Se pediam ajuda a gatos de rua, não podiam ser mesquinhos.
Letícia não recusou.
Os peritos e legistas chegaram.
Enquanto isso, a gata preta trouxe outros gatos.
Gatos de rua olham humanos com desconfiança.
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Realmente tem humano dando comida?
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Pelo pensamento, Letícia soube que a gata usou comida como isca.
"Damos comida, mas ainda não chegou. Tenho um sachê, comam." Letícia colocou o último sachê no chão.
"Antes de chegar, posso perguntar?" Letícia inclinou-se, nivelando o olhar.
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A preta não mentiu. A humana dá comida e entende.
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Sem rodeios, Letícia perguntou: "Conhecem a vovó que catar lixo e dá comida?"
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O Miau conhece. A vovó é boa. Tem um filho mau.
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"Antes de parar de alimentar, viram o filho?" Letícia apertou o sachê, os gatos comeram em fila.
Um gato com orelha faltando falou baixo.
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O Miau sabe.
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Letícia não imaginou.
"Ele e a vovó brigaram?" Ela pegou o gato, examinou a orelha.
A orelha fora mordida em briga, a ferida quase cicatrizada.
O gato rajado deixou-se examinar.
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Sim, bem alto.
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O Miau não conseguiu comida, vim pedir. Vi o homem mau, fiquei com medo. Antes de ir, ouvi briga, barulho de coisas quebrando.
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O homem mau traz cachorro, ataca o Miau. O Miau se escondeu na grama.
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"Ouviram o que brigavam?" Letícia acariciou seu queixo.
O rajado revirou os olhos, pensando.
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Dinheiro, aposentadoria.
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A briga parou, o homem foi embora.
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Ele levou uma coisa quadrada. O Miau tentou fugir, ele viu, deu chute, xingou.
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Se o Miau fosse forte, arranhava.
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O Miau esperou na porta, a vovó não saiu. O Miau desistiu.
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"Machucou com o chute?" Letícia examinou.
Às vezes, feridas internas não aparecem.
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Não, o Miau correu.
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O pensamento tinha orgulho.
Pela vitalidade, estava bem.
Letícia olhou para César. "O filho brigou por dinheiro, provavelmente roubou."
"Entendi. Obrigado." César estendeu a mão, mas parou.
"Capitão César, descobri." Douglas voltou. "A comunidade diz que a idosa tem um filho, desempregado, joga. Perde, vem pedir dinheiro. Os vizinhos ouvem brigas."
"Já sabemos. Algo útil." César interrompeu.
Mas as palavras confirmaram os animais.
Douglas olhou espantado. "Como sabem?"
Letícia sorriu. "Temos ajuda."
"Os animais sabem disso? Senhorita Letícia, é como cola em prova." Douglas ficou chocado.
"É diferente. Cola anula a prova." Letícia brincou.
"E o endereço do filho?"
"Descobri. No bairro ao lado, alugado. Os vizinhos dizem que ele quer o apartamento, mas a idosa não dá, com medo de perder." Douglas ficou sério.
Combinava com os gatos.
O filho foi a última pessoa a ver a idosa.
Suspeito ou não, precisavam encontrá-lo.
"Vamos ver." César olhou para Letícia. "Está tarde, não é seguro. A Tatiane vem, ela a leva."
"Não preciso ir agora. Acho que devo ir. O filho tem um cachorro, posso ajudar." Letícia tirou os gatos de si.
Douglas apoiou. "Capitão César, se a Senhorita Letícia ajuda, deixe ir. Nós protegemos."
César hesitou, concordou.
Letícia agachou-se, acariciou um gatinho. "Irmã tem coisas para fazer. Fiquem quietos. Uma irmã linda trará comida. Se precisarem, procurem os humanos de uniforme."
"Esperem."
A gata preta pôs a pata na perna de Letícia. Ao andar, a unha prendeu na roupa, arrastando-a.
Letícia parou, soltou a pata, pegou a gata. "O que foi?"
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O Miau sabe onde o homem mau mora. Leva a irmã.
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"Como sabe?" Letícia ficou surpresa. Os gatos tinham medo, mas sabiam.
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O Miau já viu no bairro ao lado. O Miau conhece aqui.
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Sem esperar resposta, a gata foi à frente, parou, olhou para trás.
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Humana, vem.
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