Letícia tirou sachês do bolso, deu para os filhotes.
Ela os carregava para gatos de rua do bairro, mas deu adiantado.
A gata preta olhou os filhotes comendo.
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A vovó gosta de catar lixo. Todo dia de manhã, ela pega coisas que humanos jogam, vende, compra carne para o Miau. O Miau vem à tarde, já faz três dias que não a vê.
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Assim que a gata falou, César e Douglas saíram do prédio, sérios.
Letícia deu o último sachê para a gata preta. "Oficial César, o que há?"
"Nozes não errou. Uma idosa morta, parece que faz dias. Já chamamos o legista." César não escondeu.
"Pelos gatos, a idosa não sai há três dias." Letícia informou.
César e Douglas notaram os gatos. "Senhorita Letícia, esses gatos? Para informações?"
"Não, são gatos de rua que a idosa alimentava."
Douglas brincou: "Senhorita Letícia, você é o amuleto da delegacia. Até isso acha."
César deu um tapinha em seu ombro. "Pare de brincar. Vá ver as informações."
"A Tatiane já mandou. Pelo registro, é um apartamento de reassentamento. A idosa mora sozinha, tem um filho que raramente vem."
"Quanto a outros contatos, mandei verificar." Douglas ligou.
Sobre o caso, Letícia não podia opinar. Sentou-se no meio-fio, pegou um filhote, acariciou.
Os gatos estavam sujos, mas o pelo macio. Bem alimentados.
"Há quanto tempo a vovó alimenta? Vêm todo dia?" Letícia perguntou à gata preta.
A gata preta parecia a líder.
Ela se esfregou na perna de Letícia, deitou.
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Há muito tempo. O Miau ouviu de outros que uma vovó alimentava, vim. A vovó é boa. Compra carne, traz restos de restaurantes.
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O Miau vem todo dia à tarde. A vovó dá comida.
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Mas tem um homem mau. Vem de vez em quando, briga com a vovó. Sai, dá chute no Miau. Um gato rajado quebrou costelas, ficou deitado, depois morreu.
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Agora, quando o homem mau vem, o Miau se esconde.
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"O quê?"
Vendo a surpresa, César perguntou: "O que foi?"
"Oficial César, tem foto do filho?" Letícia perguntou.
"A Tatiane mandou." César mostrou.
Letícia pegou, mostrou à gata. "É este?"
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É esse homem mau!
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Ao ver, a gata arrepiou, até o rabo.
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O homem mau tem um cachorro mau. Trouxe, o cachorro atacou o Miau. Se o Miau não soubesse subir em árvore, teria sido mordido.
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O cachorro é tão mau quanto. Ataca gatos e outros cachorros.
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Confirmando, Letícia devolveu o celular. "A gata diz que o filho vem, briga, reclama da alimentação aos animais."
"Se a idosa não tinha inimigos, o filho é suspeito." Letícia opinou.
César concordou. "Certo. Vou mandar ver o endereço."
Letícia perguntou à gata: "E ouviram a briga?"
Antes que a gata respondesse, um gato branco interveio.
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O Miau ouviu!
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O homem mau pedia dinheiro. Disse que a vovó tinha para o Miau, não para ele.
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A vovó apontou, disse para parar de jogar a coisa quadrada, que não tinha dinheiro.
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O homem ficou bravo, quase bateu com cadeira. O Miau ficou com medo, não saiu.
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O Miau estava caçando rato, pela fresta vi. Depois que o homem foi, a vovó chorou muito.
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"Coisa quadrada deve ser mahjong. O filho joga, perde, vem pedir dinheiro." Letícia resumiu.
"Antes de parar de alimentar, viram o homem? Houve briga?" Letícia perguntou.
O instinto dizia que o filho estava envolvido.
Os gatos se entreolharam.
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Não. O Miau foi caçar pássaros. À tarde, vim, esperei, a vovó não saiu, a luz não acendeu.
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O Miau também não viu. O homem vem em horários diferentes. O Miau vê, foge.
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"Além de vocês, há outros gatos que a vovó alimenta?" Nesses conjuntos, havia muitos gatos, especialmente com alguém alimentando.
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Tem.
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Eles não vêm sempre, mas passam todo dia. Se não tem comida, vão embora.
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"Podem me ajudar a achá-los? Pago com ração e lata." Letícia acariciou a orelha da gata.
Miau!
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Humana, espere.
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A gata preta desapareceu na grama.
"Mando trazer ração e lata." César avisou a Tatiane.