Três meses depois.
A cerimônia de noivado de Leonardo e Camila foi realizada em uma ilha no Sudeste Asiático.
Camila não queria ser incomodada.
Convidou apenas as pessoas mais importantes.
Apenas aqueles que realmente importavam… para testemunhar a felicidade deles.
Na noite anterior ao noivado—
Camila entrou silenciosamente no quarto de Leonardo.
Ele ainda estava em uma reunião por telefone.
Ela o abraçou por trás.
Ele suspirou, sem escolha, e encerrou a reunião.
— Amanhã vai ser um dia longo.
— Por que você não está dormindo?
Camila se aninhou nos braços dele.
— Não consigo…
— Leo… me belisca.
— Isso é real, né?
— Não é um sonho?
Leonardo riu e tocou de leve a testa dela.
— Para de pensar besteira.
— Vai dormir.
— Senão amanhã você não vai ter energia.
Mas Camila se recusava a sair.
Apegou-se a ele, como se não quisesse soltá-lo.
Leonardo a colocou na cama.
Deitou-se ao lado dela.
Deixou o braço servir de apoio.
— Então fica aqui.
— Eu fico com você.
Só então ela se acalmou.
E adormeceu nos braços dele.
Na manhã seguinte—Leonardo vestiu o terno.
Estava pronto para ir encontrá-la.
Seu celular vibrou.
Uma mensagem de um antigo amigo.
“Leo… sei que hoje é um dia importante, não queria te incomodar, mas…”
“O pai da Isabella jogou toda a culpa nela.”
“Agora todo mundo está atrás dela.”
“Ela tentou matar o próprio pai hoje de manhã… jogou o carro contra ele.”
“Ela está no hospital… os médicos dizem que talvez não sobreviva.”
“Você quer… ir vê-la uma última vez?”
Leonardo olhou para a tela.
Franziu levemente a testa.
Mas, por dentro…não sentiu nada.
Outra mensagem chegou:
“Leo… se não quiser ir, tudo bem.”
“Só achei que você poderia se arrepender.”
“Foram muitos anos… mesmo que ela tenha te machucado, ela já está pagando por tudo.”
Ele guardou o celular.
Levantou o olhar—e encontrou os olhos de Camila.
— O que foi?
Ela percebeu algo.
Leonardo balançou a cabeça.
— Nada.
— Está nervosa?
Camila segurou a mão dele.
— Com você aqui… eu não tenho medo de nada.
Sob os olhares e bênçãos de todos—eles completaram a cerimônia.
À noite—a brisa do mar soprava suavemente.
Camila hesitou por um tempo.
E puxou a manga dele.
Leonardo arqueou levemente a sobrancelha.
— Leo… tem uma coisa… que eu não te contei.
— A Isabella… parece que não vai sobreviver.
Ela queria perguntar—se ele queria ir vê-la.
Mas Leonardo já havia entendido.
— Camila…
Ele falou calmamente.
— Eu já disse muitas vezes.
— Eu não tenho mais nada a ver com ela.
— O que acontecer com ela… não diz respeito a mim.
Camila ficou um pouco tensa.
— Hoje é o nosso dia.
— Não vamos falar de outras pessoas.
Ela assentiu com força.
E se aconchegou nos braços dele.
Como se estivesse abraçando o mundo inteiro.
Mais tarde, naquela noite—Leonardo se levantou.
Foi até a varanda.
Acendeu um cigarro.
Diante dele, o mar escuro parecia infinito.
De repente—ele se lembrou de uma garota.
Alguém que um dia disse que viajaria pelo mundo ao lado dele.
O celular acendeu.
“Leo… a Isabella…”
“Ela faleceu há dez minutos.”
Leonardo soltou a fumaça lentamente.
Sem expressão.
Encostou-se no corrimão.
Virou o olhar—para a garota que dormia tranquilamente na cama.
Seus olhos suavizaram.
Ninguém vive preso ao passado para sempre.
E Leonardo…já havia seguido em frente.
Seu futuro—estava bem diante dele.
Fim.