Dois anos depois
Algo estava errado. Edward entrou pela porta como uma tempestade, atravessando a casa com a força de um trem desgovernado.
“O que houve?” Carlisle se aproximou do filho, evitando perguntar diretamente aquilo que mais temia ouvir.
Esme correu atrás de Edward até o quarto, instintivamente buscando a mão de Carlisle.
“Estou indo embora.” A frase de Edward foi fria, direta — mas sem explicar para onde ou por quê.
Memórias distantes dos anos 1920 atravessaram a mente de Carlisle e Esme. Já haviam se passado décadas, quase um século, mas a antiga ausência rebelde de Edward ainda pesava em seus corações.
“O quê?” disse Esme, tomada pela emoção antes mesmo de pensar. “Não, Edward.”
“O que aconteceu?” perguntou Carlisle novamente.
“Eu só preciso ir.” Edward não olhava para nenhum dos dois. Pegava roupas sem cuidado, enfiando-as desorganizadas em uma bolsa de academia e em uma mochila no chão.
“Seja o que for,” implorou Esme, “podemos resolver… juntos.”
A dor estava estampada em seu rosto, mas Edward não conseguiu responder.
Carlisle se aproximou e colocou a mão em seu ombro. “Filho—”
“Eu vou embora, Carlisle,” disse ele com firmeza. “Eu não sou quem você pensava… nem quem eu pensava ser.”
O que isso significa? Carlisle tentou alcançar sua mente. Edward, por favor…
Edward finalmente o encarou. “A vida de uma garota está em perigo por minha causa.” Suas sobrancelhas se contraíram em agonia. “Eu tenho que ir.”
Esme lançou um olhar aflito para Carlisle.
“Esme… me desculpa.” Edward balançou a cabeça, imóvel por um instante. “Me desculpa.” Mesmo em meio ao caos, inclinou-se e beijou sua bochecha, antes de caminhar em direção à porta.
“Edward!” chamou Carlisle, pegando as chaves no bolso. “Leve meu carro. Vá para onde precisar.”
Leve, insistiu mentalmente.
Edward não pensou — apenas aceitou as chaves e saiu correndo.
Esme se encolheu contra Carlisle, e os dois permaneceram na porta observando o Mercedes desaparecer pela estrada. Por quilômetros, ainda conseguiam ouvir o motor rugindo.
Nenhum dos dois falou por vários minutos.
De manhã, tudo estava bem.
Agora, tudo havia mudado.
“Para onde ele foi, Carlisle?” perguntou Esme, com a voz frágil. Seus dedos apertavam a camisa dele com força.
Ele não sabia.
Apenas sabia que Edward acreditava ter colocado alguém em perigo.
E que, por isso… precisava partir.
“Alice,” disse Carlisle. “Vamos falar com Alice.”
Ele a abraçou com mais força, sentindo o peso da dor dela — e a de Edward.
—
Cada um reagiu de maneira diferente ao ouvir Alice.
Ela descreveu o que viu: a luta de Edward na aula de biologia, quase perdendo o controle diante do cheiro do sangue de Isabella Swan. Era semelhante à luta de Jasper… mas Edward resistiu.
Isso só fez Alice admirá-lo ainda mais.
Mas também revelou sua dor.
Ele se via como um monstro.
“Ele fez tudo o que podia para se controlar,” disse Alice. “Mas acredita que ela é sua ‘cantora’.”
“O garoto está sendo duro demais consigo mesmo,” disse Emmett, casual. “Eu já errei pior.”
Esme sentiu o coração apertar.
Imaginava Edward sozinho na floresta, na chuva, afundando na própria culpa.
Carlisle a puxou de volta.
“Ele não feriu ninguém,” disse. “Ele fez o que achou certo.”
“Ele vai voltar?” perguntou Esme.
Alice olhou para ela.
“Vi vários futuros. Um deles já não existe… porque ele foi embora.”
Jasper completou:
“Aquele em que Edward mata Isabella.”
Carlisle respirou fundo. “Então isso não vai acontecer?”
“Basicamente,” disse Alice. “Ele está indo para o Alasca.”
O alívio foi imediato.
“Denali?” perguntou Carlisle.
“Sim.”
“Talvez ele fique lá,” disse Rosalie.
Esme lançou um olhar desaprovador.
“Se for melhor para a garota,” completou Rosalie.
Alice levantou as mãos. “Provavelmente ele vai voltar. Já vi isso… depois de conversar com Tanya.”
“Pelo menos ele não estará sozinho,” disse Esme.
“Eu acho que ele volta,” disse Alice, agora olhando diretamente para Carlisle e Esme. “Mais cedo do que vocês pensam.”
“Obrigado, Alice,” disse Carlisle.
Jasper permaneceu em silêncio.
Rosalie parecia distante.
Emmett… tranquilo.
Como se dissesse: ele vai voltar.
“É tudo o que tenho por enquanto,” disse Alice. “Se algo mudar… aviso.”
“Vamos continuar indo à escola?” perguntou Emmett.
“Claro,” respondeu Alice imediatamente.
“Vai parecer estranho se todos faltarem,” disse Rosalie.
Carlisle assentiu. “Vou inventar algo.”
“Mantenham os celulares ligados,” disse Esme.
“Ele vai voltar,” disse Emmett, sorrindo. “Alice nunca erra.”
Esme respirou fundo.
“Espero que você esteja certo.”
Alice olhou para todos.
“Só posso dizer uma coisa…”
Ela sorriu levemente.
“Estamos prestes a viver algo inesquecível.”
—
E assim…
sem saber exatamente por quê…
a vida deles mudou mais uma vez.
Porque, em algum lugar…
uma humana havia entrado no destino de um vampiro.
E nada…
seria como antes.