Ainda bem que a gata avisou.
"Não machuquei. Este é o filho. A arma está enterrada." Letícia olhou com raiva.
Li Yong olhou furioso. "Como sabe?"
"Não conto." Letícia pegou a gata, examinou, relaxou.
Ler mentes, se muitos soubessem, seria ruim.
A dúvida da polícia sumiu com a pergunta.
"Douglas, leve-o. Chame os peritos." César pegou uma pá.
Não tocou, usou luvas.
Com uma mão, cavou; com a outra, segurou a lanterna. Era difícil.
Quando ia colocar no chão, Letícia pegou. "Eu seguro."
Logo, César desenterrou um pilão de pedra. Havia sangue. "Esta é a arma. Obrigado, Senhorita Letícia, nos poupou tempo."
"Deixamos com o Douglas. Está tarde, levo-a para casa." César colocou em saco.
"Obrigada."
"Senhorita Letícia, já ajudou em vários casos, somos familiares. Pode me chamar de irmão." Sob a luz, seus olhos brilhavam.
Letícia olhou surpresa, não viu malícia. "Obrigada, irmão César."
Ao virar, latidos.
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Vocês vão, e o Au Au?
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Doudou viu o dono ser preso.
Se eles fossem, morreria de fome.
Letícia, focada na evidência, esqueceu o cachorro.
O cachorro não era totalmente mau, só influenciado.
Vira-latas adultos eram difíceis de adotar. Maus hábitos, lealdade ao dono.
Não podia levar para a clínica.
Enquanto pensava, César falou: "Senhorita Letícia, se não pode ficar com ele, levo para a delegacia. Lá, não passará fome."
"Podem mesmo? Se não, levo, depois arrumo adoção ou abrigo." Letícia olhou hesitante.
Au au!
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O Au Au vai com a humana cheirosa.
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O Au Au não quer delegacia.
Lá, não terá vida boa.
Letícia sorriu.
Esperto, sabia se adaptar.
"Podemos. A delegacia é grande, muitos gostam de animais."
A delegacia alimentava animais de rua. Perto do canil, dava.
Vendo que era sério, Letícia não se preocupou. "Doudou, vá com o tio de boné. Lá, pode se corrigir. Depois, será um bom cachorro."
Abriu a gaiola, pegou uma corda, amarrou.
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O Au Au não quer.
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Doudou, antes arrogante, agora com rabo entre as pernas, orelhas baixas.
Letícia bateu em sua cabeça. "Comporte-se. Na delegacia, tem trabalho fixo. Melhor que com seu dono."
"Se não for, fica na rua. Você e seu dono maltrataram animais. Eles se vingarão."
Letícia explicou.
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O Au Au vai.
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Fome ou comida garantida, ele entendia.
Sentiu a gata se preparando.
Ainda bem que Letícia a segurou.
Doudou, de rabo entre as pernas, foi na frente. Voltaram ao conjunto uma hora depois.
Os gatos, de barriga cheia, descansavam. Alguns ainda comiam.
Animais de rua comem muito quando podem, com medo de fome.
Letícia pegou um gato branco de barriga cheia. "Comer demais faz mal."
"Oficial Tatiane, obrigada por alimentá-los." Letícia foi até Tatiane.
Tatiane abria lata. "Senhorita Letícia, somos nós que agradecemos."
Letícia parou de agradecer, agachou-se. "A vovó foi para outro mundo. Não pode alimentá-los."
"Querem vir comigo? Temos abrigo, adoção. Ou ficam na clínica, arranjamos donos." Letícia perguntou.
Se levados à força, fugiriam.
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Vai ter comida?
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O dono será mau?
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"Comida, sim."
"O dono não será mau. A adoção tem critérios, contrato. Verificamos. Se não for adequado, não damos."
Letícia acariciou um gato abandonado.
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O Miau vai.
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Com um concordando, outros seguiram.
César abriu a viatura.
Letícia, com a gata no ombro, deu um tapinha em Doudou. "Entre."
Doudou quis resistir, mas olhou, entrou.