《Ela Não é Mais a Mesma: A Vingança Silenciosa da Ex-Mulher》Capítulo 24 (Final)

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Por uma questão de gratidão e justiça, Ricardo havia salvado Loli, e Clarice, como mãe da menina, deveria visitá-lo. Mas ela não queria. Melissa e Ricardo tinham uma ligação intrínseca; se não fosse por ele, as coisas jamais teriam chegado àquele ponto extremo.

Ao seu lado, a pequena Loli percebeu o que ela sentia. A menina virou-se para Luan e disse: — O seu pai me salvou, e eu preciso agradecer. Eu vou com você.

Luan continuava olhando com expectativa para Clarice, que desviou o olhar e disse: — Vá com ele, Loli. Você me representará também.

Sem outra escolha, Luan partiu com Loli.

Uma semana depois, Samuel foi transferido para um quarto comum. No dia em que ele abriu os olhos, Clarice correu para o seu lado e chorou copiosamente debruçada sobre o leito. Samuel levantou a mão, ainda sem forças, e acariciou suavemente a cabeça dela, dizendo com a voz rouca: — Por que chorar? Estar vivo já é a maior das bênçãos.

Ele ficou internado por um mês. Durante esse tempo, Clarice cuidou dele com uma dedicação impecável. Apenas alguns quartos de distância, Ricardo jazia sozinho, recebendo apenas a ajuda desajeitada de Luan. Às vezes, Ricardo via Clarice passando apressada com mantimentos ou ajudando Samuel em sua fisioterapia lenta.

Foi então que ele sentiu na pele o que Clarice passara: o sentimento de lutar pela vida e ser deixado sozinho em um hospital. Era o que ele merecia.

Certo dia, Clarice passou pela porta do quarto dele e demonstrou surpresa: — Você está internado neste quarto?

Ricardo ficou paralisado. Levou um tempo até que ele soltasse um sorriso amargo e sem som. Ele passara dias achando que o isolamento era uma punição deliberada de Clarice, mas a verdade era mais dolorosa: ela simplesmente não se lembrara dele em nenhum momento.

— Sim — ele assentiu.

Mas, quando Clarice passou mais tarde para lhe deixar um pouco de água por cortesia, encontrou apenas o leito vazio. Para onde ele fora, ela não se deu ao trabalho de investigar.

No dia da alta de Samuel, Clarice e Loli levaram fitas coloridas, celebrando com todo o entusiasmo. O clima alegre dos três ao sair do hospital trouxe até um pouco de esperança para os outros pacientes. Após a partida deles, Luan empurrou a cadeira de rodas de Ricardo para fora, observando de longe o rastro de felicidade daquela família.

Uma recepcionista aproximou-se para ajudar: — O senhor precisa de algo? Ricardo balançou a cabeça negativamente e, após finalizar a alta, partiu em silêncio.

O tempo voou, e logo chegou a primeira neve do inverno. A saúde de Samuel estava totalmente recuperada, e os três haviam superado o trauma do incêndio. O casal e a menina saíram para caminhar, sentindo o romance e a agitação da primeira neve nas ruas.

Samuel parecia um pouco distraído, com a mão no bolso, tateando algo nervosamente. O anel que não pudera entregar no dia da tragédia ainda era uma ferida aberta em seu coração. Ele preparara uma surpresa para hoje, mas não sabia como Clarice reagiria.

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Ao chegarem a um local mais tranquilo, Samuel parou sob a luz vibrante de um poste. Clarice virou-se, curiosa: — O que foi? — Ao vê-lo pressionar o abdômen, ela se preocupou. — Está doendo?

Samuel retirou a mão do bolso, revelando uma caixinha aberta com um anel brilhante. — Você aceita ser minha esposa, de verdade?

Clarice olhou para ele, atônita. Quando caiu em si, as lágrimas já escorriam. Ela cobriu a boca para não perder a compostura e assentiu repetidamente: — Sim, eu aceito! — E estendeu a mão.

Samuel colocou o anel solenemente em seu dedo médio. Ele beijou a base do dedo anelar, onde faltava a falange, e sorriu com ternura: — Que o meu beijo substitua o anel que falta aqui.

Clarice já não conseguia mais conter o choro. Loli, com um lenço em uma mão para secar as lágrimas da mãe, entregou com a outra o anel masculino: — Agora é a vez do papai ganhar o anel!

Com a visão embaçada, Clarice pegou o anel e, com as mãos trêmulas, precisou de várias tentativas até encaixá-lo no dedo anelar de Samuel. Ele soltou um longo suspiro de alívio e a abraçou: — Achei que você estava me testando.

Sob a luz do poste, os dois se abraçaram enquanto os anéis brilhavam. Loli registrou aquele momento precioso e acolhedor com o celular.

Na penumbra, onde a luz do poste não alcançava, Luan empurrava a cadeira de rodas de Ricardo. Os dois observavam o romance à frente em silêncio, com os olhos vermelhos. Ao ver Samuel beijar o dedo mutilado de Clarice, Luan não aguentou e começou a soluçar baixinho: — Eu não devia ter falado daquela forma com a mamãe... buááá... eu sou a pior criança do mundo...

Ricardo colocou a mão pesada sobre a cabeça de Luan e disse com a voz embargada: — O papai também é o pior adulto do mundo.

Mas, felizmente, a realidade seguiu o curso das boas histórias: os vilões receberam sua punição eterna, e os bons conquistaram uma felicidade longa e duradoura.

FIM

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