O vovô era idoso. Com medo de que ficasse doente, não contaram.
"Leti veio. Faz tempo." O vovô, com bengala, voz forte.
Letícia ajudou. "Estive ocupada. Trouxe bichinhos para fazer companhia."
Assim que falou, Leonardo trouxe a caixa.
"São fofos. O mordomo cuida com Orelha Amarela." O vovô acariciou.
Letícia soltou, pegou a caixa. "Levo. Faz tempo que não vejo Orelha Amarela."
Orelha Amarela era uma raposinha-do-deserto.
Sabendo que gostava, alguém trouxe do deserto.
O vovô construiu uma estufa no jardim, com areia. O jardim era área dela.
"Deixe os gatos ao lado. Amanhã, trago arranhadores." O mordomo apontou.
Era menor, mas dava.
Letícia acariciou a gata. "Gostou?"
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O Miau gosta. Obrigado por achar boa casa.
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O mordomo ofereceu: "Moça, eu arrumo."
Letícia deu, notou a raposinha na areia.
Era pequena, pelagem amarelada, orelhas grandes. Menor que um gato.
O focinho na areia, olhos vazios. Ao ver pessoas, enterrou-se.
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Cansada.
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Com fome.
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Pata dói.
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Ouvindo, Letícia franziu a testa.
Raposinhas comem, dormem, brincam. O vovô gostava, não faltaria comida.
Como estava com fome?
Vendo Letícia parada, enterrou-se mais.
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Por que não vai?
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Vai fazer a raposinha carimbar? A pata está dolorida.
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Letícia olhou para o mordomo. "Tio Zhao, a alimentação está bem? Exames?"
O mordomo respondeu: "Come bem, mais que antes. A despesa aumentou. Além da refeição, lanches. Come rápido."
"Come, dorme, parece bem. Não examinamos."
Letícia gostava de brincar. O mordomo não desconfiou.
Se comia bem, por que fome?
"E atividade?" Letícia perguntou.
O mordomo pensou. "Como sempre, brinca na areia, sai para o sol. Sem aumento."
"Moça, há problema?" O mordomo lembrou que era veterinária.
Só brincar, não cansaria.
Ou antes também cansava, mas ela não ouvira.
Enquanto pensava, a raposinha saiu, sacudindo as orelhas.
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Mentira.
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Engana.
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A raposinha só come três ovos, duas maçãs, uma cenoura.
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Às vezes, pão e peixe. Mas o pão, só uma mordida. Roubam. O peixe também. Sentem o cheiro, fazem outra coisa.
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Se não querem, soltem. A raposinha caça.
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Ficam, não alimentam. Humanos estranhos.
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Quem alimenta xinga.
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Ouvindo, Letícia ficou séria.
Coitada. Se não ouvisse, sofreria.
Fome, má alimentação. Cansaço?
"Tio Zhao, quem alimenta? E a despesa?" Letícia perguntou fria.
Pela expressão, o mordomo soube. "A despesa é mais de cinco mil. Ovos, pão, frutas, às vezes cactos do deserto."
"Além disso, tâmaras e bagas, caras. Às vezes, porco-espinho ou camundongos."
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Mentira! Irmã, não acredite!
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A raposinha nunca viu.
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Nunca provou.
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A raposinha, brava, saiu, correu para Letícia, miando.
Letícia a pegou.
O mordomo continuou: "Com insetos, seis mil."
"Moça, cuido do vovô. Não consigo cuidar da raposinha. A cozinheira, Tia Zhang, cuida. Ela cozinha, sabe nutrição. O vovô aumentou o salário em dois mil."
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Má!
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Não dá comida, xinga. Diz que a raposinha é preguiçosa.
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"Não se aborreça. A irmã sabe." Letícia acalmou a pelagem, pegou ração, deu.
Raposinhas selvagens caçam. Domésticas podem comer pão, ração. Sem deserto, não falta água.
Para melhorar, cactos e bagas eram bons. Sem condições, frutas serviam.
Vendo a ração, a raposinha faminta comeu vorazmente.