A fábrica estava em ruínas, portão enferrujado. Pelo vão, via-se a van.
O prédio de dois andares, abandonado, janelas quebradas.
Com medo, Letícia e César pararam no bosque.
Sem cobertura, aproximar-se seria perigoso. Pelo rajado, havia vários sequestradores.
Longe, não viam dentro.
Sem saber, não podiam agir. Com espingardas, a vítima corria risco.
Douglas, com mapa, correu. "Capitão, o mapa. E binóculos. O Diretor Song enviou reforços, cercaram. Aguardam ordem."
César abriu o mapa.
O primeiro andar era produção, lados depósito, atrás sala e escritório.
Da posição, não viam a sala.
"Escolheram bem. Abandonada, escondida, visibilidade. Se agirmos, veem. A menos que saibamos dentro." Douglas falou irritado.
César não respondeu, pegou os binóculos.
Douglas continuou: "Viu algo?"
"Não são comuns. Espertos, não se expõem. Usam ângulos cegos. Não vi nada." César falou calmo.
Letícia foi até os pardais.
'
Aqueles humanos fizeram mal? Tantos, com espingardas.
'
'
Tia, fugimos? Se brigarem, machucam.
'
'
Medo? Longe. Depois, contamos aos outros.
'
"Viram os humanos?" Letícia interrompeu.
'
Tia, que voz?
'
'
Tia, humana entende? Primeira vez.
'
Um pardal, curioso, voou, pousou em sua mão.
'
O pardal viu. Humanos maus, quase atropelaram a tia, xingaram.
'
'
Trouxeram mulher colorida. Ficam há dias. Um sai para comprar comida, volta com baldes.
'
'
Humanos barulhentos foram embora, agora vieram.
'
'
Humana cheirosa, veio pegá-los? Pegue! À noite fazem barulho. Uma noite, a mulher fugiu, mas a pegaram, bateram.
'
Letícia não imaginou. A mãe de MaoMao tentou fugir, apanhou.
Sua testa pulou. "A mulher está bem?"
'
O pardal não sabe.
'
A tia, olhando, voou, pousou.
'
Este pardal sabe.
'
'
O pardal entrou, viu. Mulher machucada. Humanos falaram: não pode morrer, senão sem dinheiro. Compraram remédio.
'
'
Viva.
'
Ouvindo, Letícia relaxou.
Olhando para César, ele deu o celular. Letícia aumentou o brilho. "Quem compra é este?"
O pardal bicou a foto.
'
Humano de boné, não vi bem. Mas a mancha igual.
'
"Irmão César, pelo pardal, o sequestrador é o namorado. Mas não é o chefe. Senão, não faria compras, cartas."
"Exato. Só pequenos roubos." César olhou fixo.
Letícia ficou sem graça. "Irmão César, há algo?"
"Não. Só pensei que é pena não entrar para a polícia." César falou, Douglas chegou.
"Capitão, a Tatiane investigou. O namorado é desempregado, joga. Um mês antes, devia cinquenta mil."
"Pequenos roubos não pagam. Daí a ideia."
"Enviaram e-mail, a Sra. Zhang está segura por agora. Agir é difícil, alertaria. Diga aos reforços para ficarem. À noite, explorem. Segurança primeiro."
Letícia não odiava a polícia, só regras. Ouviu, sorriu.
Ouvindo, antes que Douglas saísse, levantou a mão. "Tenho uma ideia."
"Fale." César olhou esperançoso.
"Podemos usar animais. Humanos não desconfiam. Assim, temos informações, sem alertar."
Ouvindo, Douglas animou-se, pegou a mão de Letícia. "Senhorita Letícia, ótima! Resolve. É nosso amuleto. Com você, tudo é mais fácil."
César olhou para as mãos, tossiu.