Vendo a raposinha, Letícia sentiu pena.
Aumento de salário, e ela passando fome.
Letícia perguntou casualmente: "Tio Zhao, a comida é comprada por você ou por outros?"
O mordomo respondeu: "Moça, sou velho, não consigo cuidar de tudo. Cada funcionário compra, guarda nota, reembolsa."
"Funciona há tempo, sem problemas."
Letícia acariciou a pelagem. Parecia igual, mas menos macia. "Tio Zhao, não teme desvio?"
"Ou verifica as compras ao reembolsar?"
"Não deve. Os funcionários são antigos. Só verifico amostras."
Especialmente comida, se dissessem que consumiram, não haveria prova. Não podia perguntar à raposinha.
"Tio Zhao, se comesse tanto, não estaria magra, sem brilho. Chame a Tia Zhang, traga as notas."
"A raposinha não nos deixa tocar, se esconde. Não vemos magra."
O mordomo explicou, saiu. "Chamo."
'
A raposinha não é burra.
'
'
Humano mau maltrata, a raposinha se esconde. Se apresentar para ser maltratada?
'
Quase virou fóbica social.
Com o mordomo, veio a Tia Zhang e Leonardo.
"Leti, o que houve?" Leonardo aproximou-se.
Letícia olhou para Tia Zhang. Quarenta e poucos anos, uniforme, mãos no abdômen, olhos baixos. Parecia honesta.
Mas ao ver a raposinha, olhou culpada, disfarçou.
Letícia acariciou a orelha. "A comida foi desviada. Ela está magra, desnutrida. Diz que quem alimenta xinga."
"Tio Zhao, o que houve?" Leonardo questionou.
O mordomo olhou para Tia Zhang.
Tia Zhang, nervosa, olhou para os lados. "Jovem senhor, jovem senhora, juro! Alimento como o vovô pede. Notas comprovam. Não posso falsificar."
"Xingar? Nunca. Moça, não acredite."
'
A raposinha mente? Humano mentiroso.
'
'
Solta, a raposinha arranha!
'
A raposinha só pensou brava, mas não se moveu. Talvez satisfeita.
Realmente tímida. Senão, não sofreria.
Se mordesse, o vovô trocaria.
Letícia bateu os dedos na mesa. O mordomo deu as notas.
Letícia viu. Leonardo olhou. Pão, ovos, maçãs, cenouras, cactos, bagas.
Vendo, Letícia olhou para Tia Zhang. Suava.
"Pela lista, tem muita coisa. Como está magra?"
Tia Zhang gaguejou: "Talvez perca apetite. Humanos no verão também perdem."
'
A raposinha tem apetite!
'
A raposinha, no colo, miou.
Letícia acalmou. "Orelha Amarela come fresco. Se perde apetite, por que compra tanto?"
Tia Zhang, prevendo, agarrou a roupa. "Por perder, comprei para variar."
"Ela comeu?"
Tia Zhang olhou de lado, balançou a cabeça. "Não."
"Então deve sobrar. Mostre. Talvez a comida esteja ruim." Letícia levantou-se.
Tia Zhang parou, pernas pesadas, suando.
Letícia insistiu. "Tia Zhang, mostre."
Tia Zhang, nervosa: "Joguei fora."
Letícia olhou fixo. "Tanta comida? O vovô comprou geladeira para carne."
"E cactos."
"Cactos podem plantar. Jogou fora?"
"Tia Zhang, a comida foi jogada ou vendida?"
Vira as notas, de lojas, até do deserto. Cactos para plantar. Só uma possibilidade.
Tia Zhang comprou, mostrou, depois vendeu.
O vovô era generoso.
Ninguém perguntou se a raposinha comeu.
"Moça, sem prova, me acusa. Trabalho há anos, nunca roubei. Não posso com a acusação." Tia Zhang esfregou os olhos.
Leonardo, diretor de zoológico, mesmo sem ouvir, via problema. "Tio Zhao, verifique as câmeras."