu entre nós... todos nós falhamos com ela.
Bernardo moveu os lábios levemente e seu olhar, já sem foco, pousou subitamente em Luna, que estava junto à janela. Ele pareceu paralisar por um segundo e sorriu para ela, murmurando: — Ela parece... ter vindo me buscar.
Luna e Bianca estancaram. No segundo seguinte, o monitor cardíaco emitiu um som agudo e contínuo:
Pi...
Luna tentou caminhar até ele e descobriu que, finalmente, conseguia alcançá-lo e tocá-lo. Ele segurou a mão de Luna com força e implorou: — Me leva com você.
Luna, com os olhos vermelhos, desta vez não recusou: — ... Tudo bem.
Aquele foi o verdadeiro reencontro após o trágico naufrágio. No fluxo do tempo, eles finalmente uniram suas mãos novamente. Infelizmente, a vida não é um filme; o que se perde não volta mais. Mas, felizmente, não haveria mais despedidas.
...
Um ano depois.
Bianca levou Aurora para prestar homenagens aos falecidos Luna Simões e Bernardo Fontes. Ela os enterrara lado a lado. Bianca limpou a poeira das lápides, agachou-se e conversou com eles por um tempo.
Aurora perguntou, confusa: — Mamãe, para onde a madrinha e o papai foram?
Bianca olhou para o céu azul e límpido, sorrindo: — Eles foram para um lugar muito distante e feliz. Nesta vida, eles nunca mais vão se separar.
Aurora insistiu: — Mamãe, nós não podemos mais vê-los?
Bianca afagou a cabeça da filha e disse com os olhos marejados: — Nós precisamos ficar aqui para percorrer o caminho que eles não puderam terminar.
Ela permitiria que a dor da saudade a consumisse, deixando que aquelas duas lápides permanecessem imortais dentro de sua alma. E quanto a ela e eles... era melhor que nunca mais se encontrassem, nem na vida, nem na morte.
Aquelas eram suas bênçãos para eles, e também sua própria punição. Pois existe uma dor que dura para sempre.
— FIM —