As câmeras do quintal tinham visão noturna ruim. Via-se a gata trazendo algo, mas não o quê.
"Querida, o que trouxe?"
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Irmã é fraca. O Miau trouxe caça.
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Com o pensamento, Letícia viu uma corujinha no tapete, olhando.
A coruja, ao vê-la, gritou, bateu as asas, tentou fugir, sem sucesso.
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Aaah, humana, não se aproxime!
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Dói!
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A coruja não voa! Será comida?
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A coruja, sem voar, recuou pulando.
Seus olhos estavam desconfiados.
Letícia notou sangue na asa.
Ela olhou para a coruja e a gata. Não sabia se chorar ou se emocionar.
Emocionar-se pela gata caçar.
Mas era animal protegido. Como meio dona, poderia ir para a cadeia.
A gata, percebendo, miou.
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Não foi o Miau.
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Ele se machucou. O Miau passou, trouxe.
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Letícia saiu da cama, descalça. A raposinha e a gata, como guardiãs, pularam, seguiram.
A coruja, vendo, recuou, até o canto. Tentou voar, desistiu.
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A coruja finge de morta? Humanos não comem.
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Antes que fingisse, Letícia falou: "Não precisa. Não como."
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A coruja acredita?
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"Juro. Mas a asa está machucada. Enfaixo." Letícia estendeu a mão.
A coruja quis bicar, mas sentindo o cheiro, parou.
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Cheiro bom.
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Vendo, Letícia continuou: "Se não tratar, inflama, pode não voar."
Não era mentira.
Com calor, feridas inflamam. Animais curam, mas se grave, precisa ajuda.
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Assusta a coruja.
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A coruja não deixa tocar. Humanos mentem.
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"Não minto. Se não falar, concorda." Letícia tocou sua cabeça, desceu, pegou o kit, cortou carne, trouxe.
Dividiu: carne crua para a raposinha e coruja, cozida para a gata.
Vendo, a coruja, com fome, olhou.
"Pode comer. Não tem remédio. Não quero cadeia." Letícia empurrou.
A coruja percebeu que Letícia entendia.
Moveu-se, comeu. Vendo que nada acontecia, comeu mais.
Acabando, Letícia a pegou.
A coruja se debateu. "Pare, pode piorar."
Letícia deu carne cozida.
A coruja, comendo, tentou debater, desistiu.
Letícia abriu as penas, viu ferida com lascas. Deve ter batido em galho.
O galho perfurou, ela puxou, caiu, a gata achou.
Com calor, mesmo curando, com lascas, inflamaria.
Acariciou a cabeça. "Querida, trato. Tem lascas, preciso limpar. Dói um pouco, depois anestesia. É seguro."
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Pode.
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Para o vovô, o kit era completo.
A coruja era pequena, pouca anestesia. "Querida, vou injetar. Não se mexa."
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A coruja se mexe?
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A coruja não tem medo.
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Ow!
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Dói!
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Ai, choque!
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Letícia jogou a seringa. "Não é choque. Anestesia. Dura umas horas."
Enquanto agia, deu carne.
Apesar da asa dormente, a coruja comeu.
A gata e a raposinha se aproximaram. Letícia acariciou a orelha. "Não pegue esse pássaro."
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Não peguei. Achei.
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Letícia apertou a testa. Realmente.
"Bom, não pegue. Se achar machucado, traga."
"E não precisa caçar."
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Irmã não gosta de pássaro. O Miau pega rato.
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Ouvindo, Letícia impediu. "Pare! Não precisa. Não traga pássaro, rato, nada."
Com medo de esquecer, e a gata trazer coisas.
Quem acordaria com isso?
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Tudo bem.
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Letícia tocou a ferida. "Dói?"
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Não.
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Dormente.
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"Que bom." Pegou a pinça, limpou as lascas.