Tu... tu... tu... Ele desligou.
Somente perto do fim do ano é que soube, através daquela minha antiga colega de trabalho, que Gustavo havia sofrido um grave acidente dirigindo embriagado e estava em estado vegetativo.
Os pais dele eram muito ricos e, embora as chances de ele acordar fossem mínimas, eles não desistiram do tratamento.
"Isa, o que houve? Minha prima te mandou mais alguma fofoca bombástica?"
No restaurante de luxo, Thiago voltou do banheiro e me viu encarando o celular com uma expressão um pouco estranha, meio perdida.
Ele perguntou casualmente.
Afastei o telefone e dei um sorriso despretensioso:
"Nada demais. Ah, não reserve mais este restaurante, é caro e a comida nem é tão boa. Da próxima vez, vamos comer um rodízio, o que acha?"
Thiago segurou meus dedos, que estavam um pouco frios, e os beijou com carinho:
"Tudo bem, você manda."
Quando saímos do restaurante, a primeira neve do ano começou a cair suavemente.
Thiago, temendo que eu sentisse frio, colocou seu casaco sobre meus ombros e, mais uma vez, parou sob a luz do poste com um buquê de flores para se declarar.
Com a ponta do nariz avermelhada pelo frio, ele disse timidamente que dizem que, se você se declara no dia da primeira neve, o casal ficará junto para todo o sempre.
Embora eu não acreditasse mais no "para sempre", aceitei as flores com um sorriso radiante e me joguei em seu abraço caloroso, sussurrando um "sim".
Os momentos de felicidade são sempre efêmeros.
A única coisa que posso fazer é não questionar o futuro e aproveitar o agora.
Contanto que este momento seja alegre e livre... isso já é o suficiente.
[FIM]