"Irmão, ouviu miados?" Letícia parou, procurando.
Por causa do sistema, era sensível.
Leonardo ouviu, balançou a cabeça. "Não. Leti, está ouvindo coisas?"
"Irmão, leve os gatos. Vou ver." Letícia determinou a direção, foi para o jardim.
Para os moradores, havia um parque. Durante o dia, idosos e crianças; à noite, animais.
O parque era afastado, animais procuravam comida.
Em bairro rico, crianças alimentavam.
O miado vinha de um gato doméstico.
O céu escurecia. A segurança era boa, mas lembrando do passado, Leonardo não deixou. Deu a caixa ao motorista. "Leve para dentro."
Foi atrás de Letícia.
Perto do parque, na villa 18, viu um gato turco branco pulando.
O gato era grande, pelagem impecável.
Olhos azul e âmbar, heterocromia.
Muitos gatos heterocromáticos têm problemas auditivos.
A pelagem limpa mostrava dono.
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Hmm, o Miau lembrava que era aqui. Errei?
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O gato deu uma volta, farejou.
Letícia abriu os arbustos. "Está perdido?"
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Fantasma!
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Fuja! O fantasma entende!
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Antes que fugisse, a gata preta pulou, bloqueou.
Gatos domésticos não são rivais para selvagens. O gato turco foi encurralado, veio para Letícia.
Ele tentou desviar, mas sentiu um cheiro doce. Parou, recuou.
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Por que a humana cheira bem?
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"Saiu e se perdeu?" Letícia tentou acariciar.
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O Miau não se perde.
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O Miau lembrava que era aqui. Mas o papai não está, as coisas são diferentes. A casa se moveu.
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Letícia apertou a testa. "Não marcou, errou?"
As villas eram parecidas.
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O Miau não erra.
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Esperto, mas não muito.
Parecia que os ouvidos estavam normais.
"Sabe o nome do papai? Como é a casa?" Letícia pegou o gato.
O gato pensou.
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Qin Yu.
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A casa é igual, mas as coisas diferentes. Tem uma romãzeira. O Miau gosta de subir. Dessa, não tem.
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O nome soava familiar.
"Irmão, pode ver onde Qin Yu mora?" Letícia pediu.
Leonardo vira a conversa. No zoológico, o assistente contara. Curioso, mas não perguntou.
"Espere." Ele ligou, descobriu.
"Villa 23."
Por isso errou. A 23 ficava perto, mas em direção diferente.
"Leti, tem um atalho." Leonardo mostrou.
Letícia era ruim com direções.
Ela, com o gato, seguiu. A noite era quieta, só sapos.
"Irmão, não quer perguntar?" Letícia quebrou o silêncio.
Leonardo deu um tapinha em sua cabeça. Antes que retirasse, a gata preta deu uma patada.
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Não bata na irmã!
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Letícia não imaginou que a gata a protegeria. Acariciou-a. "Calma, foi brincadeira."
Leonardo, não bravo, sorriu. "Se quiser contar, conta. Só quero que fique bem."
Conversando, chegaram.
A porta estava fechada, sem luz. Dono fora.
Pela parede, via-se a romãzeira.
Devia ser.
Letícia colocou o gato. "Vá para casa."
"Humana cheirosa, o Miau gosta." O gato esfregou-se, pulou na parede, entrou.
De fora, ouvia-se.
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O Miau voltou!
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O papai não percebeu?
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Luz apagada, não percebeu.
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Da próxima, levo lata para a Flor.
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Leonardo não ouvia. "Vamos."
"Sim." Andaram, o gato miou desesperado.
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Salvem!
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Problema! Muito sangue!
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Papai, acorde!
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Papai, não morra!
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O Miau chama ajuda!
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Humana cheirosa não foi embora. O Miau chama!
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